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Os 50 melhores álbuns nacionais de 2020

Por um grito de liberdade, de luta ou até mesmo para sentir alguma coisa, 2020 foi um ano de expressão artística

Com tantos setores em crise com uma pandemia sem data para acabar e à todo vapor, foi a prosperidade da arte que nos manteve sãos e capazes de superar, dia após dia, a realidade que acumulamos diariamente. Além de servir como munição recorrente para o combate à tantas decisões degeneradas a quais somos submetidos.

Definitivamente, 2020 foi o ano da arte independente. Seja por sua carga expressiva íntima, por sua produção, sua criação, imaginação, moldagem. Por um grito de liberdade, de luta ou até mesmo para sentir alguma coisa, seja lá o que for, essa foi a grande válvula de espace de muitos artistas que optaram por expressar o que estavam sentindo de forma que isso se conectasse com seu público ou levasse sua mensagem ainda mais adiante.

Criatividade é um assunto delicado e que requer tanta energia quanto qualquer outra coisa, mas com a canalização limitada que muitos artistas se deram conta nesse ano, felizmente muitas obras foram postas no mundo. E muitas delas trouxeram consigo um toque íntimo e especial as posicionando aqui, nessa lista de melhores projetos nacionais de 2020.

50. “O Real Resiste” – Arnaldo Antunes

Mesmo sendo uma figura da vanguarda MPB, Arnaldo Antunes provou que consegue se manter atual em sua sonoridade, ainda que mantenha sua identidade de décadas. O 18º disco do artista chega através de uma parceria muito desejada com Cézar Mendes, que o ajudou à compor boa parte das canções e até lançou um outro projeto colaborativo. O registro vem repleto de letras fortes, sentimentos intimistas e muito angústia pelos tempos atuais, uma incrível reflexão política-humana.

49. “Vivendo do Ócio” – Vivendo do Ócio

Em seu quarto disco de inéditas em 12 anos de carreira, a Vivendo do Ócio caminha entre a experiência de revisitar o passado dando lugar à modernidade contemporânea de se expressar. Com a capa inspirada em uma fotografia do grande Fabrizio Bori nos anos 70, a banda expressa uma marca única. Aqui encontramos bastante do som da banda que vai desde o rock alternativo, até flertar com soul e reggae em pontos chaves do projeto.

48. “Te Adorando pelo Avesso” – Illy

Illy expressa muitos sentimentos em seu segundo disco da carreira, a começar pela referência icônica ao álbum ‘ELIS’ de Elis Regina de 1973. Illy, em sua versão, está de cabeça para baixo, justamente mostrando que sua intenção é revirar algumas coisinhas na cena nacional com seu novo trabalho. ‘Te Adorando pelo Avesso’ apresenta várias facetas da artista que embala samba, pop, muita mpb e até alguns versos poéticos. As colaborações de Silva e Baco Exu do Blues adicionam ainda mais ritmo em suas respectivas canções.

47. “IRA” – Ira!

Formada em 1981, a Ira! se aposentou dos palcos em 2007, mas em 2014 fez um grande retorno à cena do rock nacional. Em 2020 a banda se mostra ainda relevante com o autointitulado disco ‘IRA’, primeiro disco de inéditas em 13 anos. O projeto que vem repleto de muita indagação crítica busca bater de frente com a onda rock nacional sem se abalar com qualquer outro ponto que não seja a qualidade do que se está sendo ouvido.

46. “Ana” – Ana Gabriela

Com dois EPs lançados, Ana Gabriela vem reunindo uma parcela expressiva de fãs, preparando o terreno para o aguardado álbum de lançamento, ‘Ana’. O debut chega com uma carga grande sentimentalismo ressentido, ainda que olhando por um ponto positivo todas as experiências vividas por que está se expressando. Caminhando entre o desespero pela perca, a aceitação de que sua amada já está em outra, e um último suspiro antes de seguir em frente, Ana consegue explanar diversas maneiras de se encarar um término.

