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Crítica | 5 anos de “Melodrama” de Lorde

Completando meia década, o “Melodrama”, de Lorde, é uma das obras mais impactantes para uma geração que nunca deixa de correr

Conforme Lorde anda pela liberdade no clipe do primeiro single (“Green Light”) de seu segundo álbum, o Melodrama, é perceptível enxergar que as ruas daquele lugar estão geladas. Mas não tão insanamente frias como o anseio de seguir em frente. Ela não tem medo de como as lembranças da cidade possam a partir, e usa a dança (“But When we’re dancing, I’m alright”) como principal força para reerguer-se.

A espetacular canção é e foi a chave mestre para abrir os trabalhos. Que com 5 anos desde seu lançamento, ainda captura muito bem de um reflexo estrondoso de bonito sobre crescer e amar. Tal ideia não vem de agora, mas essa é de fato, uma obra imortal. Que viverá por muito tempo nos corações das mais singelas pessoas que buscam não por respostas, mas por conexões.

Lorde /Melodrama (reprodução / June 2017)

São colocados na conta sensações exorbitantemente florescentes em atenuações sobre luto, amor, sobriedade, instabilidade, dor e juventude. E em reverberações líricas e sonoras presenciamos uma produção majestosa e uma sabedoria que vai além de qualquer convicção. O impulso e a psique do registro estão na verdade em seu criador, que busca dizer que as vezes dançamos melhor sozinhos.

Mesmo que o seu projeto debut tenha incontáveis momentos que assim como esse se sobressaem a cada vez que se escuta, é a corrente sanguínea e narrativa do Melodrama que faz circular toda a vida máxima de uma artista plural. Afinal, desde o dia zero, sempre foi possível ver o disco como uma assertiva coleção de reminiscências sobrenaturais.

Lorde /Melodrama (reprodução / June 2017)

Os variados passeios pelos inúmeros mundos que podemos projetar dentro das canções soa como um influente globo de frações que nos atinge sempre de modo ambíguo. “Perfect Places” nos embriaga pela busca de um lugar que vai além do conforto, é talvez a faixa que mais defina de modo implacável a frase onde Bowie diz que a neozelandesa é o futuro.

Supercut“, que repercute as boas memórias de uma relação, cria uma trajetória diferente no decorrer dos anos. É possível notar agudos diferentes ontem, e hoje. Essa mesma ênfase, que em muitas partes se dá pela estruturação dos instrumentos escondidos e letras que precisam ser dissecadas por meses, chega em “The Louvre“, uma de suas maiores canções, que engole selvagemente um denso som que emana linhas de construções como furacões.

Essa imortalidade percorre por todas as fendas que o “Melodrama” abre. Lorde segurou o antídoto em suas mãos e não só o bebeu, mas o compartilhou. Vai ver ela nunca tenha precisado disso. Mas observando o álbum hoje, e também a não tanto tempo assim, a versatilidade em criar um espesso mundo, e posicioná-lo em diferentes ramos, o torna um profundo manifesto de uma juventude que nunca está cansada de correr e absorver o que vento oferece na hora da adrenalina, e claro, naqueles momentos de quietudes.

Os elementos naturais (o sol, o verão, a floresta) que cercam ela e em grande parte a tornam quem ela é, já apareciam aqui. Mas em tons azuis fortes e úmidos. Esse honesto álbum vai além da música e funciona em todo o seu explendor interno e externo como uma pequena grande odisséia dos instintos de uma jovem sábia e apaixonada pelo puro desejo de buscar o que mais nos define: os momentos que vivemos.

Nota: 100/100

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