Qualquer pessoa que tenha acompanhado a trajetória de Jade Baraldo sabe que sua voz nunca foi apenas um instrumento, sempre foi um lugar. Um espaço de abrigo, de entrega e de risco. Desde muito cedo, quando iniciou sua vida musical aos 9 anos, Jade construiu uma identidade que escapa de rótulos fáceis: pop, jazz, MPB e blues coexistem em sua obra como camadas de uma mesma sensibilidade. Agora, carioca por escolha, após deixar Brusque, em Santa Catarina, para fincar raízes no Rio de Janeiro, Jade apareceu para habitar o território que sua música sempre anunciou: o do encontro íntimo entre artista e público.
No último domingo (11), essa intimidade ganhou forma concreta no primeiro evento ao vivo do Fan First, plataforma direct-to-fan da Shake Music. E não poderia haver escolha mais simbólica para inaugurar essa experiência do que Jade Baraldo. Em um show minimalista e, justamente por isso, corajoso, a artista apresentou o primeiro concerto voz e violão de sua carreira. Um formato que assusta até os mais experientes, por não permitir máscaras nem excessos.

Jade começou a noite confessando nervosismo. Terminou provando que, quando a verdade guia a performance, não há espaço para dúvida. A Bona Casa de Música foi lentamente tomada por sua presença — não no sentido grandioso do espetáculo tradicional, mas no gesto raro de quem sabe ocupar o silêncio. Sua voz, potente e suave ao mesmo tempo, abraçou cada canto do espaço, criando uma atmosfera quase doméstica, como se todos ali estivessem sentados na sala de alguém muito querido. O que se viu foi uma artista inteira, segura de seu título e de seu futuro.
O setlist passeou com naturalidade por diferentes gêneros, reafirmando algo que já se tornou evidente em sua trajetória: a voz de Jade funciona de A a Z. Do pop contemporâneo com influências eletrônicas às inflexões mais orgânicas da MPB e do blues, cada canção soava como uma extensão legítima de quem ela é. Não havia ruptura, apenas fluidez.
Entre uma canção e outra, a artista manteve uma comunicação leve, divertida e, sobretudo, honesta com os fãs. Abriu-se. Riu. Compartilhou inseguranças e desejos. O Fan First, enquanto plataforma, se propõe a fortalecer esse vínculo direto entre ídolo e fã, e Jade parece personificar essa ideia com naturalidade. Ao final do show, o público ainda foi presenteado com Meet & Greet e conteúdos exclusivos em tempo real pelo aplicativo capturados por Lara Império, prolongando a experiência para além do palco.
As participações especiais, Bea Duarte, Colours in the Dark e Davi Sabbag, não apenas enriqueceram a noite, como conquistaram o público cada um à sua maneira. Acompanhada por Vitor Terra no violão, com produção de Ale Fischer e Gabriel Z. Bernini, styling de Gui Orland e registros sensíveis de Mari Blumm, a noite foi cuidadosamente construída para que nada roubasse o protagonismo do essencial: a música. Em tempos de hiperestímulo, Jade Baraldo aposta no risco da simplicidade, e vence.

Se havia nervosismo no início, ele se dissolveu no primeiro acorde. O que restou foi certeza. Jade Baraldo não está apenas emergindo no pop brasileiro contemporâneo. Ela está se firmando como uma artista que entende que cantar, às vezes, é menos sobre impressionar o mundo e mais sobre tocá-lo de perto.









