Crítica | Resident Evil: A Série tenta abraçar todos os públicos e se perde no caminho

RESIDENT EVIL. (L to R) ELLA BALINKSA as JADE, ELLA BALINSKA as JADE in RESIDENT EVIL. Cr. NETFLIX © 2021

Em uma tentativa de renovar e modernizar uma história que já foi contada algumas vezes, Resident Evil: A Série — a nova adaptação live-action da franquia de videogames — chega à Netflix com um enredo interessante apesar de questionável em muitos sentidos.

Após serem obrigadas a se mudar para a Nova Raccoon City por causa do emprego misterioso de seu pai, Albert Wesker (interpretado por Lance Reddick), as irmãs Jade e Billie Wesker (Siena Agudong e Tamara Smart) tentam desvendar os segredos da corporação Umbrella que podem colocar em risco a segurança de toda uma civilização. Enquanto isso, no futuro, Jade (agora interpretada por Ella Balinska) busca mais informações sobre um vírus que devastou a região enquanto luta por sobrevivência.

Abraçando o contexto confuso em seus primeiros episódios, a trama pode acabar não envolvendo aqueles que desconhecem a origem desse universo distópico. Para aqueles que buscam uma série de zumbis após uma maratona de The Walking Dead por exemplo, Resident Evil: A Série não alimenta o desejo com as características de suas criaturas.

Vendida como um braço inédito da grande franquia que marcou os anos 00 e 10 nos cinemas, a série de ação, terror e ficção científica passa longe das 3 características que supostamente a deviam definir e se assemelha muito mais com a roupagem de um drama adolescente fraco e com baixo orçamento.

Apesar de alguns pontos negativos de roteiro, ambientações nada emocionais e personagens rasos — observações vindas exclusivamente do ponto de vista de alguém que está do lado de fora da bolha — a série ainda pode ser uma celebração amena para os verdadeiros fãs da saga. A sugestão é assistir esquecendo o que Resident Evil foi e estar aberto ao que a franquia pode (ou poderia) ser.

Resident Evil: A Série deixa claro, já logo nos primeiros episódios, que seu principal objetivo se trata de abraçar não só um como diversos públicos que venham a trombar com o título na plataforma. Isso por si só não é bem um defeito, mas faz com que muitas escolhas tenham de ser tomadas e uma delas foi a de abandonar boa parte das características honrosas que a franquia carregou desde os games. Fora isso, o projeto não convence por seu roteiro que soa como se fosse apresentar uma falha a qualquer momento — se tornando uma característica incomodativa, já que isso fica evidente as olhos afiados.

Seguindo um formato já visto antes em séries mais recentes, a série apresenta um ritmo lento ao longo de seus 8 episódios, indo na contramão do que se espera de uma produção da franquia: desenvolvimentos ágeis, sequências de tirar o fôlego e origem de acontecimentos acentuada. O que acontece na prática é um desenvolvimento tardio que passa a ser detalhado somente após uma boa leva de episódios. Isso se aproxima mais de um ponto positivo do que negativo, já que o ritmo das aventuras se torna ainda mais intrigante com o andar da carruagem. Mas ainda assim, não acrescenta em muita coisa ao que querem oferecer.

Resident Evil: A Série tenta ao máximo se aproximar de produções recentes para se desligar de algo ultrapassado, mas acaba perdendo o que tinha de melhor em sua bagagem nostálgica nesse caminho conturbado para abocanhar novos fãs — ou meros entusiastas do tema.

A série estreia exclusivamente na Netflix a partir do dia 14 de Julho.

Nota: 46/100

Por marcos vinicius

pisciano, fotógrafo e conversador.


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