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Revisitando “A Era do Rádio” | Cinema e rádio se entrelaçam no clássico de 1987

Filme semibiográfico de Woody Allen relembra o papel central do rádio na vida das pessoas antes e durante a Segunda Guerra Mundial

Levar o rádio para as telas do cinema é a proposta de A Era do Rádio, filme de 1987, dirigido e narrado por Woody Allen. Mais do que isso, Allen procura mostrar a importância deste meio de comunicação na vida de uma família suburbana dos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial. O protagonista, um jovem garoto judeu, é o alter-ego do diretor que viveu a chamada Golden Age of Radio. O período, que se destaca entre as décadas de 20 e 40, é quando o rádio se firmava como o maior veículo de comunicação de massas e possuía proporções muito maiores das que tem hoje em dia.

As famosas chamadas semibiografias voltaram a ganhar destaque no circuito durante o último ano com o lançamento de Dor e Glória, de Pedro Almodóvar. O recurso cinematográfico em que o diretor usa um alter-ego ficcional para contar recortes da sua própria história também foi usado em A Era do Rádio, quase 25 anos antes. Ao relembrar a infância, Allen cria uma caricatura de si mesmo e dos membros da sua família. Juntos, em uma casa modesta, o núcleo vive situações triviais e cotidianas, sempre embalados e influenciados pela presença do rádio. Fica nítido, portanto, o poder e a influencia do veículo naquela época.

A presença marcante e a contextualização histórica do rádio

Muitos programas de rádio característicos da época estão presentes no filme. A atração favorita de cada personagem colabora na construção da personalidade de cada um deles. O protagonista Joe gosta das aventuras d’O Vingador Mascarado, um seriado infantil que acompanhava um super-herói combatendo o crime. Histórias desse tipo são apreciadas até hoje pelas crianças em outras plataformas narrativas. A sua mãe, entretanto, é fã de um programa que acompanha um casal milionário tomando café da manhã e conversando sobre as fofocas da alta-sociedade de Manhattan.

A música não fica de fora da retrospectiva radiofônica feita por Allen. A cantora luso-brasileira Carmen Miranda, fenômeno das rádios, é a artista favorita da prima do protagonista e tem suas canções exploradas durante o filme. Uma delas, a tradicional South American Way, é interpretada por parte dos membros da família em uma das cenas. Vale lembrar que na época em que se passa A Era do Rádio, Carmen Miranda estreava na Broadway e dava seus primeiros passos como atriz do cinema norte-americano. A contribuição de Miranda no contexto cultural do país é tanta, que ela possui uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood.

Entretanto, não é só a presença de Carmen Miranda que contribui com a ambientação e a contextualização histórica do longa. A Segunda Guerra Mundial está à pleno vapor e o rádio é a principal fonte que trás suas informações aos protagonistas. Também está no filme a famosa e peculiar transmissão da leitura de A Guerra dos Mundos, de de H. G. Wells, que criou um pânico coletivo ao ser confundida com um noticiário. O episódio, inclusive, atrapalha um dos encontros românticos da tia do protagonista.

Os bastidores e o mundo corporativo do rádio tem cenas entrelaçadas com as da família Needleman. Destaque para a epopeia da personagem de Mia Farrow em busca da fama e do estrelato.

A proposta de colocar a Era do Rádio nas telas do cinema resultam em um filme divertido e informativo. A experiência já comum de acompanhar o cotidiano e as incoerências de um núcleo familiar estadunidense se enriquece quando acompanhada do backstage e dos programas de rádio em sua época de ouro.

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