Quando falamos de bandas que sempre estão no Brasil, nomes como Iron Maiden, Foo Fighters e Maroon 5 sempre vem à mente. Mas tem um grupo que tem tantas vindas para cá quanto eles e, sempre quando vem, estão meio fora do radar: o Interpol. Contando com a vinda ao Lollapalooza Brasil 2026, essa é a sétima vez que o grupo nova-iorquino desembarca aqui, praticamente uma vez para cada álbum lançado, feito raríssimo levando em conta uma banda com tanto tempo de estrada.
A banda era originalmente um quarteto. Naturais de Nova Iorque, o grupo começou suas atividades em 97, com Paul Banks e Daniel Kessler nos vocais e guitarras, Carlos Dengler no baixo e teclado e Greg Drudy na bateria. Atualmente, Paul e Daniel continuam e Urian Hackney substitui Sam Fogarino, que estava há mais de 20 anos no comando das baterias.
O Interpol surge na efervescência da cena independente americana, muito influenciado por nomes como Joy Division e The Smiths. Seu começo de carreira converge com o boom do indie rock nos anos 2000, catapultando a cena cosmopolita juntamente com The Strokes e Yeah Yeah Yeahs.
O debut da banda é lembrado até hoje como o melhor disco deles. Turn on the Bright Lights (2002) apresenta o post-punk para a nova geração, consolidando o Interpol como baluartes da melancolia, com suas guitarras marchantes, melodias charmosas e letras tristes que traduziam o sentimento da juventude nova-iorquina pós 11 de setembro.
Na sequência, o grupo lança Antics (2004) e continua em alto nível. A imagem ao mesmo tempo cool e soturna criada pelo registro anterior é amplificada nesse trabalho, que entregou clássicos como “Slow Hands” e “Evil”. A partir daí o Interpol, paradoxalmente, se tornou gigante – tanto que suas músicas emplacaram em seriados como Friends e Six Feet Under – mas de forma bastante comedida.
A maré boa continua com Our Love to Admire (2007), mas com seu autointitulado, de 2010, as coisas começam a desandar. A banda vivia um caos interno e acumulava desentendimentos por conta da saída de Carlos Dengler. A perda foi um tanto quanto inusitada: Dengler odiava tocar baixo. Por conta disso, após a turnê do disco, o grupo resolveu entrar em hiato. De acordo com Sam Fogarino, baterista da época, o tempo afastado foi essencial para que os membros se reencontrassem musicalmente e descansassem do sucesso repentino.

O Interpol volta em 2014 com El Pintor – anagrama ao nome da banda – e retorna aos tempos áureos. O disco equilibra perfeitamente a sonoridade do grupo com os rumos que o indie daquela época tomava. Foi com esse registro que eles estrearam em terras brasileiras, na edição 2015 do Lollapalooza. Desde então, são mais dois discos, Marauder (2018) e The Other Side of Make-Believe (2022) e mais cinco vindas ao Brasil, incluindo a edição de 2019 do Lollapalooza e a estreia do Primavera Sound no continente sulamericano.
Confirmados para se apresentar na sexta-feira de Lollapalooza Brasil 2026, dia de Sabrina Carpenter e dos também veteranos Deftones, o Interpol e seus quase 30 anos de carreira surgem como uma das atrações mais velhas do line-up. No entanto, longe de ter um som datado, a banda promete fisgar público novo com o indie característico (e por vezes nostálgico) que formou o festival.









