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SPFW51 + Regeneração – Apresentando os caminhos abertos para a diversidade criativa

A SPFW, que aconteceu entre 22 a 27 de junho, teve como tema central a diversidade

Nesta edição da São Paulo Fashion Week foram apresentados, nos 5 dias de evento, 43 desfiles digitais. A fórmula para que os desfiles acontecessem mesmo em contexto de pandemia, foi a criação de fashion filmes por parte das marcas, mas essa edição da São Paulo Fashion Week não foi diferente apenas por ser 100% digital mas porque outros espaços de construção e debate foram criados. Todos os dias do evento a partir das 18h tivemos acesso aos debates que tem norteado a moda brasileira contemporânea, os caminhos e os desafios dos criadores.

Neste molde, em meio a pandemia, Paulo Borges, Graça Cabral e Lala Deheinzelin conduziram lives que contaram com participantes especiais e convidados de diversas áreas. Um momento histórico para a SPFW foi a abertura deste debate que antes da pandemia era apenas possível conferir presencialmente e que muito interessa qualquer pessoa interessada sobre a produção da moda no Brasil.

Segundo os organizadores, a ideia deste espaço é incentivar o compartilhamento de experiências e gerar aprendizados e conhecimentos sobre temas como empreendedorismo, gestão de negócios, diversidade, protagonismo feminino e sustentabilidade. Contando com um time de convidados como: Rony Meisler, Caito Maia, Adriana Barbosa, Rachel Maia e Flávia Aranha.

Idealizado por Paulo Borges, a primeira edição da São Paulo Fashion Week ocorreu na semana de 22 a 26 de julho de 1996 na Marquise do Parque Ibirapuera e Museu de Arte Moderna (MAM) – onde foram apresentadas as Coleções Primavera/Verão 96/97 – em Homenagem a Portinari e há 25 anos a moda brasileira conta com duas edições anuais Outono/Inverno e Primavera/Verão.

Paulo Borges, idealizador da São Paulo Fashion Week.

Durante os dias do evento, todo o conteúdo foi disponibilizado nos canais do SPFW, além da projeções na empena do prédio na Rua Caio Prado esquina com Rua da Consolação na cidade de São Paulo, quem estivesse por perto poderia assistir na rua. Houve um revezamento bastante generoso de apresentadores e o evento tinha como mote a inclusão e levantou a bandeira da diversidade. Para quem acompanhou foi possível ver um ambiente bastante diverso de trocas de vivências, com apresentadores e modelos negras e brancas, magras e gordas, cis e pessoas da comunidade LGBTQIA+.

Durante os intervalos aconteciam ligações de vídeo com curtos, mas bastante informativos, momentos de bate-papos que valorizavam as experiências individuais de cada um que participou do SPFW, seja na parte criativa, no casting, na produção, na equipe técnica ou administrativa. Esses espaços deram um tom de intimidade dos expectadores com o evento e foi uma escolha bastante acertada no sentido de mostrar as diferentes realidades dos que ajudam a construir o evento.

Após cada fashion filme os criadores eram entrevistados para oferecer o contexto, os dilemas, as inspirações e motivações de cada criação. Foi bastante produtivo entender como são pensadas as representações, os materiais e filosofias das quais cada marca se propões seguir, nisso a SPFW nunca decepcionou. É notável o esforço da SPFW de atender todas as novas demandas que fazem parte da contemporaneidade, economia sustentável, a diversidade, o protagonismo feminino e um esforço que precisa ser trabalhado e precisa continuar em movimento.

O Projeto Sankofa que teve como objetivo aumentar o número de criadores negros no evento foi muito bem sucedido, durante os 4 dias de evento foram apresentados 8 fashion filmes de criadores negros de diferentes regiões do Brasil e foi bastante importante ver a emoção dos participantes e de como isso amplia os horizontes do futuro da moda no Brasil. A qualidade de cada filme – desfile é inquestionável, uma demonstração da potencia criativa que só o Brasil sabe oferecer.

Esta edição teve o apoio do Ministério do Turismo e Santander, através da Lei Federal de incentivo à Cultura, e foi patrocinada por Electrolux, Marisa, Iguatemi e Sou de Algodão, parceria institucional Prefeitura Municipal de São Paulo, realização IMM, INMOD, Secretaria Especial da Cultura, Ministério do Turismo e Governo Federal.

SPFW51 + Regeneração

Segundo as informações disponíveis, o Festival SPFW+ Regeneração vai identificar núcleos criativos diversos e sustentáveis em todo o país. Dos inscritos, serão escolhidos até 50 projetos para uma jornada imersiva com mentorias e encontros exclusivos. Uma potente conexão para a transformação sustentável e social, a partir de uma visão plural, colaborativa e inclusiva, e revelar processos regenerativos que já estão acontecendo em todo o país, destacando a multiplicidade dos territórios criativos.

Cinco eixos servem como ponto de partida para inspirar, provocar novos olhares em encontros criativos inusitados, e para identificar e selecionar projetos criativos em todo o país. São eles: diversidade e equidade racial; protagonismo feminino; empreendedorismo; sustentabilidade; inovação; e origem nas origens (cultura).    