45. “Quadra” – Sepultura

Por mais que os mineiros da Sepultura explorem a cada lançamento sua musicalidade, podemos encaixar eles como uma banda de rock metal. Depois de alguns lançamentos inconsistentes, mudanças de equipe (a saída dos irmãos Cavalera – seus fundadores – e entrada do vocalista Derrick Green), em ‘Quadra’, o 15º álbum da banda, somos surpreendidos não por uma sonoridade parecida com o que a banda costuma criar, mas algo familiar e diferente ao mesmo tempo. Uma jornada de superação e uma pitada de esperança para a retomada de sua ascensão, quase encerrada nos anos 90.

44. “Não É Doce” – Olívia de Amores

A vida não é amarga, mas também não é doce. Olívia de Amores nos apresenta seu próprio mundo no primeiro disco solo ‘Não É Doce’. A artista amazonense encara perdas e faz um som ao mesmo tempo delicado e sujo, com reflexões pessoais, sociais e urbanas que refletem as perdas e mudanças que guiam a vida adulta. 

43. “Meio” – Marcos Lamy

Com seu terceiro disco de trabalho, Marco Lamy propõe uma reflexão diante dos tempos atuais, apontando inspirações de sua cultura e participações que mais adicionam do que retiram qualificação do projeto. Aqui conseguimos captar resquícios que formaram Marcos como artista desde sua temporada na anda Nova Bossa até seu disco de estreia ‘Eu Tô é Fu’ de 2013.

42. “Nem Tudo É Close” – Lucas Boombeat

Como o próprio nome diz, nem tudo é close, e essa é a mensagem principal do projeto solo de Lucas Boombeat (da Quebrada Queer). Desde sua temporada no grupo de mcs, Lucas vem se mostrando um incrível projetor de ideias, ainda mais dentro do rap que é acompanhado por muita hipocrisia e por vezes ideias ultrapassadas. É sempre satisfatório ver um projeto de alta qualidade fazendo a diferença. Aqui acompanhamos a trajetória da desconstrução da imagem de closeiro e passamos a enxergar pessoas reais com mensagens importantes a serem ouvidas. Gloria Groove, Bivolt, Ecologyk e mais auxiliam à escrachar ainda mais a produção excelente de Vibox.

41. “PAJUBÁ REMIX II” – Linn da Quebrada

Em 2019 recebemos o presentão que foi o EP 1 de remixes do ‘Pajubá’, álbum da Linn da Quebrada. Agora em 2020, temos a segunda parte do projeto que se mostrou tão afiada quanto. Com uma pegada futurista e muito bem envelopada, a nova leva de faixas traz consigo nomes como Boss In DramaDavi SabbagAse Manual, Potyguara BardoKelman Duran e Badsista no comando.

40. “Briga de Família” – Vovô Bebê

Cafonice e letras chiclete: ótimas composições que te transportam para o ‘Briga de Família’, novo álbum da Vovô Bebê. Além de poesia em forma de conturbações do dia a dia, somos bombardeados por conflitos íntimos que nos dão desconforto e é sobre isso que o intuito foi planejado.

39. “raiz” – Fran

Francisco Gil, ou apenas Fran, lançou seu debut já com participações incríveis como Caetano Veloso, seu avô Gilberto Gil, Ruxel e Russo Passapusso do BayanaSystem. Bastante pop, o disco ainda se caracteriza com fortes referências de origem africana, e flerta indiretamente com o R&B e a MPB rústica. Uma surpresa muito gostosa de 2020.

38. “Rastilho” – Kiko Dinucci

Dedicado ao violão, ‘Rastilho’ traz referências desde Baden Powell, Dorival Caymmi e Nelson Cavaquinho até Gilberto Gil e João Bosco. Predominante instrumental, Kiko coloca aqui narrativas indiretas sobre militância e muita exclusividade sonora, assim como o título do disco sugere. Rastilho é o pavio que ao queimar, provoca explosão.

