Semanas após sua apresentação no Super Bowl, Bad Bunny desembarcou em São Paulo para seu segundo show no Brasil da turnê do álbum DeBÍ TiRAR MáS FOToS (DtMF). No sábado, 21 de fevereiro, o Allianz Parque virou palco de algo maior que um show: ao fim da semana de carnaval, a noite se transformou em um grande baile latino.
Antes da atração principal subir ao palco, a banda porto-riquenha Chuwi já deixou o clima lá em cima com uma apresentação dançante e cheia de ritmo. Cantaram sobre amor e pertencimento ao seu país, e o público pôde acompanhar tudo pelas legendas em português no telão. Resultado? Todo mundo já estava aquecido e pronto para bailar até o fim.
A abertura do primeiro ato começou com um vídeo de dois adolescentes brasileiros conversando no telão, recitando a introdução de “LA MuDANZA”. Foi o tipo de detalhe que já cria conexão imediata. Quando Benito apareceu, de terno branco e óculos aviador, o estádio simplesmente explodiu. O coro com seu nome ecoou forte e ele claramente sentiu.

A banda, com 17 músicos incluindo o grupo Los Pleneros de la Cresta, trouxe ainda mais força para o espetáculo. O primeiro ato foi quase todo dedicado ao álbum DeBÍ TiRAR MáS FOToS, uma homenagem direta às raízes musicais do artista. Os músicos tiveram bastante destaque, com solos de percussão, metais e baixo. Em um dos momentos mais bonitos, um solo de cuatro porto-riquenho trouxe um respiro especial ao show. Foram sete músicas intensas, com direito a declaração de amor ao Brasil e promessa de querer ficar aqui “pra sempre”. O encerramento veio com “NUEVAYoL”, colocando todo mundo para dançar junto.
Em um dos momentos mais divertidos da noite, o sapinho Concho apareceu no telão cantando “Vai Rebola Pro Pai”, de MC Kevin o Chris, em um portunhol inesperado que arrancou risadas e gritos da plateia.
O segundo e mais longo ato aconteceu em La Casita, que transformou o estádio em uma verdadeira balada reggaeton, com lasers e luzes coloridas por todos os lados. Bad Bunny surgiu de dentro da casa cenográfica vestindo uma jaqueta vintage da seleção brasileira de 1966, bermuda e chinelo, bem à vontade, bem brasileirinho. Ele interagiu bastante com os fãs da grade e até chamou uma fã para cantar na casita, criando aquele momento que faz o público se sentir parte do show. No setlist, 17 músicas passando por Un Verano Sin Ti, YHLQMDLG, Nadie Sabe Lo Que Va a Pasar Mañana e vários hits. “Te Boté” foi a escolhida especial daquela noite.
No terceiro e último ato, de volta ao palco principal, Benito apareceu de gorro, blusa branca, luvas e jeans. A energia mudou. Começando com “Ojitos Lindos”, o clima ficou mais emotivo e contemplativo. A garoa que caía no estádio deixou tudo ainda mais cinematográfico. O público ficou mais atento, os dançarinos mais expressivos, foi um momento de pausa no meio da euforia.

Quando “DeBÍ TiRAR MáS FOToS” começou a tocar, deu para sentir que era o ponto alto da noite. Foi emocionante, foi coletivo e fez todo mundo lembrar do que realmente importa: as pessoas, as memórias, a cultura, os encontros. Em tempos de tanta divisão, a mensagem pareceu clara: seguimos dançando, seguimos juntos, seguimos latinos.
A turnê DtMF confirma o que já é evidente: Bad Bunny é um fenômeno cultural. Ele vai além do entretenimento, mistura tradição com pop global e transforma estádios em espaços de identidade e celebração. No Allianz, não foi só um show. Foi uma noite para cantar, sentir, e principalmente, bailar.
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Texto redigido por Amanda Dantas e supervisionado por Augusto Alvarenga









