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Detroit: Become Human é quase tudo o que ‘Black Mirror’ poderia ser

Black Mirror e Detroit: Become Human, o que um pode aprender com o outro?

Black Mirror tentou através de um longa metragem testar algo relativamente novo para os serviços de streaming. A grande questão é que a proposta já era conhecida no universo dos games e também da literatura. Afinal, alguns jogos e livros permitem que jogador/leitor escolha sua própria aventura, definindo distintas possibilidades para a história, principalmente o desfecho.

No caso dos livros, o leitor pula para as páginas marcadas para acompanhar a versão escolhida da história. Já nos jogos, o jogador toma uma decisão e o rumo segue diretamente de acordo com o escolhido. Geralmente as mudanças são significativas, por vezes instantaneamente e outras só percebidas mais próximas a conclusão do jogo.

O episódio interativo de Black Mirror: “Bandersnatch” permite a quem assiste, tomar decisões pelo protagonista, alterando o desfecho da narrativa. O longa de Black Mirror foi apenas um princípio de teste da Netflix com essa pseudo novidade. A própria empresa já lançou um curto programa infantil em parceria com a DreamWoks, “Puss in Book: Trapped in an Epic Tale”, uma narrativa onde é possível escolher opções bastante simples.

A série ficou conhecida devido a suas narrativas distópicas, que apresentavam um desfecho atordoante. Episódios como ‘San Junipero’, fizeram a produção investir em um novo episódio de estrutura similar: “Hang The Dj”. O romance e as intervenções tecnológicas se mostraram muito proveitosas para narrativas a se trabalhar na série. E diferente dos outros episódios, San Junipero e Hang The Dj apresentam um desfecho otimista, suavizando alguns momentos impactantes das temporadas.

Em entrevista ao The New York Times, Charlie Brooker afirmou que a série trará mais episódios otimistas, para além dos distópicos e “negativos”. Black Mirror busca causar impacto através de sensações extremas durante seus episódios. Como 0 caso do episódio Nosedive. A maioria das pessoas com celular, usufruem de aplicativos diversos como Whatsapp, Instagram, Tinder, entre outros.

Black Mirror faz justamente uma distopia ficcional para provocar quem assiste, a pensar e imaginar as diversas possibilidades do futuro com a tecnologia. Hoje as pessoas se comunicam constantemente através da internet, sendo que televisão e rádio ainda são meios utilizados por milhões de pessoas. Mas e aí, o que vem posterior a internet? É possível responder esse questionamento com outra pergunta…

Como seria um mundo em que nós, humanos, tivéssemos de conviver lado a lado com androides inteligentes e pensantes? Conseguiríamos tratá-los como iguais ou seríamos tiranos a ponto de subjugar e escravizá-los? Detroit: Become Human traz questionamentos como esse à pauta e nos faz pensar como será o futuro. É recorrente o tema. Exterminador do Futuro, Blade Runner, Inteligência Artificial e diversas outras obras. A produção de David Cage através da Quantic Dream apresenta uma perspectiva muito mais intimista e nem tanto apocalíptica.

O exclusivo da Playstation visa fazer quem joga ou assiste o jogo, refletir sobre questões diversas, principalmente no que se diz a moral. Afinal, o jogo se trata da tomada de decisões para dar um rumo a história. Quem joga eventualmente se sente na responsabilidade de evitar problemas e conflitos. Porém, Detroit sabe criar situações críticas, que exigem uma tomada de decisão rápida, causando tensão nos momentos decisivos.

Detroit segue a linha de três protagonistas: Connor, Kara e Markus. Todos seguem uma linha de acontecimentos que varia de acordo com as decisões de quem joga. O jogo abre espaço para ação, drama, comédia, suspense e muita vontade de jogar de novo e saber qual é o final se você tomar aquela decisão diferente. Vale destacar a incrível interpretação de Bryan Dechart, que virou o queridinho de todas as pessoas que jogaram.

Detroi Become Human acaba sendo uma aula para a Netflix de como fazer o público tomar decisões dentro de uma obra já criada, apenas levando para os diferentes rumos. Isso porque Detroit cria uma narrativa muito mais interessante e agradável de acompanhar, enquanto Bandersnatch soa como apenas uma novidade na Netflix.

É importante lembrar que esse formato não roubou outros espaços nos games e livros, portanto o mesmo deve se manter para filmes e possivelmente séries. Isso porque algumas pessoas abriram a crítica (vazia) de que seria péssimo ver isso crescendo. Uma opinião um tanto infeliz. Até porque o público adora interagir e dar pitaco em todas as obras, principalmente as que tem apelo de público. E aliás, quem não gosta de um “Fan Service”?!

A questão agora é saber adaptar as obras para esse formato, quando for relevante criar um filme, série, jogo ou livro para esse formato. Não adianta executar bem a ferramenta se o enredo, produção ou afins for ruim. Afinal as pessoas não querem apenas uma novidade, elas querem uma novidade bem feita. E é esse um dos principais fatores que fazem Detroit Become Human ser uma aula magna comparado a Bandersnatch.

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