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20 anos de “Donnie Darko”, obra-prima de Richard Kelly

O glamour de “Donnie Darko” se encontra quase inteiramente em seu roteiro onírico, marcado por viagens no tempo e sonambulismo.

Antes mesmo de Phoebe Bridgers fazer sucesso com seu macacão de esqueleto na capa de seu disco “Punisher”, “Donnie Darko” já lançava tendências desde que um filme sobre o adolescente sonâmbulo chegou aos cinemas, há exatos vinte anos. Trata-se da obra-prima de Richard Kelly, diretor que só conseguiu certa notoriedade com o trabalho em questão. O filme conta a história de Donnie, um adolescente acometido por sonambulismo e depressão e que em uma de suas “andanças noturnas” encontra Frank, um homem misterioso que usa uma fantasia de coelho.

Essa breve descrição esconde o glamour de Donnie Darko, que não está em sua estética estilosa ou em sua trilha sonora quimérica, mas sim em seu roteiro onírico, marcado por viagens no tempo, teletransporte, sonambulismo ou como você preferir chamar. Como em um quebra cabeça, a narrativa incoerente – em um sentido enaltecedor – levanta hipóteses sobre o que caminha para ser um final apocalíptico. As falas calmas (e por vezes irônicas) das personagens fazem com que, mesmo em meio a tantos elementos nascidos do caos, a situação seja admirável. 

Um roteiro confuso, doses de inconformidade e rebeldia adolescente e fotografia apoiada em tons frios configuram a película como um rito de passagem. Quem nunca pensou no fim do mundo, seja essa interrogação precedida por “se” ou “quando”? Quem nunca quis que o mundo acabasse? Donnie Darko nos faz mergulhar em um mundo delirante impossível de ser identificado. Cada desatino é de uma loucura diferente, todavia são todos iguais. Pode-se pensar, assim, que no fim estamos falando em algo universal em termos de experiência.

Donnie Darko é um desses filmes que pode ser debatido durante vinte anos sem que se chegue a um consenso quanto ao que realmente se passa em seu enredo. Alguns filmes cabeça apresentam um desfecho decifrável; se é que foi possível decifrar Donnie Darko, ainda não se sabe. Como não dizer que se trata de uma conquista cinematográfica? Embora seja o único trabalho louvável de Richard Kelly, o filme que conta a história do jovem sonâmbulo é o suficiente para marcar sua carreira – mesmo que esta seja medíocre. 

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