Opinião | Bom Dia Sem Companhia: um musical que também é uma ótima terapia

Depois da temporada de uma versão cinematográfica durante a pandemia, uma temporada em São Paulo e uma outra temporada de reapresentação, Bom Dia Sem Companhia volta aos palcos, dessa vez no Teatro Vivo agora em Agosto, em São Paulo.

O espetáculo conta a história de Vini e Lara, dois ex-apresentadores de um programa infantil que, depois de 10 anos do fim do programa, são convidados para um episódio especial. Como forma de terapia, o musical vai passeando pelas memórias dos dois personagens, de forma despretensiosa, divertida e as vezes dolorosa, trazendo à tona memórias, frustrações e alegrias, nos contando as idas e vindas da amizade dos dois ex-apresentadores e as marcas que esse tempo de programa deixaram neles.

Criado durante a pandemia pelo ator, produtor, dramaturgo e roteirista, Vitor Rocha e pelo compositor Elton Towersey, com a direção de Alonso Barros, vem nos mostrar um lado não tão colorido e feliz dos programas de TV, principalmente quando envolvem crianças e o seu crescimento.

Fazia parte da infância ligar a tv de manhã ao acordar e assistir os programas infantis com gincanas e desenhos animados, principalmente para os millenials e a geração z, que acompanharam o programa real ao qual o nome do espetáculo foi inspirado. Vitor desmistifica e usa esse cenário para tocar em assuntos que traumatizam e que são comuns em várias pessoas, principalmente adultos, como insegurança, a síndrome do impostor, ansiedade, comparação, distúrbio alimentar e outros assuntos. Podemos ver que o buraco é mais embaixo.

Bom Dia Sem Companhia / Victor Miranda (reprodução)

Para trazer uma leveza e conversar com o público de maneira mais suave sobre esses assuntos tão pesados e inesperados, o espetáculo utiliza atores com fantoches de mão, que eram usados no programa de Vini e Lara, de maneira lúdica para trazer o ar cômico e divertido ao musical, cada qual com sua responsabilidade, que também cantam e interpretam, usando uma voz “over”, como se fosse uma dublagem, o que contribui para dar uma vida ao personagens.

Os dois protagonistas vão levando a peça, intercalando com momentos do passado e presente durante a terapia, juntamente com música, entregando uma atuação tão genuína que poderia beirar a realidade. Vitor e Luiza se encaixam tão bem em seus papéis que convencem qualquer um.

Bom Dia Sem Companhia acaba se revelando, apesar de toda sua despretensiosidade, uma comédia musical não tão comédia assim (a gente ri de nervoso) bastante profunda, capaz de tocar em assuntos e sentimentos que evitamos falar e demonstrar, criticando ainda sistemas de tv e como crianças podem ser atingidas por eles. Apesar de musical, o espetáculo poderia muito bem ser uma terapia (o que, de certa forma, ainda é).

O musical está em cartaz no Teatro Vivo, na região do Morumbi, nas quartas e quintas às 20h até o dia 29 de Setembro. Os ingressos, que variam entre R$70 (inteira) e R$35 (meia-entrada), podem ser adquiridos no site da Sympla e também na bilheteria do teatro. Clientes do App Meu Vivo têm um desconto especial diretamente no app.

Por Lucas Fagundes

Geek, leitor compulsivo, blogueiro literário, escorpiano, viciado em filmes e séries, principalmente de ficção científica e terror. Vai do clássico ao funk em suas playlists. Seus super heróis favoritos são Flash e Jean Grey. Da casa da Corvinal. Formado em Produção editorial, técnico de comunicação visual e agora estudante de moda.


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