Entrevista | James Bay fala sobre o álbum “Leap”, paternidade e vinda ao Brasil

É surpreendente como alguém do tamanho de James Bay consiga se reinventar diariamente e a cada trabalho. Indicado ao Grammy e com um nome um tanto consolidado na indústria musical, o cantor e compositor dá com Leap um novo passo em sua carreira que está prestes a completar uma década.

O trabalho sucede o excelente álbum de estreia Chaos and the Calm (2015) e o segundo, Electric Light (2018), mas carrega consigo um tempo muito maior de produção e uma mistura de sessões presenciais e remotas em Nashville e Londres por conta da pandemia de COVID-19. O impacto chega já nos singles, liberados em março, maio e junho de 2022, mas que foram pensados e repensados durante todo o processo de lançamento de Leap, em julho.

“É difícil e duro, é sempre complicado”, revelou James Bay ao escutai sobre o processo de escolha dos singles e todo o planejamento de lançamento do álbum. “Give me the Reason foi o primeiro single, eu o escrevi em agosto e setembro do ano passado, compusemos e produzimos então foi tipo, a última música que eu fiz pra esse álbum.”

Ele continua, relembrando: “Only Life foi em 2020 e eu tentei produzi-la três ou quatro vezes, demorou muito para conseguir acertar então eu tive um momento que senti que ela não seria um single, mas depois sim. Nunca é um processo fácil.”

Leap é coeso, brilhante e doce. Nele, Bay traz colaborações com produtores que já foram reconhecidos com prêmio renomados na indústria, como Dave Cobb e Foy Vance. Uma das faixas, inclusive, foi produzida em parceria com o próprio Finneas, que também co-assina a composição.

Quanto às principais diferenças de Leap para seus trabalhos de estúdio anteriores, é claro que Bay não deixa de pontuar o peso do sentimento confuso e conflitante que o isolamento social deixou em seu processo criativo e artístico. “[O disco] é familiar, tem bastante presença vocal e dos acordes, mas o principal é um tipo diferente de composição”, explica. 

“Encontrei uma maneira de abordar minha vulnerabilidade, uma tristeza que senti em 2019 e 2020, me senti perdido, enfrentando muita ansiedade e decidi escrever muitas músicas tristes”, recorda o compositor. “E, depois, celebrar as pessoas que tinha na minha vida — eu nunca tinha feito músicas assim antes.”

Bay continua, relembrando que há faixas que foram escritas antes da pandemia, mas que acabaram sendo produzidas no isolamento e carregando um pouco da atmosfera da época. “É engraçado”, comenta ele sobre a coincidência lírica. “Eu diria sim que esse álbum traz uma luz para os tempos sombrios, mas sabe, foi engraçado o jeito que as coisas aconteceram.”

Retorno aos shows

Apesar de dois anos longe dos palcos, uma coisa aconteceu na vida de James Bay durante o período pandêmico que trouxe boas doses de amor e uma mudança e tanta na rotina: Ada Violet Bay, sua primeira filha com Lucy Smith, nascida em outubro de 2021. “Depois de todos esses anos juntos em dois, estamos muito animados para sermos três! Na semana passada, Lu deu à luz nosso primeiro bebê. Estamos apaixonados e cheios de gratidão e alegria por este pequeno milagre em nossas vidas”, escreveu o cantor nas redes sociais.

“Eu me tornei pai e, sabe, estar em turnê com ela tão nova…”, explica o cantor quando questionado sobre a saudade de estar no palco durante dois anos e retornar para a agenda de shows após esse período. “Tive que me afastar dela por um tempo e foi muito difícil para mim. Mas ao mesmo tempo, é algo que eu amo fazer. Posso tocar e ter esse sentimento incrível de me apresentar com a banda novamente desde 2019.”

Bay também não deixa de comentar sobre o quão preocupante foi quando recebeu a notícia de que apresentações ao vivo e eventos que causem aglomerações seriam cancelados por tempo indeterminado.

“Foi assustador para mim estar em casa e não poder trabalhar”, relembra. “Eu me senti mal por muitas pessoas que passaram por tempos muito difíceis, perderam seus empregos e suas casas. Foi um período estranho.”

E o Brasil?

“Em breve!”, exclama o cantor, entusiasmado ao ouvir o nome do país. “Assim que essa chamada for encerrada, eu vou ligar para o meu agente e dizer: ‘Luke, eu não entendi porque não fomos ao Brasil ainda’, eu sinto tanto amor por meus fãs brasileiros, tem alguns shows que eu vejo pessoas do Brasil na multidão, a bandeira… o Brasil está tentando chegar em mim, e eu preciso ir até ele.”

Ele continua, revelando que os planos de uma possível vinda incluem shows em diferentes cidades e, é claro, muito turismo: “Acho que nesse ponto da minha carreira eu já falei com tantas pessoas do Brasil que seria incrível ir, mas eu quero ir e conhecer todo mundo, quero estar no país e ter uma turnê apropriada.”

“Meu 2022 está ocupado, mas 2023 eu ainda não sei… então eu quero garantir que eventualmente e esperançosamente eu possa estar aí no ano que vem”, finaliza.

“escutai”

Participando de uma rápida brincadeira de trocadilho com o nome do site, Bay se anima para dividir alguns artistas que não saem de suas playlists. “Vou te indicar três que vieram à minha cabeça agora, a primeira é Holly Humberstone”, revela. “Ela é tão boa, simplesmente vá ouvir! Ela tem uma música chamada ‘Deep End‘ que é brilhante; tem outra com quem pude trabalhar no ano passado chamada Maisie Peters. Ela é fantástica, tem uma música chamada ‘Kate’s brother‘.”

Ele finaliza, deixando um amigo pessoal para o final: “O último é Leif Vollebekk. Ele é um doce, um homem brilhante e um dos compositores mais incríveis que já pude conhecer.”


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