“X-Men —  O Filme” necessário para a época

X-Men

Talvez 2019 tenha sido o grande auge para o cinema de super-heróis com a estreia de Vingadores: Ultimato, filme que concluiu a primeira grande saga do universo cinematográfico Marvel.

Olhando para trás, podemos dizer que o ano de 2008 foi definitivo para entrarmos na era de ouro dos heróis no cinema. Homem de Ferro (2008) e Batman: O Cavaleiro das Trevas (2008) chegaram aquele ano nas telonas, tornando o gênero o mais lucrativo da última década, contudo antes disso, já haviam produções que abriram caminho para que público e crítica aceitassem que adaptações de quadrinhos de super-heróis era algo promissor no cenário cinematográfico. Mesmo com Superman e Batman fazendo sucesso nas décadas de 70 e 80 respectivamente, não havia chegado um filme que realmente mostrasse o quão profundo adaptações das páginas dos quadrinhos podiam ser.

Stan LeeO criador

Stan Lee sempre criou heróis que não tinham o perfil de deuses, como são os  heróis da DC. Como a maioria foi criada nos anos 60, ele aproveitava várias questões reais da época como a Guerra Fria, bombas nucleares e Guerra do Vietnã como base na origem dos seus heróis. Dessa leva veio Homem-Aranha, Hulk, Homem de Ferro, Demolidor, Quarteto Fantástico, os Vingadores e lá no fundo, mais sem tanta ideia, surgiu os X-Men.

X-Men foi o grupo de heróis que Stan Lee criou numa época que o quadrinista já não sabia de onde inventar origem de poderes. Assim nasceram os Mutantes, grupo de pessoas que possuíam o Gene X e ganhavam habilidades fora do normal. A questão de seres humanos que já nascem com habilidades especiais, que geralmente se manifesta na adolescência, gera o temor e ódio de grande parte da sociedade. Essa abordagem é muito forte para ser trabalhada com os leitores e só na década de 80 que realmente os X-Men foram tratados de uma forma que o leitor se importasse com os personagens e o cerne da mensagem se mantivesse na história. O mesmo aconteceria vinte anos depois.

Fidelidade aos HQs

O filme X-Men não é o que se pode dizer de fidelidade aos quadrinhos. Todo visual colorido foi substituído por um clima sério, os uniformes dos heróis, cada um de uma cor e personalidade, aqui mudados para um couro preto; e algumas liberdade com alguns personagens foram tomadas. Entre elas, o Wolverine do Hugh Jackman. Apesar de visualmente não se assemelhar tanto ao baixinho dos quadrinhos, é nesse filme que a personalidade do personagem mais se assemelha com o que líamos – até o lançamento de Logan (2017) – e apresentou o ator que iria imortalizar o Mutante canadense nas telonas!

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O diretor Bryan Singer, que é um Homossexual assumido, soube como ninguém trazer toda aquela analogia por trás das histórias dos Mutantes. Como a população e políticos, na figura do Senador Kelly, temem essa “minoria” e propagam discursos odiosos e conservadores com o intuito de evitar “o fim da raça humana”. Contudo os Mutantes também têm as sua diferenças ideológicas em relação à esse tópicos. Muito dessa linguagem social e política é abordada no filme nas figuras dos líderes Mutantes: Charles Xavier, o Professor X (Patrick Stewart), líder dos X-Men e que acredita que os humanos e Mutantes podem conviver em harmonia, e Magneto (Ian McKellen), Líder da Irmandade de Mutante, que crê radicalmente que os Mutantes são a nova raça dominante na evolução e por isso a única a andar sobre a Terra. Uma relação totalmente inspirada nas visões e ideologias de Martin Luther King e Malcolm X. A conversa que os dois têm no final do filme já traça muito da diferença entre os dois e prepara o que pode vir a se tornar uma caça aos Mutantes na sequência!

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Uma ideia atemporal?

Claro que X-Men foi um filme que visualmente envelheceu, e muito. Desde que a Marvel Studios criou o MCU e fez filmes como Homem de Ferro (2008), Os Vingadores (2012) e Guardiões da Galáxia (2014), o público abraçou essa linguagem mais leve, colorida, tirada diretamente das páginas dos quadrinhos. Coisa que dezenove anos atrás não funcionaria, principalmente pensando o quão perto de Batman & Robin (1997) o primeiro X-Men foi lançado.

Não só isso, mas os efeitos visuais hoje são considerados toscos. Muitos fios presos aos atores para causar efeito de pulo ou voo; personagens inúteis como o Groxo, mas que por possuir uma língua de sapo é um poder fácil para usar computação gráfica; o visual exagerado do Dentes de Sabre, que destoa do couro preto nos outros heróis e vilões; sem falar na peruca falsa da Tempestade (Halle Berry). A trama é daquela estrutura clichê dos heróis (em uma época em que não era um plot batido) que vão ter que enfrentar o grande vilão que quer destruir a humanidade e para isso tem uma arma infalível, que é a Vampira. Contudo, por mais simples que seja, o desenvolvimento funciona e a essência por trás das histórias dos X-Men é respeitada.

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Da mesma forma que as primeiras edições dos X-Men nos quadrinhos são datadas para o público atual, a mensagem por trás continua grande e o mesmo acontece com o filme de 2000. Apesar da linguagem e modo de contar as histórias dos X-Men hoje nos cinemas ficou bem ultrapassada – ao ponto de X-Men: Fênix Negra (2019), filme que em teoria conclui essa franquia iniciada em 2000, ter uma procura e interesse muito baixa – essa foi a base inicial que ao lado de Homem-Aranha (2002), iniciou a leva de filmes de super heróis que surgiram nos últimos dezenove anos. Filmes que hoje podem ir além de  apenas bons entretenimentos e serem  socialmente relevantes como Mulher-Maravilha (2017), Pantera Negra (2018) e Capitã Marvel (2019) ou grandes épicos como Vingadores: Guerra Infinita (2018) e Vingadores: Ultimato (2019).

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