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Enxergando por debaixo do véu em ‘Aura’ de Lady Gaga

Este não é o lead do ‘ARTPOP’, mas traz uma mensagem muito importante.

 

Imagina só que estranho seria se alguém chegasse em você, dizendo que matou o próprio namorado. Ou pior ainda, que cravou a faca do crime em uma madeira e que, caso você a encontre, deve devolve-la para Hollywood. Pois é, por mais estranho que seja, é assim que Lady Gaga inicia a música ‘Aura’, do álbum ARTPOP, de 2013.

Todo esse clima de crime serve para dar palanque para uma questão que é muito abordada no álbum que segue da cantora: a liberdade feminina. O que segue após esses versos macabros é uma risada. Símbolo de de loucura? Não! Alegria por estar livre, definitivamente.

Livre? Como assim livre? Bom, a resposta está logo após a risada. Gaga conta pra gente que não é uma linda escrava de ninguém, mas sim uma “mulher de escolhas” (ou melhor, que faz suas próprias escolhas). Ou seja, da sua liberdade é ela quem cuida e já que agora seu namorado está morto, não há mais quem ouse mandar nela. O seu “véu” não serve para lhe por limites, mas sim para proteger a beleza em seu rosto.

Muito além de criticar aquilo que a oprime numa sociedade, ela também crítica aqueles que defendem (ou pelo menos dizem apoiar os mesmos ideais) o mesmo que ela, só que de forma errada. Ora, querem sentir pena por se dizer livre, mas ter achado um homem para amar. Portanto, rebate: na cama o tamanho dele é muito mais que o suficiente.

Após tanta afronta, a cantora brinca com quem a ouve na canção. Ela pergunta várias vezes se querem vê-la nua, se querem aproveitar debaixo do véu, se querem ver a garota que vive por traz dele. Nos contando então que, mais do que se sentir livre, ela quer o direito da escolha.

Depois de muitas metáforas e estrofes ácidas, conclui-se que ao se rebelar contra o sistema, ao matar seu ex e gargalhar da situação, ao dizer que tudo que quer é decidir sobre a sua própria vida, a cantora lança ao mundo o seu grito de esperança. Finalmente, é possível afirmar que ‘Aura’ é o pedaço mais engrandecedor do álbum ‘ARTPOP’. É o grito feminista numa sociedade em que a desigualdade de gênero é visivelmente presente. É a esperança de um novo tempo e reflete a possibilidade de novas escolhas.

 

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