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Crítica | Bom Dia, Verônica retorna com 2ª temporada ainda mais real

Bom dia Verônica acerta novamente ao “denunciar” os crimes recorrentes, e nem tão falados, de uma sociedade patriarcal doente.
Bom Dia Verônica. Taina Muller as Verônica in Bom Dia Verônica. Cr. Laura Campanella/Netflix © 2022.

A primeira temporada da série original Netflix, Bom Dia, Verônica, com certeza já havia revirado os estômagos de quem a acompanhou lá em 2020 — tanto que foi elegida como uma das melhores do ano aqui no escutai. No ano em que houve aumento nos números já enormes de violência doméstica, foram de extrema importância as discussões e reflexões alavancadas pela abordagem direta que esta série teve sobre o machismo estrutural.

O fato é que as cenas e a narrativa chocaram. Eram imagens explícitas e nojentas que só ganharam mais impacto com a atuação maestral do elenco. A segunda temporada nos leva para esse mesmo lugar de repulsa e, arrisco dizer, que vai além e nos leva para uma história ainda mais repugnante.

Bom Dia, Verônica por Laura Campanella/Netflix (2022/reprodução)

Uma narrativa de revirar o estômago

Na série brasileira dirigida por José Henrique Fonseca, Izabel Jaguaribe e Rog de Souza, nos é contada a história de uma escrivã policial chamada Verônica que se envolve nas investigações capciosas de diversos crimes: violência sexual e doméstica e ainda um crime organizado dentro da própria equipe policial.

Verônica vira sua vida de cabeça para baixo para poder ajudar outras mulheres e juntar provas para denunciar todos os absurdos que ninguém mais parecia ligar. No final da primeira temporada a protagonista foge para proteger sua família que virou alvo da milícia policial e para poder de vez, investigar e acabar com esse esquema doentio.

Parece ambicioso pensar que sozinha Verônica, já fora da polícia, conseguiria combater toda uma cadeia de crimes organizados, mas durante o segundo ano da série ela encontra ajuda e apoio em outros personagens também importantes para a construção da narrativa.

A continuação propõe uma nova história dentro do enredo geral que já havia sido apresentado na primeira temporada. Matias (Gianecchini), um pastor que surge com a promessa de ter o dom da cura, parece estar envolvido nessa trama toda de crimes que a Verônica investiga. Além disso, a temporada trabalha muito bem a relação conturbada entre ela e sua família, justamente confusa por causa da distância que as investigações criaram entre eles.

As histórias e cenas continuam repugnantes, e por isso carregam ainda mais a importância social de denúncia. Alguns detalhes parecem um tanto forçados, mas no geral tudo se conecta e é coerente o suficiente para o único comentário diante das cenas forçadas serem “ah, tudo bem, é série e por isso o exagero dramático é permitido”.

Atores perfeitos e personagens nem tanto

As atrizes e atores escolhidos para darem vida aos personagens de Bom Dia, Verônica entregaram simplesmente a “atuação dos deuses”. Todos, sem exceções. Tainá Müller, Reynaldo Gianecchini, Klara Castanho, Elisa Volpatto, Camila Mardila, Ester Dias, Cesar Mello e Silvio Guindane são alguns dos nomes que contribuíram para esse elenco de peso, que resultou no sucesso instantâneo da segunda temporada da série — que já se tornou uma grande aposta nacional da Netflix.

Tainá Müller, que vive a protagonista Verônica, é uma peça chave para o envolvimento dos telespectadores na trama. Aqui ela reverbera as emoções através das telas de forma inquestionável, fazendo cada choro e cada raiva arrepiar o corpo de todos nós.

Reinaldo Gianecchini, novidade que a segunda temporada trouxe, interpreta o antagonista tão bem que dá medo! Parece real, as feições perversas e cada gesto característico do personagem Matias são embrulhantes. Ele passa o peso necessário para o impacto desejado.

Klara Castanho e Camila Mardila também fizeram um trabalho impecável na série. As duas viveram personagens muito complexos e com narrativas delicadas, portanto fica comprovada a potência dessas atuações ao percebermos que é possível sentir as dores dessas personagens como se fossem nossas ou como se estivessem muito próxima de nós. Apesar do menor tempo em cena, os atores que deram vida aos personagens secundários com certeza não ficam atrás: Elisa Volpatto, Ester Dias, César Mello e Silvio Guindane foram incríveis e essenciais.

Tudo indica que em breve poderemos continuar acompanhando as investigações de Verônica em mais uma temporada. Apesar disso, uma suposta terceira parte ainda não foi confirmada. Se os produtores seguirem mais ou menos o mesmo tempo de espera entre a primeira e a segunda temporada, podemos sonhar que em 2024 teremos mais episódios dessa série brasileira tão aclamada pela crítica; Alô Netflix, agiliza aí!

90/100

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