The Lumineers retorna ao Brasil com grandes sucessos e sente o calor do público brasileiro

Banda americana se apresentou no Rio, São Paulo e em Curitiba, onde conferimos o show

Não é novidade que o Lumineers ama o Brasil — e com razão. Nas últimas passagens por aqui, em 2014, 2020 e a mais recente em 2023, trouxeram a BRIGHTSIDE Tour e já deixavam evidente uma conexão que só se fortaleceu com o tempo. Todo show da banda em terras tupiniquins carrega uma energia particular, e em Curitiba não foi diferente. Wesley Schultz (vocal e guitarra) e Jeremiah Fraites (bateria, percussão e piano), acompanhados por sua banda de apoio, lotaram o Live Curitiba com uma apresentação que soube equilibrar bem as diferentes fases da carreira.

Para quem chega sem referências, a expectativa é de um show intimista, quase contido, sem grandes excessos de produção e, de fato, essa essência está lá. Mas reduzir a experiência a isso seria pouco. O palco se transforma em um espaço conjunto onde os músicos alternam instrumentos, funções e protagonismo a todo momento. Essa dinâmica cria um fluxo constante que prende o olhar, sendo às vezes contemplativo, ora expansivo. Há, sim, uma estrutura ensaiada, mas ela nunca engessa o espetáculo. O que se vê é uma banda confortável em improvisar dentro do próprio formato, reagindo ao público e se permitindo pequenos desvios que tornam cada apresentação única.

Jeremy — Rachel Deeb, Nick Demarais (reprodução)

A abertura ficou por conta de Rafael Witt, artista de Belo Horizonte que, após mobilizar as redes sociais em uma campanha, garantiu espaço nos três shows da banda no Brasil. O convite já seria significativo por si só, mas ganhou ainda mais força quando Witt subiu novamente ao palco para dividir um verso de “Gale Song” com Wesley.

Wesley Schultz, ao lado de Jeremy, aliás, conduzem o show com uma presença que mistura carisma e bom humor. Sem economizar na interação, ele rompe a barreira palco-plateia em “BRIGHTSIDE”, descendo para o meio do público e cantando cercado por fãs. Sem passarelas, sem distanciamento, apenas ele, a música e uma multidão. O resultado é uma catarse coletiva.

Outro ponto alto vem com “Big Parade”, quando Wesley propõe uma espécie de joguinho onde cada integrante assume um trecho da canção enquanto a plateia acompanha. O gesto é simples, mas inclui não só o público como a própria banda em um momento bem especial. No repertório não economizam nos acertos. Clássicos como “Flowers in Your Hair”, do álbum de estreia, aparecem ao lado de faixas como “Sleep On the Floor” e “Ophelia”, que seguem como alguns dos momentos mais aguardados do show. Há espaço também para músicas do III e, naturalmente, para o material mais recente, Automatic, que dá nome a turnê atual.

O encerramento com “Cleopetra” e “Stubborn Love” evidencia um ponto curioso: o Lumineers ainda se ancora bastante na força emocional dos primeiros álbuns, de 2016 e 2016. Mas, ao contrário do que poderia soar como acomodação, isso se transforma em uma celebração. Não há sinal de desgaste, apenas a reafirmação de um trabalho que continua funcionando. No fim, a banda entrega um espetáculo sincero, bem construído e emocionalmente eficaz. E o público, como já era esperado, devolve tudo em dobro.

The Lumineers – Automatic Tour (Curitiba 2026)

  • Sirius (The Alan Parsons Project song)
  • Same Old Song
  • Flowers in Your Hair
  • Angela
  • You’re All I Got
  • A.M. RADIO
  • Asshole
  • Gale Song (com Rafael Witt)
  • Donna
  • Ho Hey
  • Dead Sea
  • BRIGHTSIDE
  • Sleep on the Floor
  • Gloria
  • WHERE WE ARE
  • Submarines
  • Charlie Boy
  • Leader of the Landslide (com interpolação de “You Can’t Always Get What You Want” dos Rolling Stones)
  • Slow It Down
  • Automatic
  • Ophelia
  • Big Parade
  • My Eyes
  • Patience
  • Cleopatra
  • Stubborn Love
  • A Whiter Shade of Pale (Procol Harum)

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