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Entrevista: Ego Kill Talent conversou com o ESCUTAI sobre o novo disco

Na reta final do lançamento de seu segundo álbum, “The Dance Between The Extremes”, Theo van der Loo, integrante da Ego Kill Talent, conversou com Letícia Finamore para o ESC

A banda Ego Kill Talent se encontra na reta final do lançamento de seu segundo álbum: o disco “The Dance Between The Extremes” está programado para vir ao mundo em pouco mais de um mês, no dia 19 de março. O segundo álbum da banda de rock brasileira, que teve seu lançamento dividido em três etapas, teve sua primeira parte gravada no estúdio da banda amiga Foo Fighters, o Studio 606. Agora, a terceira e última parte do disco entrega ao público cinco faixas inéditas, que chegam para completar todo o universo narrativo criado pela banda com a amplitude de “The Dance Between The Extremes”

Para saber mais sobre o lançamento de “The Dance Between Extremes” e dos planos da Ego Kill Talent, Letícia Finamore, integrante do time do ESCUTAI, conversou com Theo van der Loo, guitarrista e baixista da banda.

Leia a entrevista:

ESC: Em pouco mais de um mês vocês vão lançar a última parte da trilogia do “The Dance Between Extremes”, álbum da Ego Kill Talent. Como está a expectativa para esse lançamento?

THEO: Estamos com a esperança de conectar com o maior número de pessoas nesse momento de pandemia, que é um período tão doido. Queremos que as pessoas possam aproveitar esse álbum como puderem, que a música chegue o mais longe possível e que nós possamos voltar a tocar ao vivo o quanto antes. Show é o que a gente mais gosta de fazer, mas eu acredito que demore um pouco até lá.

Imagem: Denis Carrion

ESC: E o que os fãs podem esperar deste trabalho? A banda continua na mesma linha de composições ou existem novos elementos, novas experimentações?

THEO: Nós da banda somos muito ecléticos – tanto como ouvintes quanto como compositores. Curtimos desde coisas bem pesadas, como Gojira, Metallica, até o outro extremo, como Phil Collins, Fleetwood Mac, Lenny Kravitz… Eu e o Jean (baterista e guitarrista da EKT) também curtimos muito a Billie Eilish. Musicalmente falando, o nosso gosto é muito variado, e isso reflete na nossa composição. Enquanto você tem “NOW!”, que é uma faixa com riffs de guitarra pesados, “In Your Dreams Tonight” tem uma melodia que caminha um pouco pelo espectro do pop. Esses elementos variados são perceptíveis desde o primeiro álbum da banda. A banda sempre teve a capacidade de alternar entre diferentes intensidades e estilos, e isso está ainda mais presente em “The Dance Between Extremes”

ESC: Qual foi a motivação da banda para lançar esse trabalho em três partes? Primeiramente “The Dance”, depois “The Dance Between”, e agora, por fim, “The Dance Between Extremes”?

THEO: Na verdade, o nosso planejamento inicial era lançar os nossos trabalhos ao longo das turnês marcadas. Tínhamos uma turnê programada com os caras do Metallica e do Greta Van Fleet para abril de 2020, e iríamos lançar nosso primeiro single durante esses shows. Na sequência, a banda iria tocar em um festival no México e em alguns outros nos Estados Unidos, mais uma vez ao lado do Metallica. Pra fechar, tínhamos alguns shows na Europa, com o System Of A Down. O disco inteiro seria lançado entre a turnê dos EUA e a da Europa, em meados de maio. Em dezembro de 2019, nosso empresário nos alertou sobre a possibilidade da existência de uma pandemia. Lembro que na época todos nós ficamos em compasso de espera, mas ninguém imaginava que aconteceria tudo o que veio a acontecer. Nós suspendemos, então, o nosso plano de lançamento, até que a gente tivesse uma noção do que estava rolando no mundo. Os meses foram se passando e a gente decidiu lançar “NOW!”, que era o nosso projeto inicial. Decidimos segurar os outros lançamentos na esperança de que houvessem shows no segundo semestre de 2020, e quando vimos que tudo ficaria parado por um bom tempo tivemos a ideia de lançar o álbum dividido em três EPs, como fizemos com o lançamento do nosso primeiro disco. Da primeira vez, tudo foi muito natural, seguindo o nosso ritmo de gravações, e no final virou um álbum completo. O lançamento também está sendo em partes no caso de “The Dance Between Extremes” porque não foi muito planejado, a banda não contava com a pandemia. Quando vimos que a situação do mundo era grave e que nós não sabíamos quando voltaríamos a fazer turnês, a banda decidiu fatiar o lançamento e deixar o grand finale para 2021, que é quando nós pensamos que estaríamos fazendo nossas turnês.

