Crítica | Arctic Monkeys, “The Car”

Em 2018, com o lançamento de seu sexto álbum de estúdio, Tranquility Base Hotel & Casino, os ingleses do Arctic Monkeys fugiram da sonoridade consolidada da banda e decidiram se aventurar em outro gênero. Aquele som cheio de guitarras e marcado pela voz sem floreios de Alex Turner, vocalista do grupo, deixou de ser rock e se transformou em um gênero único. O nome desse estilo é definido pela banda além de um subjetivo: o que o define é “o som que tocaria em um hotel na Lua”.

De fato, Tranquility Base Hotel & Casino é etéreo e realmente aparenta ser o tipo de música que tocaria em locais chiques. O disco não é ruim, porém foge do que os fãs de longa data do Arctic Monkeys estão acostumados. 

Neste ano, ao anunciar que havia um trabalho saindo do forno, o grupo criou expectativas de que o novo disco seguiria os passos dados antes do lançamento do disco de 2018. O resultado surpreendeu — positiva ou negativamente? Essa resposta não é objetiva.

Foto: Zachery Michael

Intitulado The Car, o sétimo disco do Arctic Monkeys é uma réplica de seu antecessor. Ao mesmo tempo, ele contém uma pitada de AM, um dos discos mais aclamados da banda. Dessa forma, o resultado é um disco de lounge music com faixas lentas que remetem ao rock progressivo, contando com as distorções dos primeiros discos lançados pela banda. Em contrapartida ao som etéreo de Tranquility Base Hotel & Casino, as dez faixas de The Car não são tão leves. Assim sendo, há uma obscuridade em meio à lentidão de seu som. 

Prestes a se apresentar em turnê — com passagem marcada pelo Brasil com shows em São Paulo, na primeira edição brasileira do festival Primavera Sound, e em Curitiba, em show solo —, a banda pode se deparar com um certo descontentamento da plateia. O som que consolidou o grupo inglês não é mais o mesmo. Ou seja: quem cresceu junto com o Arctic Monkeys com seu estilo “adolescente revoltado” pode não se satisfazer com a nova sonoridade da banda, assim como o que aconteceu com seu antecessor. 

Entretanto, o disco é consistente — tão consistente que a maioria das canções parece idêntica. Em síntese, ele vale o seu play se você gosta de música ambiente.

60/100

Por Letícia Finamore

Metajornalista, entusiasta de biografias e criadora compulsiva de playlists.