O Festival SPFW+ Regeneração será palco de quatro encontros criativos entre estilistas convidados em colaboração com nomes destacados de áreas diversas como consciência, alimento, coletividade e racialidade. Estão confirmados nomes como: Ronaldo Fraga e Neka Mena Barreto, Fernanda Yamamoto + Comunidade Yuba, Luiz Cláudio + Djamila Ribeiro, Oskar Metsavaht + Sidarta Ribeiro.

O processo criativo a partir desses encontros resultará em instalações artísticas que ocuparão a cidade em novembro durante a temporada SPFW n.52. As inscrições vão de 22/06 até o dia 16/07. Esses e mais detalhes você pode conferir aqui.

Os desfiles

Enquanto aguardamos a edição n.52, deixamos aqui, para quem não conseguiu acompanhar, uma lista dos fashion filme dessas marcas que serviram muita qualidade e uma experiência inesquecível de SPFW. Como todas as marcas ofereceram muita qualidade, escolhemos para listar aqui algumas das quais que mesmo a distância ofereceram alguma experiência de catwalk – desfile nas passarelas. Então é só descer a lista para conferir as melhores catwalk da SPFW51.

Para quem quiser ver o filme – desfile de todas as marcas no evento, é só acessar o canal da SPFW no Youtube.

1. Anacê

Em estreia, a Ruta (nome científico da planta Arruda), coleção apresentada pela Anacê, tem como principal inspiração o momento de isolamento social que estamos passando e a reflexão sobre a cura. O fashion filme nos leva a essa reflexão, a ideia do sozinho, do olhar para o interior, do cuidado.

2. ALG

Essa coleção da ALG, a marca streetwear da À La Garçonne, teve como parceira a produção cinematográfica Space Jam, apresentando moletons e muitas opções de peças estabelecendo um bom equilibrio entre o fashion e o streetwear.

3. Martins

A Martins é uma marca agenere, nesse fashion filme é apresentado as mesmas peças usadas por pessoas de diferentes gêneros colaborando com a proposta da marca. Um detalhe que o criador nos contou em entrevista foram as referências: a atmosfera do filme Laranja Mecânica e a série Euphoria. Para as unhas sua referência foi a cantora Rosália. Esse desfile conversa com a cultura punk e o funk.

4. Apartamento 03

A coleção da apartamento 03 teve como inspiração a visão que o artista tinha através da janela nos dias longos dessa quarentena. Uma curiosidade sobre a marca é que o nome vem da localização do primeiro ateliê do artista.

5. Another Place

A Another Place teve como referência a sua principal parceira, a marca Beck’s, e partindo desse diálogo criou looks noturnos e brilhantes para a gente se preparar quando essa pandemia acabar. O resultado? esse fashion filme dançante e em clima de vida noturna.

6. Mile Lab

Uma das 8 marcas do Projeto Sankofa, a marca Mile Lab, apresenta seu fashion filme inspirado nos elementos da cultura negra e na potência da ancestralidade, a marca Mile Lab tem como principal material o algodão cru com detalhes em búzios e renda.

7. Ateliê Mão de Mãe

Nesse fashion filme com uso de atabaques na trilha sonora e uma fotografia impecável marcam a estreia do Ateliê Mão de Mãe na SPFW. A principal técnica utilizada pela marca é o crochê, com peças lindíssimas e cheia de cor, os criadores contaram como foi o processo criativo de construção da coleção e que a ideia surgiu em um período de reflexão sobre os caminhos profissionais que a vida tomaria a partir de um contexto de pandemia.

8.João Pimenta

Nessa coleção, o artista João Pimenta trabalha a fantasia, um escape da realidade. Com um fashion filmes envolvente que te transporta para outro lugar, o artista não deixou de tecer críticas a realidade que estamos vivendo no contexto brasileiro.

9.Neith Nyer

A Neith Nyer que é uma marca experiente na Paris Fashion Week estreou no Brasil nessa edição da SPFW. A proposta principal da marca é o upcycling. A estreia foi feita simultaneamente no Brasil e em Paris.

10. Gloria Coelho

Nessa coleção a inspiração foi ” a mulher do amanhã” e segundo a artista a ideia foi chamar o maior número de mulheres para compor a moda. Esse fashion filme ficou belíssimo e apresenta essa narrativa de empoderamento feminino onde as mulheres são protagonistas do seu próprio destino, convidando para que haja mulheres em todos os lugares.

11. Misci

Nessa coleção da Misci a proposta para o fashion filme foi a migração das pessoas em busca de seus sonhos, história a qual o próprio artista natural de Goiás representa, pois fez esse movimento migratório para investir em sua carreira na moda. A coleção “Boléia de caminhão” apresenta as peças criadas para a coleção, com uma cenografia e uma musicalidade bastante brasileira.

12. Ponto Firme

Ponto Firme é um projeto social liderado pelo estilista Gustavo Silvério de reeducação e e profissionalização de egressos e egressas do sistema prisional. A coleção foi desenvolvida pelos artesãos Anderson Figueiredo, Tiago Araújo e Anderson Joaquim, a partir de descarte têxtil e peças reaproveitadas se apoiando na proposta do recycle e upcycling.

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