37. “Bivolt” – Bivolt

A rapper paulistana Bivolt lançou seu debut na cena esse ano e já veio com algo peculiar: uma colaboração com ela mesma. As faixas ‘110v’ e ‘220v’, duas faixas diferentes, quando combinadas, é possível ter uma terceira faixa (veja aqui). Segundo ela, cada uma traduz bem o seu ritmo, enquanto uma é mais leve e R&B, a outra traz o rap com letras forte. É bem assim que podemos descrever o autointitulado ‘Bivolt’, um retrato de sua personalidade artística.

36. “Mínima Luz” – Três Tristes Tigres

 Composto e produzido por Alexandre Soares e Ana Deus, o álbum pode ser caracterizado como uma coletânea de mensagens fortes. Servindo como sucessor de “Visita de Estudo” de 2001, ‘Mínima Luz’ tem como tema central do projeto o permeio entre rezas e mensagens subliminares, quase que espirituais, como fórmula de escape do dia a dia grotesco que o mundo enfrente atualmente.

35 – “Ritual (Deluxe)” Davi

Davi Sabbag, ex-integrante da memorável Banda Uó, fez seu debut solo em 2019 e em 2020 relançou em formato deluxe. Aqui Davi explora o seu mais íntimo, ainda que tímido, criativo. Como o próprio nome do álbum nos diz, o conteúdo do ‘Ritual’ é acompanhado de muito misticismo e metáforas, narrados pela voz suave e por vezes incontrolavelmente sedutora do artista. Davi entrega algo muito promissor para a cena pop nacional e inicia sua jornada pela indagação de autenticidade.

34. “Cosmo” – Cícero

Lançado às vésperas do início da pandemia, Cícero surgiu no início do ano de forma tímida como quem não quis nada e colocou no mundo ‘Cosmo’, um de seus melhores discos – para quem tem ‘Canções de Apartamento’ e ‘A Praia’ em sua discografia, isso seria no mínimo um desafio. O artista gosta de dizer que seus projetos refletem bastante o ‘seu eu’ do momento, e ‘Cosmo’ exerceu o papel. Gravado em sua temporada morando em Portugal, tem uma pegada bem adormecida e melancólica, se referindo a solidão que era estar longe de casa, e toda a introspecção mental que o artista estava vivendo.

33. “Antes do Álbum” – Coruja BC1

Entre flows acelerados e letras com bastante referência de vida sobre afeto, Coruja BC1 lança enfim seu álbum completo, sucedendo seus 2 EPs lançados e que hoje formam o disco. Apesar de alguns deslizes em partes importantes e características de seu trabalho, ‘Antes do Álbum’ se canaliza com bastante qualidades e pontos positivos.

32. “Celestial” – Julia Melo

Com “Celestial”, Julia buscou abordar a odisseia da transição entre a adolescência e a fase adulta da sua vida. As músicas do EP tratam de assuntos muito particulares que a cantora passou, desde depressão, sexualidade, liberdade de expressão e as agressões físicas e psicológicas que sofreu devido ao comportamento conservador vindo da Igreja contra o meio LGBT no qual faz parte. 

Leia nossa review completa

31. “Galinheiro” – Hiran

Hiran se adentrou na cena pop-rap nacional de forma maestral. Em seu segundo álbum, ‘Galinheiro’, conhecemos um lado ainda mais ousado e cultural do artista, que busca aflorar ainda mais suas raízes do hip-hop nordestino, que também nos presenteou Baco Exu do Blues e Rapadura. Aqui, as colaborações são nomes igualmente recentes como Illy, Majur e Tom Veloso, todos crescendo mais dia a dia. Refletindo experiências pessoais, Hiran acerta na intimidade abordada em letras cativantes e bem decisivas para tornar o projeto muito bem apreciativo como um todo.

30. “Iceberg” – Priscila Tossan

Depois de ‘Cine Odeon’, seu primeiro EP, já era de se esperar que Priscilla Tossan estreasse com tudo em seu primeiro disco. Em ‘Iceberg’ acompanhamos a evolução da artista como um todo, além de presenciar um material conciso e muito emblemático para sua carreira. As participações de Criolo e Luccas Carlos adicionam uma extravagança melódica ao pop-mpb-samba-e-mais que Priscila reúne nas 12 faixas do disco.

