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Crítica | Umbrella Academy apresenta 3ª temporada frágil e repetitiva

A tão esperada 3ª temporada de The Umbrella Academy busca novos rumos narrativos, mas esbarra num roteiro fraco e muitas vezes repetitivo.
The Umbrella Academy. (L to R) Emmy Raver-Lampman as Allison Hargreeves, Elliot Page, Tom Hopper as Luther Hargreeves, Aidan Gallagher as Number Five, David Castañeda as Diego Hargreeves, Robert Sheehan as Klaus Hargreeves in episode 301 of The Umbrella Academy. Cr. Courtesy of Netflix © 2022

The Umbrella Academy retoma a temporada exatamente no ponto em que terminou sua narrativa anterior e traz como conflito principal as consequências dos atos causados pelos membros da família Hargreeves ao salvar o universo em uma linha do tempo diferente.

Logo de cara somos apresentados aos tão esperados membros da Sparrow Academy, os novos filhos de Reginald Hargreeves (Colm Feore), que tendo sido procurado pelos filhos no passado, optou por adotar outras crianças superdotadas, que ele considerou mais fortes para compor seu grupo de “heróis”. Este arco tinha tudo para trazer um ótimo ponto de conflito para a produção, mas infelizmente boa parte de seus membros não entrega mais do que participações coadjuvantes na tela.

De um lado temos os Umbrella, que cativaram o público com suas narrativas nas temporadas anteriores, do outro temos os Sparrow, que pouco impressionam e são extremamente mal desenvolvidos. Os únicos membros de destaque da nova família são: Ben (Justin H. Min) – que diferente do fantasma das temporadas anteriores, nesta realidade é alguém ganancioso, ciumento e carente – e Sloane (Genesis Rodríguez) – que traz um ar leve e se torna o ponto de conexão entre os dois grupos – que são explorados de forma mais dedicada pelos roteiristas.

A temporada com certeza tem pontos altos, um visual interessante e amarras bem-feitas em algumas narrativas. Um ponto extremamente alto é a forma simples e delicada que o personagem de Elliot Page foi trabalhado. A questão da transição de gênero aqui, é de uma sutileza tão bonita e tão doce que nos faz ter ainda mais apego à Viktor. Porém nada disso é suficiente para tornar o 3º ano da série algo memorável.

Uma trama repetida com abordagens superficiais

O maior problema da produção nesta nova temporada é sem sombra de dúvidas a repetição de seu tema. Ao invés de abordar todo potencial das mudanças causadas pela intervenção da Umbrella Academy na linha do tempo, a série opta por seguir mais uma vez o caminho do fim do universo e constrói uma trama semelhante à das temporadas anteriores, mas muito fraca e com pouca motivação.

The Umbrella Academy / Netflix (reprodução)

Outro ponto extremamente frustrante é a tentativa da série de alavancar histórias, mas escolhendo caminhos superficiais para fazer isso. O arco de Alisson (Emmy Raver-Lampman) tinha tudo para ser incrível, mas o pouco tempo de tela e a falta de espaço dado a narrativa da personagem em outros momentos, acaba criando um drama desmedido, muitas vezes cansativo e irritante. Ela tem sim motivos para estar revoltada, mas isso é criado de forma tão rápida que é como se uma chave virasse na cabeça da personagem e ela abandonasse tudo o que foi, para se tornar sua pior versão em segundos.

Klaus (Robert Sheehan) segue sendo brilhante em seu tempo de tela e como alívio cômico da série, mas a abordagem da descoberta de seus poderes verdadeiros, também parece jogada no meio da história. É quase como se colocassem esta narrativa ali para cumprir um papel atrasado de revelar do que o personagem realmente é capaz (algo que teria sido mais bem elaborado e talvez fizesse mais sentido para a trama se trabalhado durante a relação dele com o Bem fantasma nos anos anteriores).

De modo geral as narrativas individuais de cada personagem não encontram um ponto de conexão com a trama principal da série e parecem estar muito à margem do drama central da temporada, que continua sendo os traumas, a falta de confiança e a necessidade do amor paterno que os membros de ambas as academias sentem. A Sparrow Academy acaba por ser só uma sombra da Umbrella Academy e isso dificulta muito que o espectador também crie uma proximidade com seus membros.

Assim como o universo, Umbrella Academy pode ter salvação

Se de modo geral a temporada é cansativa e não atinge os objetivos que pretendia, de modo mais concentrado, ela encontra bons momentos – principalmente em seus episódios finais. As narrativas individuais da produção acabam sendo algo bagunçado e quase tedioso, mas quando todos os irmãos estão na tela em busca de resolver a questão do fim do Universo, a trama ganha um novo fôlego.

Cinco (Aidan Gallagher), continua funcionando muito bem como o cérebro do grupo e obviamente é muito perspicaz em seus momentos na tela. Seus diálogos com Viktor, Klaus ou até mesmo com o pai, Reginald, são assertivos e interessantes, isso sem falar na sua interação com Lila (Ritu Arya), que segue sendo umas das melhores e mais cativantes personagens da trama, dando mais vida até mesmo para Diego (Davi Castañeda) – que na terceira temporada também parece ter pouco a oferecer para o todo (exceto os momentos bem-humorados junto de Javon Walton de Euphoria).

Talvez os 3 últimos episódios da produção sejam o seu melhor momento e criam uma dinâmica já conhecida de parceria entre os traumatizados da Umbrella Academy e alguns membros da Sparrow Academy. Luther, Diego, Allison, Klaus, Cinco e Viktor, juntos em cena funcionam lindamente e dão força aos episódios, proporcionando ação e até mesmo reforçando o conceito familiar do grupo, entregando cenas que mesclam ação, diversão e emoção de uma forma que faz muito bem a série.

A 3ª temporada da série tenta abraçar muitas nuances e traz muitos elementos que se tivessem sido mais bem trabalhados, fariam da repetição narrativa algo benéfico e valioso para a trama, mas infelizmente boa parte do que é elaborado para ter grande potencial – como a trama de Harlan Cooper (Keith Rennie)  ou a história do próprio Hargreeves –, se desenvolve de forma frágil ou cai no esquecimento rapidamente. Para seu próximo ano, The Umbrella Academy precisa urgentemente achar um novo ritmo e uma forma mais profunda de explorar suas subtramas.

Nota: 45/100

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