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O que a Kim Petras quis nos dizer com o “TURN OFF THE LIGHT”?

Sendo um dos nomes em ascensão do mundo pop, Kim Petras nos leva a uma jornada intrigante com o TURN OFF THE LIGHT

De origem alemã, Kim Petras é um nome em ascensão no mundo pop. Desde 2011 a artista trabalha em sua carreira musical, mas foi a partir de 2017 que a cantora e compositora vem se sobressaindo. Com seu primeiro EP (Era 1) a artista ganhou notoriedade e aos poucos foi conquistando seu público. Mas o grande feito de Kim Petras é seu compilado TURN OFF THE LIGHT. Lançado em duas partes, a primeira em formato de EP no ano de 2018, e em 2019 o disco ganha forma completa. Pode-se dizer que a obra se consagrou como um dos álbuns emblemáticos dos últimos tempos.

Apoiada em clássicos do terror e com uma dose generosa de Halloween, Kim Petras estabelece no primeiro volume de TURN OFF THE LIGHT uma identidade singular. A energia oitentista das músicas, os vocais precisos e a carga sombria em dose certa de cada faixa contribui para o nascimento de um possível clássico atemporal.

A identidade criada por Kim Petras se repete no segundo volume da obra, complementando sua primeira parte e formando o álbum completo. Durante as 17 faixas o som psicodélico de Kim Petras se transforma em um verdadeiro monstro musical. A mescla de sons derivados do EDM, house, techno e synthpop se encontram entre elementos como sons de respiração ofegante, corte de facas e a tensão criada que se assemelha a atmosfera de filmes slasher dos anos 80.

A artista amante do dia das bruxas cria TURN OFF THE LIGHT com a premissa de clássicos natalinos. Se álbuns de natal existem, por que não criar um especial para o Halloween? É dessa forma que Kim abre as portas de um universo musical cativante e ao mesmo tempo sombrio. Mas o que realmente Kim quis dizer com o TURN OFF THE LIGHT?

Apague a luz

Em sentido literal, a artista nos introduz a escuridão do apagar das luzes. Durante os 53 minutos de duração o disco não é somente uma convidativa seleção de músicas. Cada faixa carrega uma identidade e representa um capítulo da história contada.

A primeira faixa abre as portas para o universo de escuridão de Kim Petras, “Purgatory” representa o primeiro capítulo dessa história. Construída sob um instrumental macabro, a faixa introduz uma batida disco e cria o caminho para a segunda faixa e se estende através das demais.

A mais conhecida do disco, “There Will Be Blood” avisa: Haverá sangue. Prometendo uma noite infernal, Kim Petras nos puxa para uma dança com o diabo enquanto canta sobre a morte. A perspectiva de monstro sedento por sangue nos puxa de vez para o mundo do terror. Na sequência, “Bloody Valentine” nos apresenta uma relação que remete ao clássico Dia dos Namorados Macabro (2009) e se baseia numa sangrenta e obscura tragetória.

O diabo sempre vence

Em “Wrong Turn” as referências utilizadas remetem a dois grandes clássicos, os famosos Premonição (2000) e Pânico na Floresta (2003). Aqui, em meio as batidas e sintetizadores, Kim Petras nos coloca mais uma vez frente a frente com a morte. “Dê um beijo de despedida da sua vida” em “Wrong Turn” e dê olá para os espíritos malignos em “Demons”. A interlude nos guia para uma dimensão ainda mais profunda e assustadora, desaguando na versão macabra do clássico natalino Carol of the Bells (1914) de Mykola Leontovych.

“Massacre” amplia ainda mais o universo sangrento e cheio de tormentos que a artista cria, a noite dos zumbis complementa o cenário caótico e terrível das faixas. Introduzindo sons de facas, “Knives” dá deixa para “Death By Sex”, que surge entre os cortes. A faixa lembra um pouco das tramas slashers onde o sexo entre os personagens acabam em tragédia, e finaliza: O diabo sempre vence.

“Omen” é mais uma interlude que nos leva a outro grau desta jornada, anteriormente a faixa encabeçava o primeiro EP, mas na reorganização do disco se tornou a precedente de “Close Your Eyes”. Nesta faixa há elementos que relembram a estrutura lírica do clássico “Thriller” de Michael Jackson, que, assim como na música de Michael, Kim retrata uma besta que sai para caçar. Nesse contexto, a fera desperta paixões por onde passa, mas acaba os matando.

Em mais uma interlude recheada de elementos EDM, Kim Petras batiza a faixa de “TRANSylvania”. O jogo de palavras apresenta a identidade da cantora e também pode ser lida como uma referência ao clássico “Sweet Transvestite” de The Rocky Horror Picture Show (1974). Na sequência, a faixa título é convidativa. “Turn Off The Light” conta com a paricipação da própria rainha das trevas, Elvira.

Na próxima vida

A esta altura, o disco não garante para si apenas o status de tributo ao horror, mas sua autenticidade o estabelece como clássico.

Em “Tell Me It’s A Nightmare” Kim se entrega a fúria, depois de diversos avisos para tomar cuidado e tentativas de salvar seu amante, ela se coloca na posição de vilã e o faz pagar o preço. A interlude que segue na sequência revela a vontade viver da artista, “I Don’t Wanna Die” no entanto é interrompida por “In the Next Life”. O caminho das faixas leva ao momento de entrega, quando Kim se rende a morte e canta: “E na próxima vida eles se lembrarão de mim, lembrem de mim”.

Caminhando para o fim da obra, “Boo! Bitch!” é uma curta interlude que abre as portas para a última faixa do disco. “Everybody Dies” se apresenta como a despedida da persona maldosa que se moldou nas faixas anteriores. A mensagem passada aqui é que todos enfrentaremos a morte em algum momento, mas toda estrada percorrida se finda em um momento de redenção, onde Kim Petras deixa um sentimento latente de viver a vida ao máximo.

No fim dessa jornada Kim nos leva a momentos divertidos e sombrios através de um conjunto de capítulos musicais intensos. Sentimentos como amor, ódio e medo andam lado a lado com suas referências, os clássicos de terror não limitam a artista à criação de um álbum “sazonal”. TURN OFF THE LIGHT é a jornada de uma vida, mesmo que vivida após as luzes serem apagadas, na pista de dança ou nos filmes de terror.

Aqui no escutai o disco de Kim Petras foi eleito um dos melhores de 2019.

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