29. “A CULPA É DO MEU SIGNO” – Day

Day, uma das grandes recentes revelações do pop nacional, lançou seu novo EP abordando religião, dúvidas pessoais, sexualidade. Tudo soa muito autobiográfico, segundo a própria artista. Trazendo uma pegada emo e misturando com o seu pop, Day entrega um projeto natural e repleto de sonoridades familiares, facilitando a afeição para quem a escuta, sem retirar a identidade própria de cada canção.

28. “Tempestade Numa Gota D’Água” – Projota

Segundo o próprio Projota, “todo ser humano é apenas uma gota num universo infinito e que, portanto, precisa de equilíbrio para continuar existindo”. Então, é com esse viés que o projeto foi recebido. Sendo planejado desde 2019, todo o álbum foi liberado aos poucos ao longo de 2020, sempre acompanhado de clipes visuais. Este com certeza é seu trabalho mais denso e fora da curva do rapper, trazendo algo mais minimalista em questão de sonoridade, conceito que até então foi abordado de forma reversa em sua carreira.

27. “O Líder em Movimento” – BK

Com mensagens afiadas sobre os tempos atuais, BK apresenta ‘O Líder Em Movimento”, um registro da sociedade como um todo transitando em seus mais variados aspectos escrachados, desde o conservadorismo até o amor em exagero (ou a falta dele). Luta contra o racismo, poder, recomeços, encerramentos, ciclos sem fim. Definitivamente, um projeto para se consumir e ler nas entrelinhas enquanto se escuta referências sonoras que migram de rap ao jazz e do blues ao funk.

26. “Máquina do Tempo” – Matuê

Quebrando recordes de artistas como Lady Gaga e Marília Mendonça, Matuê estreou seu novo disco no Spotify de forma esplêndida. A estética gamer que permeia todo o projeto é inconfundível (e está muito em alto por agora). Esse marca o pico mais criativo do artista que não pisa no freio ao se jogar de cabeça na produção das 7 faixas.

25. “AFFAIR” – Gloria Groove

Gloria Groove tem se mostrando uma artista multifacetas e em ‘AFFAIR’ oficializa a união que flertava de muitos anos com o r&b. Explorando ao máximo sua dualidade como artista, Daniel Garcia/Gloria Groove entrega faixas com alta qualidade sentimental e provocantes, coisas que já havíamos visto em seus trabalhos anteriores. Contudo, aqui conhecemos a fase mais adulta e amadurecida que prefere apostar mais em suas próprias qualidades de surpreender líricamente e menos em letras chicletes.

24. “Gil Baiana Ao Vivo” – Gilberto Gil & BaianaSystem

Gravado em 2019, o show em Salvador que uniu duas peças incríveis da cultura musical brasileira, Gilberto Gil e BaianaSystem, ‘Gil Baiana’ é um disco especial que marca um registro histórico e que documenta um encontro de gerações da música baiana e brasileira, trazendo faixas clássicas do repertório de ambos os artistas, com uma nova roupagem que só o ao vivo consegue entregar.

23. “Enquanto Estamos Distantes” – As Baías

A vibe de autoconhecimento é forte nesse EP de As Baías. A junção que parece uma coletânea sonora de seus outros projetos transforma o EP em uma jornada artística muito sutil e gostosa. Além de ter sido produzido de forma remota, o projeto traz uma reflexão sobre o que vivemos, como vivemos, amores perdidos, novos ares e outros sentimentos.

22. “Existe Amor” – Milton Nascimento & Criolo

Milton Nascimento e Criolo criam uma ponte entre a música e solidariedade nesse EP colaborativo. Criolo que tem uma música chamada ‘Não Existe Amor em SP’ em seu repertório, aqui muda totalmente de visão partindo do ponto de vista contrário, adicionado ao toque único de Milton. Além do EP, os artistas ainda fundaram uma ação para arrecadar verbas para a população em vulnerabilidade social no país.