ESC: Vocês fizeram gravações no Studio 606, o estúdio do Foo Fighters. Todo o disco foi gravado lá?

THEO: Nós fizemos toda a gravação por lá. A Ego Kill Talent foi uma das primeiras bandas a fazer isso, talvez a primeira. As bandas que costumam gravar no Studio 606 geralmente gravam só algum instrumento, como bateria, ou então algumas faixas – a própria equipe disse que o que nós fizemos não era tão comum. Ficamos indo ao estúdio todos os dias durante quase um mês.

ESC: Como foi essa experiência?

THEO: Foi uma experiência incrível. É até difícil botar em palavras. Pra gente que cresceu com Nirvana, com toda essa cena que o Dave Grohl representa, estar naquele lugar, usando o equipamento dos caras, trombando com eles vez ou outra, foi incrível. A ficha só cai quando você entra e vê as paredes com toda a história do Nirvana, do Foo Fighters. Logo que eu entrei no estúdio pela primeira vez pensei que se aquele momento fosse o último capítulo do seriado da minha vida, depois de todos os shows e turnês que nós fizemos ao longo dos anos, terminar o seriado gravando no Studio 606 seria perfeito. Foi um sentimento muito gostoso.

ESC: Todas as canções do álbum foram compostas antes da pandemia – desde que esse período começou, a EGK chegou a pensar em novos projetos?

THEO: “The Call” foi o nosso primeiro single mundial de rádio, chegou a ficar entre as trinta canções mais tocadas nas rádios dos EUA durante dezesseis semanas, mesmo com o fato de nós nunca termos feito um show por lá. Também chegou a tocar em mais de dezoito rádios na Alemanha, tocava em estações de toda a Europa. A sensação que eu tenho é que nós estávamos em um caiaque descendo corredeiras com esse lançamento. Nós ficamos administrando essa questão de lançar um álbum, ter um single mundial, dar entrevistas, gravar liners de rádio (o Jonathan, vocalista da banda, chegou a gravar mais de cem)… tudo isso no meio de uma pandemia. Esse é o maior lançamento das nossas vidas, o lançamento de um disco gravado no Studio 606. Estamos lançando esse trabalho sem fazer turnê, trabalhando com um time com o qual nunca trabalhamos antes, e ao mesmo tempo querendo chegar o mais longe possível com a nossa música. Isso tomou uma parte muito grande da nossa atenção e do nosso tempo. Mesmo assim, no meio disso tudo, nós conseguimos rascunhar novas ideias e direções. Vamos terminar de lançar nosso álbum em março e não sabemos quando tudo vai voltar a acontecer, então decidimos começar a preparar material novo para quando pudermos fazer shows e turnês. Ainda não chegamos a gravar nada desses novos projetos, mas se tudo der certo, depois de toda a atenção que vamos dar em breve ao lançamento, talvez dê para pegarmos firme nessas novas canções.

ESC: Existe uma narrativa que liga os clipes já lançados: “NOW!”, “Lifeporn”, “The Call” e “Deliverance”. Quando o público poderá ver a continuidade dessas narrativas? A ideia de criar e desenvolver personagens já era uma ideia da banda durante o processo de composição?

