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Crítica: “Joanne” – Lady Gaga

Lançado há 6 anos, o ótimo projeto de Lady Gaga rendeu aos fãs uma das maiores músicas de seu repertório: aquele elétrico lead single

Se voltássemos atrás, antes do lançamento (lá em 2016) do seu trabalho mais improvável, já era possivel afirmar e reafirmar o talento de Lady Gaga como uma artista solene dentro da indústria musical. Não foi com mais uma perfomance sua nos cinemas, em “Casa Gucci”, ou com o seu disco recente mais bem trabalhado (em quesitos estéticos e de produção), o “Chromatica”. Esse ideal de grandeza se reverbera há muito tempo, e ela o merece.

O “Joanne“, 5º álbum de estúdio de Gaga com vertentes country, é ainda hoje um pouco inconclusivo. Não se sabe ele serve como uma proclamação que o auto nomeia como algo excelente e crucial dentro da discografia da artista, ou se é apenas uma peça. Mas é certo, ele ainda é um trabalho que impõe muito dos talentos de sua autora. Ou seja, é talvez uma peça crucial dentro desse misto. Talvez.

Imagem: Collier Schorr

John Wayne“, faixa número quatro da tracklist, é de longe uma reflexão sob tudo que é posto em cena e o quanto há essa mixagem de sentimentos. Porém, o resultado da energética música é uma das melhores coisas dentro do disco, quiçá, da carreira. É o ritmo energético que se faz desde os primeiros segundos até os gritos mais imprudentes da cantora quando recita com ódio e amor que todo John é selvagem e consequentemente sempre o mesmo.

Já em “Millions Reasons“, single com a maior repercusão do projeto, toda a orde fervorosa some e dá vida a um clássico que mastiga o coração de quem sabe que precisa ir, mas tem medo. Olhando agora, caberia perfeitamente na trilha sonora de “Nasce uma Estrela”. Ou seja, a canção segue com o coração pulsante até os dias de hoje.

Seguindo pela mesma atmosfera, “Angel Down“, uma das melhores canções sob apenas o piano vistas aqui, carrega consigo uma carga muito forte, mesmo tendo em sua diagramação uma composição beirando o ordinário. “Grigio Girls“, que toca a seguir, é quase uma repetição inversa da faixa anterior com a adição de algumas melodias novas, mas é o ato sobre amizades construído com um calor gostoso que torna a coisa diferente.

A essa altura do rodeio, já é perceptível um tipo de linhas em conjunto que reforçam um único pano de fundo: uma Lady Gaga tingida em cores opacas, mas que cresce mediante uma impecável vontade de explorar territórios novos. Até o seu fim, o disco cria esses caminhos e tenta deixar claro que os nunca deixará de lado. Graças a produção, esse storytelling consegue se manter reforçado o suficiente para entreter, e permeando justamente aí, na ideia da tentativa, é que o “Joanne” cria a sus melhor estrada.

Independente de toda essa inconclusão ao que de fato este álbum é, o fervoroso lead single da fase mais calma da artista se mostra muito certativo e direto em ser uma das melhores músicas de toda a história de Gaga como cantora. A alma vibrante, densa e cativante de “Perfect Illusion” mira prontamente no coração daqueles que após viverem um rompimento estão dispostos a deixar as mágoas de lado e se mostram prontos a procurar por mais amor. É uma música histórica que merece ser cantada com o peito totalmente aberto. É uma canção que merece viver.

O que fez ou que deixou de fazer com o “Joanne” não importa mais, já que queira ou não, esse aqui é ainda um disco incrível de uma artista repleta de questionamentos importantes que sabe como resplandecer isso em resultados vorazes. Lá em 2016 já era gostoso acompanhar quem Lady Gaga era, agora, em 2022, a sensação que fica é apenas a de orgulho.

Nota do autor: 75/100

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