A estética de in.corpo.ração: Jup do Bairro destaca a contradição entre beleza e melancolia no visual de seu novo EP

Em seu novo EP, in.corpo.ração, que será lançado no próximo dia 7 de Junho, a artista preparou uma capa exclusiva para cada uma das 5 canções

A multiartista Jup do Bairro (Natura Musical) é inventiva e sempre esteve conectada às artes visuais. Em seu novo EP, in.corpo.ração, que será lançado no próximo dia 7 de Junho, a artista preparou uma capa exclusiva para cada uma das 5 canções que compõem o in.corpo.ração: “sinfonia do corpo (in.corpo.ração)”, “lave sua boca (suja) quando for falar de mim”,“não vou mais chorar nem me lamentar”, feat. Edgar & Mateus Fazeno Rock, “espero que esse samba te encontre bem” e “mulher do fim do mundo”.

Jup do Bairro contou que in.corpo.ração, além de ser sua primeira aposta conceitual mais elaborada desde CORPO SEM JUÍZO (2020), é também uma celebração junto com quem esperou por este lançamento. “Pensando nisso, juntamente com Gabe Lima (diretor artístico), eu quis que cada faixa ilustrasse sua própria contação nessa história”, ela explica.

Ao lado de Gabe Lima, Jup mergulha na incorporação e no umbral desta narrativa, passeando entre o divino e o material, embaralhando a beleza e o esmorecimento. Se antes Jup indagava “o que pode um corpo?”, hoje pergunta “o que não pode o corpo e o porquê”, despertando o olhar para a contradição e a dualidade.

Sintetizando a mística dual presente no umbral, o visual de in.corpo.ração explora a melancolia através dos cenários sombrios e figurinos autênticos, além de uma caracterização e direção fotográfica irreverentes. “Em ‘sinfonia do corpo – in.corpo.ração’ vivo uma pomba – ou anjo, que incorpora a matéria humana em posição de ataque com uma arma composta por câmeras fotográficas, obra feita por Allan Weber que pra mim significa o registro como arma de sobrevivência ao tempo, de registro cultural do nosso presente. É isso que procuro fazer com minha arte, registrar o tempo e a minha versão de minha própria história”, Jup reflete.

As principais referências para o novo projeto são os artistas visuais Antonio Obá, Lynette Yiadom-Boakye, Danielle Mckinney e Kerry James Marshall, que tem como tema de suas obras a necropolítica, o cotidiano e as experiências inerentes aos corpos negros. Jup do Bairro elabora a partir da própria sensibilidade, um novo olhar sobre o corpo negro, assim como suas inspirações e ousa subverter a lógica de técnicas de luz e sombra, tornando o próprio corpo – detentor de sentimento e sentidos – o protagonista.

A elaboração do material conta também com inserções das obras do artista Estevão Silva, conhecido como Gaudí Brasileiro que transformou sua casa em um castelo quase surrealista no bairro de Paraisópolis, zona sul de São Paulo.

O azul celeste é a cor motriz do EP. Primeiro, a cor aparece no cenário-casa de ‘lave sua boca (suja) quando for falar de mim’. Em ‘não vou mais chorar nem me lamentar’ a artista reproduz o azul num face painting feito pelo maquiador Edu Castro. “O azul celeste foi a cor escolhida a partir das pesquisas feitas sobre o uso dela em igrejas cristãs e, por coincidência, nos bares, principalmente de periferias. O azul celeste é a cor do infinito, do céu, do mar. É uma cor divina, um convite à contemplação, que convida a sonhar e a navegar”.

Nas capas de ’espero que esse samba te encontre bem’ e ‘mulher do fim do mundo’, no entanto, a cor destaque perde espaço para tons mais escuros. Isso acontece pois na narrativa criada por Jup e Gabe, a personagem sai de casa em busca do extraordinário, do fabuloso e se depara com o brilho do breu. Os fogos de artifício, sinalizadores e também o grito, reforçam a urgência de ser vista e ouvida, uma vez que esse corpo-espiritual sai de sua solitude e se encontra num mundo novo onde deseja sentir-se pertencente.

Jup do Bairro foi selecionada por Natura Musical, no Edital 2022, ao lado de nomes como III Mostra Pankararu de Música, Amazônia Negra, Billy Saga, Elisa Maia, Favela Talks, Festival de Música Kariwa Bacana, Kaê Guajajara e Labverde.Ao longo de 18 anos, Natura Musical já ofereceu recursos para mais de 600 projetos, entre nomes consagrados como Emicida, Russo e Antônio Carlos e Jocafi, Dona Onete e João Donato; artistas em ascensão como Linn da Quebrada, Rico Dalasam; e projetos de registro e fomento de cenas, como Os Tincoãs e Mostra Pankararu de Música.

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