Mais de quatro décadas após transformarem o cenário pop eletrônico britânico, o Pet Shop Boys continua demonstrando que alguns repertórios simplesmente não envelhecem — eles ganham novas camadas quando revisitados ao vivo. A dupla formada por Neil Tennant e Chris Lowe passou por São Paulo no último dia 3 com a turnê Dreamworld: The Greatest Hits Live, desta vez ocupando a Suhai Music Hall, nova casa de shows da cidade, criada para suprir uma demanda antiga por espaços capazes de receber apresentações em escala de arena.
A apresentação também marcou o retorno relativamente recente da dupla ao país. A última visita havia sido em 2024, durante a segunda edição do Primavera Sound São Paulo, e o espetáculo segue essencialmente a mesma fórmula e setlist daquela ocasião. Não há grandes surpresas na estrutura do show — e talvez nem precisasse haver. A proposta da turnê Dreamworld é justamente essa: uma celebração cronológica do catálogo da banda, costurada como um grande palco de hits.

Mesmo sem grandes novidades desde a última passagem pelo Brasil, o Pet Shop Boys prova que a fórmula continua funcionando. O repertório mistura faixas do Nonetheless (2024), álbum mais recente da dupla, com alguns dos maiores clássicos do synth-pop. Nas clássicas “West End Girls”, “It’s a Sin” e “Being Boring”, o que se vê é um coro coletivo que atravessa gerações, com o público cantando cada verso como se estivesse revisitando memórias pessoais embaladas por sintetizadores, deixando claro que a nostalgia continua sendo um combustível poderoso para aquecer qualquer pista de dança.
E talvez seja justamente aí que mora o verdadeiro trunfo do duo. Mesmo após mais de 40 anos de estrada, o Pet Shop Boys continua mostrando por que se consolidaram como um dos nomes mais importantes do pop eletrônico. Com carisma, precisão estética e uma energia surpreendentemente intacta no palco, Tennant e Lowe transformam cada apresentação em uma celebração elegante de sua própria história — e em mais uma prova de que algumas fórmulas, quando bem executadas, simplesmente não param de funcionar.
***
Texto redigido por Luis Felipe Moura e supervisionado por Diego Stedile









