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Violeta prova docemente que nunca é tarde para se expressar

Entre desafios e o peso de sentimentos complexos, Violeta vive música desde muito cedo mas sua real trajetória começa agora

Violeta Alvez, natural de Itajaí canta desde os 8 anos, mas seu verdadeiro começo na música se inicia agora aos 31. Participou de bandas, corais e grupos de música gospel da sua cidade, aos 21 anos começou a cantar em eventos como casamentos e formaturas, porém, foi apenas aos 23 que começou a fazer participações em álbuns artísticos.

Sua primeira parceria musical foi com o artista Rizzih, no seu álbum “Celeste”. Violeta é a voz que completa a faixa “A Sós” — música que conta a história dos dois melhores amigos. “Eu sempre quis muito cantar… Mas por ser uma mulher com deficiência, também tinha meus receios e medos, por esse motivo permaneci muito tempo ainda trabalhando fora da arte, mas com o tempo entendi que não havia a menor possibilidade de fugir do fato: eu já era uma artista”, relembrou Violeta sobre a ocasião.

Violeta tem osteogênse imperfeita, patologia conhecida como “ossos de vidro”, devido a fragilidade que trás a todos os ossos e cartilagens do corpo. Praticou um tratamento de reabilitação por cerca de 5 anos com pamidronato dissódico e com isso sofreu diversas fraturas físicas durante sua vida, desde clavículas até pés, mas a mais delicada aconteceu aos 20 anos, quando fraturou o colo do fêmur.

“Foram duas cirurgias muito difíceis e uma recuperação extremamente dolorosa. Na segunda cirurgia, que precisou ser feita pois um dos pinos colocados no fêmur se movimentou, perdi muito sangue, precisei fazer alimentação parenteral parcial, permanecer em repouso absoluto…” explicou Vi. “Enfim, foi a cirurgia mais difícil da minha vida, mas consegui passar por isso.”

Após essa cirurgia, a vida da artista catarinense mudou devido ao forte abalo femural, ela não poderia mais caminhar sozinha ou sem auxílio, fez uso de bengala por um longo período, e em seguida, o uso do andador. “O andador me dá muito mais liberdade e também independência quando estou em locais públicos e quero me locomover sem a ajuda de ninguém. Fico muito triste quando comparam cadeiras de rodas, muletas, ou até mesmo o andador a uma prisão, esses utensílios, nos auxiliam, e tudo que nos auxilia não nos prende, e sim, nos liberta.”

Violeta conta que durante sua infância e adolescência, sua única referência de alguém com deficiência era sua mãe, que tinha exatamente a mesma deficiência que ela. As duas eram muito próximas, amigas, companheiras. Ana Luiza, esteve com ela em todo seu período de tratamento, cirurgias, pós operatórios, recuperações de fraturas. E sua mãe também apoiava muito seus sonhos; “Minha mãe era, e ainda é, tudo na minha vida, mesmo que ela não esteja mais aqui de corpo presente, ela sempre estará dentro de mim, e em tudo que faço.”

A mãe de Vi faleceu em 30 de julho de 2017, ano em que a artista planejava iniciar sua carreira artística, porém, tudo acabou mudando após esse fato. Em setembro do mesmo ano, Violeta decidiu se dedicar 100% a focar em sua carreira. Logo em 2019, em parceria da produtora Sabrina Vianna, que escreveu seu projeto na Lei de Incentivo a Cultura de Itajaí, Violeta foi contemplada com uma das cotas, para poder iniciar o projeto de seu EP musical.

“Me lembro até hoje da minha produtora e amiga dizendo ao telefone para que eu sentasse para me dar a notícia de que meu projeto havia passado!” explica Vi com euforia. “Na hora eu fiquei totalmente em choque, e só foi cair a ficha mesmo, quando recebi o certificado de enquadramento do projeto.”

Em 2020 Violeta lançou seu primeiro livro “O Sono das Plantas”, contemplado através do Edital Meu Primeiro Livro da Fundação Cultural de Itajaí, contendo contos e poemas, escritos no decorrer de sua vida. Estes contam sobre desilusões, amores, momentos difíceis que passou e reflexões. A própria Violeta diz que “o livro é seu coração, pois ali estão todos os seus sentimentos de uma vida.”

Ao pensar sobre sonhos, anseios, desejos para o futuro, Violeta pensa calma, mas ainda quer realizar muitas coisas, e uma delas, que para si acredita ser a mais importante, é ser uma referência a qual ela nunca teve.

“Onde estão as mulheres com deficiência? Onde elas estão na indústria da música? Da moda? Nas capas de revistas? Nas propagadas do horário nobre? No catálogos de lingerie? Nós não existimos ou a sociedade que não nos dá suporte para existir? Eu quero ser para outras meninas e mulheres com deficiência, tudo aquilo que não tive, toda a referência que me faltou. E que mostrar pra elas, que mesmo que a sociedade esteja contra nós, ou até mesmo o governo, que nós podemos, que nós conseguimos, e que todo sonho é possível.”

Violeta vive a música desde muito cedo. Mas é a partir daqui que a arte realmente se entrelaça com sua vida e toma forma no novo single inédito que chega na próxima sexta (13 de maio) com direção criativa de Luis Henrique Crema e Égide Movement.

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