25 anos de “Glitter”: como o maior fracasso de Mariah Carey virou um marco na cultura pop
Mariah Carey relança “Glitter” com 15 faixas extras, vinil e o clipe de “Loverboy” restaurado em 4K, 25 anos depois do disco que virou cult
Poucos álbuns tiveram uma virada tão grande quanto Glitter. Lançado em 2001 como trilha sonora do filme estrelado por Mariah Carey, o disco foi tratado durante anos como o maior fracasso da carreira dela. Vinte e cinco anos depois, ele volta em edição comemorativa, com faixas inéditas do arquivo, vinil e clipes restaurados em 4K, celebrado pelos fãs como um verdadeiro clássico cult.
Do fracasso ao culto
Glitter chegou às lojas numa data que ninguém esqueceria: 11 de setembro de 2001. O lançamento já tinha sido adiado em algumas semanas por causa de uma fase pessoal turbulenta da cantora, e acabou coincidindo com os atentados nos Estados Unidos. Somado às críticas duras ao filme, o resultado foi o disco de menor venda da carreira de Mariah até então, e a piada pronta de muitos anos.
A própria cantora já disse que tentou trazer de volta a sonoridade dos anos 1980 cedo demais. E que ver um trabalho feito “com tanto amor e cuidado” virar motivo de deboche foi devastador.
A campanha #JusticeForGlitter
A virada começou com os fãs. Em novembro de 2018, a conta @MariahTrends ressuscitou a hashtag #JusticeForGlitter e organizou um mutirão para comprar e ouvir o álbum, que nem estava nas plataformas de streaming. Em poucos dias, Glitter chegou ao primeiro lugar do iTunes nos Estados Unidos, 17 anos depois do lançamento.
A partir dali, o disco deixou de ser motivo de piada e virou símbolo da relação de Mariah com os fãs, os “lambs”, e de como a internet pode reescrever a história de um álbum.
O que traz a edição de 25 anos
A edição de aniversário, lançada pela Def Jam e pela Universal Music Enterprises, amplia o disco de 12 para 27 faixas, com 15 extras. Entre os destaques:
- Raridades do arquivo: a versão de 1997 de “Lead The Way”, uma versão de “Want You” só com a voz de Mariah, um take alternativo de “Out Here On My Own” e uma versão a cappella de “All My Life”;
- Demo e bastidores: um trecho de sessão de composição e uma demo de “Never Too Far”, além de um medley com “Hero” gravado com o Westlife;
- Remixes novos: Channel Tres leva “All My Life” para a house, Rochelle Jordan reimagina “Didn’t Mean To Turn You On”, e MJ Cole e Club Of Love assinam versões de “Loverboy”;
- Ao vivo: o “Glitter Medley”, gravado na turnê Caution.
O álbum também volta ao vinil pela primeira vez desde 2001, em duas versões de disco duplo. A edição padrão sai em vinil roxo, a Midnight Purple. Já a edição limitada, em vinil rosa com glitter, a Glittering Pink, traz três faixas a mais: “Out Here On My Own”, o medley “Never Too Far / Hero” e a versão original de “Loverboy”, a “Firecracker”. A versão rosa é vendida só na loja oficial da cantora, na Amazon americana e na uDiscover Music. Para quem compra do Brasil, vale lembrar que importações podem ser taxadas na alfândega.
“Loverboy” em 4K
O vídeo de “Loverboy”, dirigido pelo fotógrafo David LaChapelle e gravado numa pista de corrida de Los Angeles em maio de 2001, foi restaurado a partir dos negativos originais em 35 mm. Cada quadro foi escaneado em 4K, as cenas foram remontadas plano a plano para respeitar a edição original, e o vídeo ganhou um novo tratamento de cor. O resultado é impecável: as cores, o brilho e os figurinos que marcaram o visual de 2001 aparecem com uma nitidez que o clipe nunca teve.
A mesma restauração foi feita no clipe de “Loverboy (Remix)”, com Da Brat, Ludacris, Shawnna e Twenty II, que chega pela primeira vez às plataformas digitais desde o lançamento.
E tem mais uma curiosidade. A edição traz a versão original de “Loverboy”, construída sobre “Firecracker”, do Yellow Magic Orchestra, agora com um visualizer. Mariah já contou, em seu livro de memórias, que precisou trocar a base da música às pressas, e a versão lançada como single acabou usando um sample de “Candy”, do Cameo. A gravação original só tinha saído oficialmente em 2020, na coletânea The Rarities.
Um momento da cultura pop
Mais do que um relançamento, a edição de 25 anos fecha um ciclo. O disco que foi lançado no pior momento possível, virou piada e foi salvo pelos fãs agora ganha o tratamento de clássico, com direito a sessão de perguntas de Mariah no Reddit para comemorar a data. Para quem acompanhou a história, é a prova de que Glitter sempre teve brilho próprio. Só precisava do tempo certo.
E as surpresas do arquivo de Mariah não param por aí. Nos anos 1990, ela também gravou em segredo um álbum de grunge, que voltou à tona neste ano no tradicional vídeo “It’s time”.