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Crítica | Jurassic World: Domínio é prova de que ingredientes especiais não seguram o desfecho épico

Reunindo o melhor dos dois mundos, Jurassic World: Domínio encerra a nova trilogia deixando muito a desejar

Quatro anos após o segundo filme da nova trilogia, e quinto da franquia, a aguardada conclusão chega aos cinemas nesta quinta-feira, 2 de junho, prometendo filas lotadas de fãs e muita nostalgia, trazendo até parte do elenco dos filmes originais de volta.

Partindo de onde o quinto filme nos deixou, aqui não há mais dilemas anteriores sobre como recriar uma espécie é um erro ou como impedir que esses dinossauros se espalhem pelo planeta terra. Em Domínio, eles já estão entre nós e os problemas são outros: a ganância humana, a corrupção industrial e a megalomania de mega bilionários.

Com visuais de encher os olhos, os dinossauros estão mais realistas do que jamais os vimos – graças ao uso de animatrônicos (tipo robôs) nas interações com os atores, e claro, a tecnologia em computação gráfica atual. As cores e detalhes nos animais nos dão imagens deslumbrantes, e é difícil não estar atento em cada detalhe em cena. O elenco está bem balanceado: temos Chris Pratt que segue um personagem (Owen) não muito cativante, em uma relação amorosa também sem muito sal com Claire, interpretada por Bryce Dallas.

Assumindo quase uma relação familiar com Maisie Lockwood (papel de Isabella Sermon), o trio assume um arco pouco profundo e convincente na tela. São acrescidos por DeWanda Wise — que tem uma presença magnética no papel da pouco aprofundada Kaylla Watts, e Mamoudou Athie, como o comunicador-resolve-tudo Ramsay Cole. Até Omar Sy enfeita a tela em sua participação, infelizmente, meteórica.

O que funciona melhor no elenco é o retorno de Laura Dern no papel da lendária Dra. Ellie Sattler, Sam Neil como Alan Grant e Jeff Goldblum, na pele do Dr. Ian Malcom. Mesmo assim, por mais que seja extremamente reconfortante encontrar Laura Dern nas telonas (em total domínio de sua personagem, como sempre), o elemento nostálgico por si só não foi capaz de salvar o desfecho de Jurassic World.

Apesar do filme oferecer ação e uma direção até bem acertada do começo ao fim, o roteiro não nos entrega tudo que poderia e a sensação de frustração pode ser percebida em quem espera muito da conclusão tão prometida. O ritmo acelerado de acontecimentos tenta disfarçar um roteiro fraco, que não arrisca e não surpreende em quase nada.

Recheado de acontecimentos clichês — que até agrada parte do público no famoso “fã service”, finalmente entregando coisas que os fãs quiseram por tanto tempo —, muitas vezes eles são mal colocados no filme, desafiando a inteligência do espectador. Momentos críticos de ação são interrompidos por cenas superficiais de romance, reviravoltas já esperadas e conclusões pouco desafiadoras.

A sensação de estar vendo um filme da sessão da tarde (com recursos mais modernos) é forte, mas nesse quesito, os primeiros são muito melhores, surpreendentes e originais. Fato é que Domínio pega personagens incríveis e consagrados na cultura pop, não os desenvolve e só mistura em uma panela de fórmula fácil para arrecadar em bilheteria. Essa última parte provavelmente vai funcionar, embora o resultado seja um filme com pouca substância, mesmo com tantos ingredientes tão especiais.

Nota: 55/100

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