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Doutor Estranho no Multiverso da Loucura | Um conto caótico sobre caos

Com direção avassaladora, 2º filme do mago mostra um breve apreço por algo que o subgênero precisa mas que o estúdio ainda não tem

É muito curioso como o contexto de multiverso está muito em alta. Mas é preciso cuidado ao ser abordado por ser um tipo de questão que precisa ser trabalhada com afinco, caso contrário, o caos se instaura e se torna em algo puído. Felizmente isso não vem acontecendo e na maioria dos enredos que inserem essa narrativa somos contemplados com uma alta dosagem de entretenimento e informação.

Dar pra citar bem de passagem “Everything Everywhere All at Once”, que ainda não chegou ao Brasil mas que está sendo muito (muito mesmo) elogiado, ou até mesmo “Undone”, mas quando nos referimos a percussora desse assunto, a Marvel, o que o estúdio vem realizando dentro da proposta de incontáveis universos traz ótima diversão e um anseio incontrolável por mais. E a atual aposta é “Doutor Estranho no Multiverso da Loucura“.

A nova jornada coloca no meio da corda Wanda, que agora assume a total forma de Feiticeira Escarlate. Em uma elevada magnitude de poderes, ela entra em conflito direto com Doutor Estranho para realizar o plano que sucede o final de sua minissérie. Se um dia queríamos ver os dois lado a lado, já que eles evocam a mais pura insanidade de todo o incrível contexto místico dentro do UCM, essa hora chegou, mas não como muitos esperavam (pelo menos por agora). Com isso, novos personagens e realidades são mais do que nunca a jogada mestre para fazer toda a trama girar em um roteiro e disposição bem ok.

A diferença entre magia e bruxaria é imposta aqui com muita percussão. O que um mago ou uma bruxa conjura é essencial para sabermos diferenciar os tons de suas atituldes. E o que é colocado em maior foco é o que uma bruxa evoca. Tal ponto não surge apenas pela óbvia narrativa da Feiticeira, mas também pela brutal direção de Saim Raimi. Rituais, velas, espíritos e sustos são transportados com muita riqueza e objetividade para uma atmosfera de terror que funciona demadasiamente devido a direção e abre as primeiras portas para uma exploração abundante dentro do MCU que é preciso para fazer o estúdio se adequar a um novo respiro necessário.

Imagem: Doutor Estranho/Disney/Marvel (reprodução)

A mão de Raimi é alma da obra e colapsa como nenhuma outra obra dentro do leque da Marvel, é rica, autêntica e extremamente confiante, além de usar o método visual muito a seu favor, a trilha em alguns momentos particulares é estridente; o toque abrupto e rápido nas teclas de piano, ou a guitarra, tudo propício e muito bem afinado para se assemelhar com algo típico dos filmes de terror e horror. Elizabeth Olsen segura essa ideia vermente (já que é entregue a personagem um cerne de entidade maligna) e deslancha ainda mais uma performance lisa e que talvez seja a melhor desse universo; é vezes reprimida, cheia de dor com penumbras de luto, e que sabe que a motivação para seus poderes vai muito além de pura exibição. Benedict Cumberbatch também merece uma citação, segue sendo um Estranho que vai além das fronteiras.

Esse coração que pulsa dentro do longa é o seu maior ápice, porque em termos de história, é como assistir a um conto em que o enredo envolvendo seu protagonista vive pelo antagonista. Muito do que é inserido faz sentido e precisa estar lá, mas às vezes parece mal adaptado e tão pessimamente criado que soa como alguém tocando um instrumento de maneira super desafinada, mas segue adiante porque o público quer acreditar que aquilo está bom. O mesmo vale para o ritmo, que ligado na voltagem máxima sofre com o tipo de regulamentação que infelizmente o estúdio precisa ao máximo para sobreviver. Para alguns, essa primeira abordagem envolvendo o lado mais técnico é a saída certa de uma curva sinuosa, para outros, não é o suficiente por não poder mesclar a fórmula que precisa ser quebrada.

É triste entender e assimilar que o longa em si poderia ser muito mais. Se tornou nítido que faltou apenas um aperto de mão para que isso fosse realizado ainda mais ao pé da letra. O peso disso é uma solução que se assemelha muito a uma má escolha feita de última hora pra suprir algo que outrora já havia sido mal encaixado.

Em um ano em que “Batman” quebra usando uma impressionante potente história e idealização o ode que muito do subgênero de filme de herói tem, e que hoje a DC consegue se desvincular muito bem, “Doutor Estranho no Multiverso da Loucura” é meio caminho andado para a Marvel realizar o mesmo, e funciona por agora como a primeira chave do molho que abre uma de muitas portas que o estúdio possa permitir que sejam abertas.

Nota: 65/100

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