Muito do pop casual sempre flertou com algum tipo de excesso. Seja com Madonna ou Lady Gaga, que usam do conceito para discutir signos como desejo imediato e excesso em forma de vitrine, o gênero aprendeu a operar sob a lógica da amplificação constante.
Partindo disso, Slayyyter usa das “mesmas” simbologias para gerar seu terceiro álbum. O Slayyyter uma sequência contínua de peças em que a intensidade não diminui. A partir de agora, esse é um momento esplêndido para ser a Slayyyter.
Todas as canções exibem um nível de gritaria de acordo com uma esquematição técnica que sintoniza uma artista maximalista num som descarado. É como se as músicas estivessem sob um cronômetro para explodir. O poderio disso está no tempo do relógio, que sempre reseta.
A atmosfera e uma voz que nunca cansa de bradar a que veio, inserem Slayyyter dentro de um catalogo de personalidades pops extremamente interessantes. Vendo o projeto inteiro após aquela run track insana de singles, o álbum se classifca finalmente como um apogeu dançante elétrico e instável.

Slayyyter canta por 42 minutos sobre um tipo de inventário de desejos imediatistas. Ela sente-se mais vista (“I’M ACTUALLY KINDA FAMOUS”) e dilata o que a cultura projeta como feminino. Para o background narrativo, a maior tração para criar pontes longas e glamusoras (que as vezes so resultam num refrão gritante) é distorcer como uma party girl é enxergada. Esse arquétipo é pura celebração e vive para um excesso que é quase interpretado como sátira.
Ela infla essa personalidade para no fim (em “BRITTANY MURPHY.”) refletir o quanto as vezes será a própria saturação que irá revelar o vazio por trás de todo esse prazer imediato: “Father, please forgive me for all my actions / Found the box that I tried to hide my past in, yeah / Help myself to these filthy little habits”.
Tudo se consolida na fantástica nessa peça final: uma crua e dançante carta de despedida. A textura dos synths criam um maior espaço de respiro com bastante reverb para chegar numa catarse desacelerada que funciona durante a música inteira. Somente uma excelente artista afim de distorcer de forma irônica a ideia do que o pop pode ser faria algo assim.
No fim, a epifania em se auto proclamar como a pior garota da América vira a chave para tornar a principal linguagem do WOR$T GIRL IN AMERICA numa cerimônia musical de impacto que transforma o estigma em estética. Há aqui uma síncope técnica que torna tudo mais gritante, mais bruto e mais histérico.
Para um projeto que usa do hedonismo para ampliar um ode ao exagero; esse é um álbum que não hesita em estar sempre no limite da detonação. É simplesmente insano como o caos disso tudo está sob controle de quem o concede.