21. “Deriva” – Luiza Brina

Marcando a estreia de Luiza como produtora musical e feito totalmente à distância de forma independente, o EP ‘Deriva’ chegou para suceder o terceiro disco de estúdio ‘Tenho Saudade Mas Já Passou’ de 2019. O EP conta com parcerias que tornam a experiência ainda mais orgânica como a baiana Josyara, Teago Oliveira da banda Maglore, Jlia Branco e Vovô Bebê (que também está nesta lista!).

20. “Não Tem Bacanal na Quarentena” – Baco Exu do Blues

Um resumão bem à la Baco Exu do Blues do que foi e está sendo a quarentena no Brasil. Repleto de referências, o EP traz uma sonoridade que soa em alguns momentos feito às pressas (e parece até ser a real razão, pois meio que foi), mas mesmo assim consegue se manter um trabalho coeso, visto em seu álbum antecessor. Aqui temos colaborações certeiras que torna o projeto fresco e bem colocado no momento em que é lançado, criando uma ponta de espera para seu novo disco que deve chegar em breve.

19. “A Beleza que Deriva do Mundo, Mas a Ele Escapa” – Wado

Wado nos presenteou com um álbum bem minimalista e que consegue transparecer suas diversas camadas emocionais. Com bastante synth e uma pitada acústica vocal, suas letras carregam a dose necessária de doçura e positividade que o ano de 2020 precisou. O álbum ainda tem um toque bem nostálgico, que facilmente te faz elevar bons pensamentos enquanto aprecia.

18. “A Vida é Boa” – Bryan Behr

Nascido em Santa Catarina (aqui do ladinho da redação), Bryan Behr tem se mostrado um exímio artista. A escolha de abordar a positividade pode até ser clichê na primeira ouvida, mas ao consumir com calma o projeto podemos perceber que as onze faixas do disco são vão além disso. Em entrevista para Universal Music, Bryan disse que muitas das histórias contadas no álbum são baseadas em histórias de pessoas próximas a ele, e também do próprio artista em si, o que torna tudo muito real e sincero.

17. “Depois do Fim do Mundo” – Supervão

Claramente pessimista, o EP da banda traz um frescor cômico ao abordar – como o próprio nome diz – o fim do mundo. Segundo a Supervão, o EP ‘descreve sonoramente a desesperança e o niilismo de 2020’. Tendo como base principal o ano caótico em que vivemos, ao ouvir as faixas passeamos por diversas reflexões futuristas em meio à batidas fortes e sonoridade indie já conhecida pelo grupo.

16. “Sessão Respiro” – Scalene

Revisitando antigos sons da banda, o EP ‘Sessão Respiro’ apresenta de forma intimista e homemade composições já conhecidas pelo público, só que feitas à distância. Refletindo os tempos atuais, as novas versões das músicas tem menos peso sonoro e mais calmaria, como se estivessem sendo tocadas ao vivo de forma acústica.

15. “Corpo Sem Juízo” – Jup do Bairro

Em seu primeiro EP, Jup do Bairro ganha o mundo e coração de muita gente ao abordar diversidade, direitos sobre o corpo, liberdade de expressão, arte periférica e muitos outros tópicos que costumam ficar de fora na cena musical nacional – até 2020.

Em ‘CORPO SEM JUÍZO’ Jub solta o verbo e escracha seus mais íntimos pensamentos quase que de forma poética. Tudo fica ilustrado com visuais impressionantes dirigidos por Rodrigo de Carvalho, Felipa Damasco e a própria. ‘Transgressão’ inclusive levou um dos melhores clipes do ano em nossa matéria, confira.

14. “111 deluxe” – Pabllo Vittar

Depois de dois EPs lançados, a edição deluxe do ‘111’ chegou com graciosas surpresas e uma tracklist repleta de remixes e novas adições colaborativas. Pabllo Vittar sempre foi referência em misturar ritmos com letras com cara de hit, levando ainda mais movimentos sonoros para o mainstream. Entre forró, batidão, funk, pop, reggaeton e até pc music, o álbum conseguiu se distinguir de seus dois anteriores de forma maestral.

