No som de Céu, todo tipo de energia arde com graciosidade

Apká, álbum de Céu, tem em seu corpo infinito uma aura irreal. Tão fora de caminhos ordinários que quem passar a conhecer a artista pelo projeto irá ver algo multidimensional. Porém, tais sensações não se reservam apenas para este disco em especial da brasileira com três Grammys Latinos na estante.

Com uma jornada que teve início em 2005 com o lançamento do primeiro trabalho, o autointitulado, foi lá em 2016 que conhecemos o puro e genial Tropix, seu quarto registro de estúdio que hoje, após 6 anos, reluz como prata, assim como sua capa.

Ele é notoriamente um dos melhores trabalhos para sentir-se estarrecido com a melodia do mais excêntrico e sensacional som brasileiro. Tudo se mistura e torna o ciclo um só. MPB, jazz e R&B caminham por uma única vertente elétrica em canções que tramam viagens excêntricas.

Das que talvez mais precise de sua atenção, “Pot-Pourri; Etílica/ Interlúdio”, “Varanda Suspensa” e “Chico Buarque Song” são produzidas com intermináveis oscilações de atmosfera, mas centradas em um único esboço de entranhas. As peças servem exatamente para mostrar o poder da cantora em enfeitiçar.

Cerca de 3 anos depois, pudemos nos esbaldar com novas obras que, novamente, não precisam se empenhar muito para mostrar a potência de Céu. Em 2019 o Apká chega aos nossos ouvidos em músicas que alucinam e, simultaneamente, apazíguam. Os sintetizadores voltam, e ainda mais arrojados; sempre sendo amontoados com extrema ciência e ponderação.

Céu expande panoramas com grandeza

Corpocontinente” é talvez uma das faixas mais destemidas da música brasileira recente. O discorrer sobre saudade chega a ser tão poético que logo torna-se brutal, além de ter um vídeo enevoado requintado. Novamente encontramos canções que exercem muito da mesma função de seu irmão: sustentar a ode em ser grande sem demasias. A volátil “Rotação” também exerce desse poder; assim como “Coreto“, “Off (Sad Siri)” e sendo honesto, praticamente toda a tracklist.

Acima de tudo, o que mais pode surpreender o ouvinte é em como essa proposta calha com naturalidade. Sem ser necessário reverberar sons e caracterizações de modos explosivos e que provavelmente não cairiam bem dentro do que Céu conjura.

Agora, a artista passeia pelo país com Um Gosto de Sol, álbum de regravações que também soa fundamental para trazer a tona o que a provadora consegue fazer com qualquer luz sob suas mãos.

Céu toca na primeira edição do festival Primavera Sound no Brasil, que acontece em São Paulo. Sua performance integra a programação do circuito Primavera na Cidade, que serão shows distribuídos por São Paulo durante o período do festival.

Por Edu

Designer gráfico e por agora, esperando o momento de realeza que a Lorde me prometeu lá em 2013.


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