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Capa do álbum "OK Human", da banda Weezer.

Crítica | Weezer, “OK Human”

“OK Human”, décimo quinto álbum do Weezer, agrega reflexões e alívios em meio a tempos confusos com seu lançamento repentino.

 

Os fãs de Weezer já estavam animados com os planos de 2021 da banda. O adiamento da Hella Mega Tour, a ser realizada ao lado das bandas amigas Green Day e Fall Out Boy, teve suas datas adiadas para o presente ano. Além disso, um álbum também está no caminho: o tão esperado “Van Weezer” (um álbum inspirado no hard rock de bandas como KISS, Black Sabbath, Metallica e, é claro, no trabalho do saudoso e talentoso Eddie Van Halen, como o próprio nome do disco já indica). O que os fãs não esperavam era o lançamento de outro álbum, “OK Human”, programado para ser concebido antes mesmo do “Van Weezer”.

O conceito do álbum surgiu do produtor Jake Sinclair, que começou a plantar a ideia do disco em 2017, antes mesmo da pandemia causada pelo novo coronavírus. A ideia era gravar a banda juntamente a um piano e a uma orquestra. Sinclair afirma que queria que o resultado fosse pessoal e meloso, sem se preocupar com o potencial comercial do álbum. A ideia foi bem recebida pela banda, e o “OK Human” estava praticamente pronto quando a Hella Mega Tour foi anunciada, em 2019. A comicidade de Weezer, experimentada pela banda ao longo dos anos, retorna em uma tentativa fracassada de produzir humor e acerta em cheio nas preocupações do coletivo. As letras, minimamente cafonas, mantém o grupo na linha de testes de sua própria discografia.

Imagem de divulgação do site OK Human. O site é disposto em um computador antigo.

“OK Human”, o décimo quinto álbum do grupo estadunidense, teve um anúncio à la Weezer. A banda aproveitou de seu lado divertido e criou um site interativo com captchas e verificações virtuais contrárias às esperadas: enquanto temos que provar, muitas vezes, que não somos robôs para que consigamos logar em sites e plataformas virtuais, no site do “OK Human” é preciso provar que não somos humanos. Toda essa jogada traz à memória o álbum “OK Computer”, lançado pela banda britânica Radiohead em 1997.


Embora tenham nomes parecidos, as temáticas entre os dois discos são uma imperfeita antítese. Ambas as obras tratam dos fatores alienação, incerteza, isolamento e consumismo em relação ao futuro. O pessimismo do Radiohead é muito mais forte e presente do que a incerteza de Weezer – o que, a ditar os anos em que ambos os trabalhos foram lançados, era mais esperado contar com incertezas antes de pessimismos, e não na ordem que os dois discos levam esses questionamentos aos ouvintes.

Mesmo com melodias alegres e simples, as letras das doze canções do último álbum do Weezer não se apresentam tão otimistas, e promovem reflexões sobre o uso de telas, questões matemáticas e até mesmo sobre a presença da tristezas nas canções que ouvimos. A sonoridade bem mais calma do que a esperada para um trabalho da banda surge em um momento oportuno em meio à exaustão pandêmica generalizada.. O grupo californiano integra elementos de uma orquestra composta por 38 peças para um trabalho técnico completamente analógico. Não só por esse ponto, a banda também evoca elementos sonoros instrumentais das décadas de 1960 e 1970, como por exemplo “Nilsson Sings Newman”, de Harry Nilsson. Não existem guitarras elétricas, tampouco reverberações, click tracks ou loops. “OK Human” é um álbum verdadeiramente simples, porém contemplativo e agradável.

O clipe da primeira faixa do álbum, “All My Favorite Songs”, retrata a necessidade e a dificuldade que é tentar se desconectar de aparelhos celulares e computadores de quaisquer tipos. As relações humanas, por mais que sejam permeadas e, muitas vezes, aproximadas por redes sociais, conseguem ser igualmente mais distantes e frágeis por causa desse mesmo facilitador. Viver em um mundo inteiramente conectado não é completamente necessário, mas arrancar os cabos que nos mantém operantes requer mais iniciativa do que conseguimos imaginar.

Nota da autora: 71/100

 

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