THEO: A banda já havia pensado em criar um universo no qual os clipes se conectassem, mas não pensamos nisso quando compusemos as canções. O Jonathan foi quem criou as personagens – ele se envolve muito nessa parte de vídeo, tem um faro pro audiovisual e consegue se expressar muito bem nesse ramo. Quando gravamos o clipe de “NOW!”, já começamos a colocar alguns elementos no vídeo que pudessem nos levar adiante. Depois o Jonathan criou o Tommy, personagem principal de “The Call”: um ciclista profissional que após um acidente deixa de correr. A Grace é a filha do Tommy, outra personagem que aparece no clipe de “Deliverance”. No momento, estamos pensando em como podemos continuar a expandir esse universo narrativo.

ESC: A pandemia mudou os planos de muita gente – inclusive o de vocês. A Ego Kill Talent faria um show com o Greta Van Fleet e o Metallica em abril de 2020: essa seria a primeira vez que vocês tocariam com essas bandas? Qual era a expectativa de vocês?

THEO: Nós já vivemos muitas coisas enquanto banda, e somos muito felizes e gratos por todas essas experiências. Fizemos diversas turnês, tocamos com bandas que admiramos e essas oportunidades são maravilhosas. Tocar com o Metallica, especialmente para mim e para o Raphael (baterista, baixista e guitarrista da EKT), tem um significado imenso. Nós dois nos conhecemos em um show do Metallica da turnê do “Garage Inc.”, no Rio de Janeiro, através de um amigo em comum. Algum tempo depois, nós dois nos reencontramos quando eu fui colocar um anúncio em uma loja de discos para encontrar um baterista. O Metallica tinha acabado de lançar um álbum e nós ficamos ali conversando sobre a banda. No final da conversa eu perguntei se ele tocava alguma coisa, e ele respondeu que era baterista. Não teve jeito: tive que entregar o anúncio nas mãos do Rapha. Depois disso chegamos a ir a diversos shows da banda, mas eu nunca assisti nenhum show junto dele – o Rapha sempre desaparece e vai correndo para ver tudo na grade. Essa história mostra o quão importante o Metallica é para a gente. A ideia de abrir o show dos caras é a realização de um sonho de criança. O James Hetfield (guitarrista e vocalista do Metallica), pra mim, é uma influência no tocar guitarra, ao lado do Slash. Sempre que eu tocava, era no James que eu pensava. Eu ainda estou muito feliz e ansioso para conhecer os caras, ter a chance de tocar no mesmo palco que eles.

ESC: Quais são as expectativas da banda diante da repercussão nacional deste disco, tendo em mente que o cenário do rock no Brasil, hoje em dia, não é um dos mais fortes?

THEO: Digo isso por mim, mas acredito que a banda não tenha um objetivo exato, do tipo “quero que nossa música toque na novela”, ou “que seja a mais tocada nas rádios”. A vontade é que as músicas do disco cheguem o mais longe possível, e nós vamos fazer tudo o que pudermos para isso, seja lá o que isso for. É uma expectativa de que as pessoas gostem, claro, e que a conexão das pessoas com a nossa música faça o nosso som ir longe.

Imagem: Lucca Miranda

ESC: Você teria algumas sugestões de bandas e artistas de rock nacionais para recomendar para os leitores do ESCUTAI?

THEO: Ultimamente eu tenho ouvido Ben Howard, conheci o som tranquilo dele durante a pandemia. Também tenho escutado Bon Iver. Fiz um revival com Fleetwood Mac depois de rever toda a saga dos Vingadores, principalmente “Guardiões da Galáxia”. Meu pai é fã de Fleetwood Mac, sempre ouvi desde pequeno com ele. Genesis entra nesse mesmo embalo. Na academia gosto de ouvir Gojira, principalmente “Magma”, o último disco deles. Como já disse, também gosto muito da Billie Eilish, acho as melodias incríveis. Minha lista é bem eclética. 

“The Dance Between Extremes”, segundo álbum da banda Ego Kill Talent, tem seu lançamento programado para o dia 19/03. Enquanto isso, os fãs da banda podem realizar o pré-save do disco e conferir os clipes das faixas já lançadas. 

Ouça “The Dance Between Extremes“.

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