13. “Assim Tocam os MEUS TAMBORES” – Marcelo D2

O oitavo trabalho de D2 em mais de 20 anos de trajetória, concebido após uma conversa com Luiza, sua esposa. Na medida que o caos tomou conta de 2020, o projeto começou a ganhar vida em estúdios improvisados dentro de casa. O mais interessante do álbum foi que, praticamente todas as decisões tomadas foram feitas ao vivo em forma de bate papo com o Flip, artista responsável pela identidade visual do disco. “Assim Tocam os MEUS TAMBORES” marca uma estreia bastante intimista para Marcelo D2 que ressalta e celebra o poder da colaboração construtiva na arte.

12. “CINCO” – Silva

Sempre muito experimental em sua carreira, Silva veio do indie, entrou na MPB, já fez pop e synth, e hoje caminha pela fonte do reggae e marchinhas. ‘CINCO’ flerta muito com o reggae brasileiro em meio à letras características, Silva experimenta ainda mais de suas referências em um projeto variado e muito único.

11. “Só” – Adriana Calcanhoto

‘Só’ pode se caracterizar com o disco mais atual de Adriana Calcanhoto. Atual no sentido de se fazer presente na cena musical pop-funk-mpb-misturado. Nascido no caótico ano pandêmico, ‘Só’ vem cheio de misturas e colaborações gostosas. Além disso, o projeto é considerado por Adriana uma homenagem à Moraes Moreira – que faleceu este ano por conta do coronavírus -, com parte dos recursos do disco sendo revertidos em apoio para instituições afetadas em 2020.

10. “Tão Real” – Rashid

Lançado em duas partes como forma de ‘projeto visual’, o novo álbum do Rashid trouxe consigo uma nova experiência sonora, mostrando um novo lado do rapper. Com diversos convidados especiais e produtores, os versos refletem algumas referências do músico e também a habilidade que ele tem de transitar entre estilos sem sair de sua métrica pessoal, abusada, que encaixa palavras onde parece impossível, talento desenrolado nas batalhas, um freestyle que nunca passa, apenas muda de andamento.

09. “Inteiro Metade” – Tagua Tagua

‘Inteiro Metade’ é sobre sentir. Sentir saudade, tristeza, sentir luto, euforia, gratidão. É um turbilhão de sentimentos permeando dando significando a vida. Se sentir metade hoje, inteiro amanha faz parte do dia a dia e é aqui que Tagua Tagua explora o propósito do projeto. Com elementos da música popular e do sambinha com indie e alternativo, o disco vem com sons atuais e bastante universais.

08. “Resquícios Cromáticos” – O Nó

Se ‘Essa Noite Bateu Com Um Sonho’ do Terno Rei e o ‘Currents’ do Tame Impala tivessem um filho, seria ‘Resquícios Cromáticos’. Aqui O Nó dialoga com ambas as vibes e traz uma sinergia única. Essa sonoridade indie psicodélica permeia a carreira da banda desde sempre, mas a cada lançamento parece se ater ao momento atual da cena musical, o que impressiona e cativa ainda mais.

07. “Mundo Manicongo: Dramas, Danças e Afroreps” – Rincon Sapiência

Dançar ou dançar, nada de choramingar. Rincon Sapiência nos apresenta ao seu mundo do qual tem muito a dizer sobre. Já é de praxe recebermos materiais densos com grandes cargas de histórias pessoas, mas em Mundo Manicongo enxergamos um lado divertido e extremamente positivo do rapper. A experiência de ouvir essa versatilidade sonora é bastante agradável, repleta de sintetizadores, sua voz inconfundível e grandes versos marcantes.

06. “Mundo Novo” – Mahmundi

Mahmundi sempre surpreende e em ‘Mundo Novo’ não foi diferente. Em seu disco mais pop até agora, a artista entrega boas doses de calmaria equilibradas com guitarras e nostalgia líricas. Além de cantar, Mahmundi ainda assina a produção e direção de todo o projeto que se tornou um de seus discos mais bem recebidos.

