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Os jardins de sons e fins do “Punisher”, de Phoebe Bridgers

Olhando agora para um dos melhores álbuns de 2020 não há como não ficar empolgado para ver o que Phoebe Bridgers fará em show no Brasil

Será muito interessante ver uma artista como Phoebe Bridgers cantar em território brasileiro. O seu som não é tão típico quando tido na redoma de consumo de uma grande parcela de pessoas. É preciso apreço pelo comum e (ao mesmo tempo) o inabitual para entrar na pista que ela oferece.

Eventualmente decidir percorrer a trilha que Bridgers oferece com suas obras é uma escolha, porém, olhando para o seu último projeto, o sensacional “Punisher“, se há algo que fica claro é que a artista não nos dá a mínima chance de dizer não para a jornada.

Caso abrace a ideia, assistir e ouvir o que o álbum é parece ser como encarar uma chuva cair no quintal. Mas não do tipo que canta em tons opacos e totalmente trovejantes, e sim do que acalanta enquanto machuca e brada o fim do mundo. Se fosse possível desconectar da realidade, essa seria a trilha.

Em linhas gerais, o projeto calcula as contas sobre os fins que já correram por nossas veias e o quanto estamos familiarizados com a ideia de que tudo acaba e isso é (as vezes) positivo. É como se Phoebe Bridgers concentrasse a felicidade (se é que há) nos lamentos da guitarra e a tristeza nas explosões da bateria em um só campo.

Se esse parece o som ideal para se estar colocando no radar agora, as canções do segundo registro de estúdio definitivamente não vão decepcionar. Além de que colocam em pauta uma artista que provavelmente entregará um show excelente e diferente no Primavera Sound São Paulo.

Jardim, chuva e o excesso

Bridgers nos induz a um jardim de bifurcações claramente cavado para esclarecer como tudo ao nosso redor precisa de muitos significados. As canções em si, sonoramente, plantam isso, mas são as letras que evidenciam o melhor disso.

A ruína em acreditar muito e a desesperança em fazer com que isso soe exatamente como o fim do mundo são pontos cruciais para entender o cerne do “Punisher”. Tudo visto aqui faz parecer que se acabarmos amanhã, as raízes das árvores ao nosso redor tiverem uma divina razão para crescer. Em suma, até mesmo a totalidade tem o seu minuto final (como ela recita em verso de “Halloween”). Portanto, é isso que Bridgers faz com esse registro: semeia propósito.

Todas a tracklist é de verdade é um aperto no coração, mas “Garden Song”, “Halloween”, “ICU” e “I Know The End” culminam em sua existência os maiores atos em representar um álbum poderoso, sereno e visceral.

Ao mesmo tempo que escutar essas músicas representam o momento em presenciar a chuva, elas são ao mesmo tempo, as próprias gotas.

Phoebe Bridgers toca no domingo, 06 de novembro, na primeira edição do festival Primavera Sound no Brasil, que acontece em São Paulo. Mesmo dia dos headliners Travis Scott e Lorde.

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