Jão encontrou uma nova maneira de aproximar o público de sua música. Na estreia da turnê Jão: Memórias Póstumas, no Nubank Parque, em São Paulo, o cantor apostou em um palco 360° instalado no centro da arena. Assim, a plateia deixou de ter apenas um ponto de observação e passou a acompanhar o espetáculo de diferentes perspectivas.
No caso de Jão, a estrutura permite que a performance seja vista de todos os lados. Isso aproxima o artista de diferentes setores da arena e cria uma dinâmica diferente da tradicional relação entre palco e plateia, como detalhou a Exame no guia do show.

O que o palco 360 do Jão muda na relação com a plateia
Para Mohamad Rabah, CEO da Multiverso Experience, o formato 360° representa uma evolução na maneira de construir grandes espetáculos. Principalmente em uma época em que a experiência do fã começa muito antes do primeiro acorde.
“Quando você coloca o palco no centro, muda completamente a relação do artista com o público. Não existe mais aquele lugar em que uma parte da plateia está longe da experiência. Todo mundo passa a fazer parte daquele momento de uma maneira diferente. É uma escolha que tem muito a ver com o comportamento do público hoje”, explica Mohamad.
A escolha também conversa com a própria dimensão visual de Memórias Póstumas, projeto que marca uma nova fase da carreira do cantor. Em uma estrutura convencional, parte da experiência depende do lugar ocupado pelo espectador. Já no palco 360°, a movimentação do artista, dos músicos, dos elementos cênicos e da iluminação ganha diferentes possibilidades de leitura.
“Um show desse tamanho precisa pensar muito além da música. Existe uma narrativa, existe uma cenografia, existe luz, movimento e existe principalmente a experiência de quem está ali. Quando você coloca tudo isso em um formato 360°, cada pessoa constrói a sua própria visão daquele espetáculo”, afirma Mohamad.
Quando a estrutura passa a fazer parte do show
A apresentação de Jão também evidencia como os grandes shows passaram a incorporar elementos que antes estavam mais associados a experiências imersivas, exposições e parques temáticos. A diferença é que, em um espetáculo musical, essa tecnologia e essa arquitetura precisam estar a serviço da narrativa do artista.
“Não é simplesmente colocar o palco no meio. Existe uma intenção por trás da escolha. O formato precisa conversar com o artista, com o repertório e com aquilo que ele quer transmitir. Quando existe essa conexão, a estrutura deixa de ser apenas uma estrutura e passa a fazer parte do show”, diz o executivo.
A experiência ganha ainda mais força em um cenário em que o público registra cada vez mais os momentos vividos em grandes eventos. Um palco 360° cria diferentes enquadramentos, perspectivas e momentos para quem está no local. O mesmo vale para os conteúdos que, depois, circulam nas redes sociais.
Para Mohamad, esse comportamento ajuda a explicar por que experiências presenciais estão sendo pensadas para serem lembradas mesmo depois do evento.
“O show não termina necessariamente quando acaba a música. A pessoa vai sair dali, vai comentar, vai postar, vai mandar um vídeo para alguém. Então, tudo que acontece durante aquela experiência precisa ter potencial para continuar existindo depois. É isso que faz um grande espetáculo permanecer na memória”, finaliza.
Com Memórias Póstumas, Jão transforma o próprio espaço do show em elemento da apresentação. De quebra, reforça uma tendência que vem mudando o entretenimento ao vivo: cada vez mais, o palco deixa de ser apenas o lugar onde o artista se apresenta e passa a ser parte fundamental da experiência de quem está na plateia.