05. “Manchaca Vol. 1” – Boogarins

Como a própria tagline do título diz, aqui temos uma compilação de tudo que se originou nos ápices criativos da banda: demos descartadas, sonoridades experimentais que ficaram guardadas, memórias musicais, e outras coisas que só Boogarins e sua efervescência musical poderia proporcionar.

Por ser um reciclado de hits, à primeira vista se pensa ser um tapa buraco em 2020, porém o EP vai muito além e nos surpreende em todos os sentidos. É possível resgatar ótimos momentos da carreira da banda em seus discos ‘Lá Vem a Morte’ de 2017 e ‘Sombrou Dúvida’ de 2019.

04. “Crianças Selvagens” – Hot & Oreia

Com direção de Daniel Ganjame, o segundo disco do duo chega com uma dose madura mais elevada que o primeiro e com a sensação de clássico na primeira ouvida. Na mesma pegada humorística do primeiro, ‘Crianças Selvagens’ traz consigo letras sarcásticas, carregadas de referências do dia a dia que levam em consideração quarentena, política, amor e religião. Fica claro a disposição de Hot & Oreia para os desafios que ainda estão por vir, e eles estão no caminho certo.

03. “Histórias da Minha Área” – Djonga

Djonga é conhecido por soltar a letra do que está pensando com fortes cargas emocionais. Em ‘Historias da Minha Área’ não foi diferente, e se possível, foi muito além. A começar pela capa do projeto que apresenta jovens mortos por viverem na periferia, Djonga já diz a que veio, honrar cada uma das vozes perdidas. Ao falar de suas histórias de forma inidentificável e relacionável, artista aborda assuntos pesados e que devem ser mantidos em evidência, já que boa parte dos lugares que deveriam dar destaque a isso, simplesmente o ignoram.

Quando se propõe a contar detalhes universais esquecidos por muitos do que acontece em ‘sua área’, Djonga sai da zona de conforto, passa a enxergar a cena como quem a vive e quem a está escutando ser contada, deixando de ser protagonista, para ser todos os personagens da história.

02. “Letrux Aos Prantos” – Letrux

Depois de muitas noites de climão viscerais e energéticas, Letícia Novaes nos traz seu autorretrato aos prantos mais intimista, introspectiva e ainda mais reflexiva. Em ‘Letrux Aos Prantos’, embarcamos na jornada da artista para compreender extensas emoções na busca de seu eu interior, refletindo a cada esquina sobre relacionamentos passados, conexões naturais, questionamentos poéticos e muita fluidez sonora. Letícia observa precisamente sua vida e traz para o projeto críticas extremamente sutis sobre tudo o que consome e vive.

01. “Bom Mesmo é Estar Debaixo D’Água” – Luedji Luna

Depois de seu disco ‘Um Corpo no Mundo’ de 2017, a ansiedade para seu próximo projeto era imensa. Luedji Luna, baiana que deixou Salvador para viver em São Paulo, nos agracia com seu segundo projeto da carreira, ‘Bom Mesmo É Estar Debaixo D’Água’, gravado entre o Brasil e o Quênia. Extremamente solto e jogado ao mundo, o álbum soa como o nome pressupõe, a calmaria de estar isolado em seu próprio mundo, ouvindo resquícios do que se conhecia. Com produção de Kato Change (que trabalhou com ela em seu primeiro disco), aqui obtemos doses cada vez maiores de suas raízes, repletas de jazz, mpb, samba e muito brilho sonoro.

Entre covers e colaborações de longa data, o disco aborda direta e indiretamente o uso do afeto como sua principal arma. Como o afeto e o carinho podem nos moldar e melhorar, e como a falta destes sentimentos podem nos quebrar e retirar grandes partes importantes. A órbita que nos segura ou expele disso é inteiramente determinada por nós mesmos. Além disso, o retrato da mulher é elevada à um patamar e ali elas devem ficar.

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