13 anos de Glee e uma versão minha continua grata

Há alguns dias, subiram algumas trends no Twitter sobre o que seria Heartstopper para as gerações antigas (“this was my Heartstopper”) e o meu foi Glee. É indubitável afirmar o quanto as representações LGBTQIA+ foram crescendo na mídia. Chegou a um ponto que é comum ver uma série sobre um casal de dois homens sendo simplesmente felizes. Mas, bom, há algo que une várias pessoas da comunidade com um pouco mais de 20 anos: Glee.

Naquele 19 de maio de 2009, Glee não era a sombra do que se tornaria anos depois, com influência entre jovens que conseguiram se sentir representados pelos personagens da série. Com uma mensagem forte sobre autoaceitação, Ryan Murphy construiu uma trama onde cada uma das situações era possível de se acontecer com qualquer aluno de ensino médio, seja acerca de violência escolar, planos para o futuro, processo de autodescobrimento, e tantos outros tópicos delicados.

Sim, hoje a série é mais conhecida pelas tragédias do que necessariamente pela trama ou pelo talento dos atores. Entretanto, ter modelos explícitos de casais homoafetivos foi essencial pra formação e aceitação de muitos jovens dessa faixa etária. Ver Kurt (Chris Colfer), um homem gay afeminado, sofrendo bullying e passando por cima disso apenas para ter o direito de existir; ver Santana (Naya Rivera), uma mulher lésbica que tinha um alto nível de rejeição por medo, percorrer um caminho imenso para se aceitar; Brittany (Heather Morris), uma jovem bissexual que sempre se mostrou aberta e consciente da sua própria sexualidade e do que ela era; e a Unique (Alex Newell), uma mulher trans que teve que brigar com muita gente pra conseguir ser o que era.

Entre muitas músicas, Glee conseguiu mostrar àqueles jovens adolescentes que tava tudo ok ser diferente, porque o que importa é o que a gente é. Mesmo que pareça ser um pensamento idealista e irreal, a esperança que a série nos passou foi primordial. Conseguir aguentar mais um dia na pele de alguém que não se conhecia o suficiente pra entender o que era se tornou mais fácil. Muitos de nós nos descobrimos com os personagens, e isso é algo que ninguém nunca vai nos tirar. Com 26 anos, 13 anos depois de ver aquele primeiro episódio, eu percebo que, sem aquilo, meu caminho como jovem LGBTQIA+ seria muito mais difícil.

Por isso, independente das problemáticas da série — que com certeza são reais —, Glee surgiu como um bote salva-vidas a quem nem sabia que estava se afogando. E não há como não ser grata por, 13 anos atrás, a FOX ter lançado algo que mudou a vida de tanta gente e fez um grupo de pessoas deixar de somente existir e passar a viver.

Por Mariana Magalhães

Kpoper e swiftie desde adolescente. Amante de musicais, filmes de drama com finais abertos ou não-felizes e ama um livrinho de adolescente. Professora, formada em direito, com um pezinho na sétima arte.


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