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Crítica: “The Fame Monster” – Lady Gaga

Em comemoração ao aniversário de Lady Gaga, revisitamos “The Fame Monster”, segundo disco de estúdio da cantora.

Lançado no dia 18 de novembro de 2019, “The Fame Monster” é o segundo álbum de estúdio de Lady Gaga. A palavra “monster” (monstro) foi, inclusive, adicionada ao nome de seu álbum de estreia, “The Fame” – o que faz sentido, uma vez que as faixas dos dois álbuns parecem, por vezes, complementares. O segundo disco de Gaga não é conceitual, mas é muito bem trabalhado e produzido. O lado “dark” da artista, que chocou o mundo no início da ascensão de Gaga, começa a ser percebido neste trabalho.

Imagem: Hedi Slimane

A cantora deixou a morte e o sexo, dois termos por vezes pouco abertos, evidenciados – tanto na divulgação do disco quanto nas próprias composições. A própria mídia física, ainda bastante consumida nos anos 2000, trazia um pouco do lado obscuro e dual de Lady Gaga: isso porque os CDs contém duas capas: uma, a mais conhecida, traz uma imagem da cantora loira e com um corte de cabelo simétrico e geométrico.

Seu corpo está vestido com uma capa de couro. Já a capa “alternativa” de “The Fame Monster” traz Gaga com as madeixas pretas, longas e bagunçadas, que cobrem seu corpo.. Há um contraste entre cabelo e vestimenta, bem como entre as duas capas, que surgiu de uma ideia da cantora de compor um “yin yang”, como uma forma de buscar um equilíbrio. 

É possível perceber uma dicotomia que beira uma antítese nos álbuns da cantora. O disco, em si, balanceia as canções, de forma que nenhuma das composições parece destoante ou como se não devesse compor o disco. O denominador comum entre as faixas são as letras sombrias, que parecem remeter a fama a algo devorador. No entanto, ao colocarmos “The Fame” e “The Fame Monster” lado a lado, a diferença entre os trabalhos é mais do que nítida. Pode-se pensar que o segundo álbum de Lady Gaga é uma versão explícita do primeiro, por assim dizer. 

Mesmo realizando algumas fugas de rota nos gêneros musicais, como em “Speechless”, a cantora consegue se impor como uma grande artista pop – tanto à época quanto nos dias atuais. Enquanto ia ganhando sua fama, o trabalho de Gaga era comparado ao de Madonna – será que porque eram loiras, jovens e faziam sucesso? Embora Lady Gaga focasse em um pop contemporâneo e voltado para inovações (este é, por sinal, um de seus traços mais fortes), a artista também percebia que deveria se desvencilhar dessa sombra que a perseguia. É possível crer que a comparação foi feita pois ambas as artistas exalavam um potencial irreverente, incômodo e transformador. De qualquer forma, deveria ter sido traçado um paralelo e não uma interseção de tais talentos. 

Por mais que Gaga se enquadrasse, no início de sua carreira, na categoria de ícone “perfeito” para o pop, a cantora brincava com a manipulação imposta no mainstream enquanto se encontrava neste. Como uma marionete que faz o que é esperado dela, é Gaga quem controla seu próprio fantoche, e mesmo assim chega ao mesmo patamar de sucesso de artistas que, como Britney Spears, foram orquestrados(as) para que pudessem entrar no mercado da fama.

Com suas estratégias mas, acima de tudo e de qualquer coisa, com seu talento, Gaga conseguiu levar “The Fame Monster” à quinta posição da Billboard, mostrando que seu “teatro de figuras” foi bem arquitetado por ela e por RedOne, Ron Fair, Teddy Riley, Space Cowboy, Rodney Jerkins e Fernando Garibay, produtores do disco. Como diria Gloria Groove, “a bonequinha não sabe brincar”. Fora da caixa, Gaga estava só no começo de sua jornada, e mostraria que, anos depois, ainda se enquadraria na categoria de ícone perfeito para o pop – desta vez sem aspas. 

Nota da autora: 90/100

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