Em 2000, a música pop vivia um momento de glória, com grupos de garotos, garotas e artistas solo aproveitando e adicionando um pouco de outros gêneros à fórmula, injustamente criticada, da música pop. Comparar a qualidade do que acontecia na época com o que ocorre atualmente é difícil; os tempos eram outros, o foco era diferente… até a forma como os fãs se comportavam mudou completamente com o avanço da tecnologia.
No entanto, se há algo que não muda, é como grande parte da indústria adora se aproveitar do valor monetário que os músicos representam, enxergando-os mais pelo potencial financeiro do que como artistas. Um dos maiores grupos daquela época foi o *NSYNC, que até hoje é lembrado pelas adolescentes da época, que hoje são mulheres adultas e independentes. No entanto, não vale a pena categorizar o sucesso do grupo apenas com base na obsessão que despertavam no público feminino. O *NSYNC era uma boyband de qualidade, sintonia e visão musical, que poderia ter levado o grupo ainda mais longe.
Atualmente, o legado mais significativo da banda é a bem-sucedida carreira solo de Justin Timberlake e sua tentativa de retomar o status de superestrela pop que já teve. Porém, a conexão entre Justin, JC, Lance, Joey e Chris não deve ser esquecida. O quinteto teve uma carreira curta, com uma discografia composta por apenas quatro álbuns, mas um deles foi seu maior sucesso. Além dos méritos comerciais, No Strings Attached também serviu para transmitir uma mensagem clara: o *NSYNC sabia muito bem que não bastava apenas fazer música; era necessário obter reconhecimento como artistas.
Aos poucos, os membros do *NSYNC mostravam que o aprendizado na indústria fez com que o amor pela música crescesse, transformando-se também em uma vontade de imprimir cada vez mais sua própria personalidade, não apenas como cantores, mas também como produtores e compositores. Justin Timberlake e JC Chasez não queriam apenas adicionar vocais às músicas do grupo e, mesmo que os resultados dessa decisão se destaquem mais em “Celebrity”, último álbum da carreira, antes disso os integrantes já percebiam que, para ir mais longe, era necessário se libertar.
O maior hit da carreira abre o disco: “Bye Bye Bye” (que recentemente teve um novo auge ao integrar a trilha sonora de Deadpool & Wolverine). Logo em seguida, “It’s Gonna Be Me”, outra das músicas mais famosas do grupo, aparece na tracklist. Para alguns, o álbum se resume a esses sucessos, mas quem viveu a época ou se dispõe a conhecer o trabalho além dos singles pode se surpreender com um projeto pop bem estruturado, dançante e com produções hipnóticas.
No Strings Attached nunca se vendeu como um grande álbum, e isso nunca foi necessário. Sua importância está em como serviu como um celeiro de ideias, tanto para o grupo quanto para futuros projetos individuais. Muito do que se ouve aqui é similar ao que seria encontrado em Justified (2002), de Justin Timberlake, e até em Schizophrenic (2004), primeiro álbum solo de JC Chasez. Embora as criações musicais do quinteto estivessem mais centradas nesses dois membros, isso não significa que os outros não tinham suas próprias direções musicais. Lance e Chris arriscaram carreiras solo, embora com menos sucesso, enquanto Joey se destacou como ator de teatro musical.
O impacto da boyband ecoa até hoje, especialmente quando o pêndulo das tendências musicais no pop se aproxima de influências dos anos 2000. O *NSYNC teve uma carreira relativamente curta, mas a explosão que viveram e o sucesso gigantesco do álbum No Strings Attached são inegáveis. Entre reencontros para projetos específicos e reuniões nostálgicas, é difícil afirmar se um retorno definitivo poderá acontecer. No entanto, caso isso aconteça, seria uma ótima oportunidade para reafirmar a mensagem que eles transmitiram décadas atrás: a de que colocar os artistas em primeiro lugar deve ser sempre uma prioridade.