Ebony narra trajetória de cura e ascensão com versão (De Luxo) do elogiado “KM2”

Com sete novas faixas, entre canções e poemas, — incluindo “Dona de Casa”, que abriu o projeto —, artista entrega um trabalho mais íntimo e maduro

“Eu tenho sangue ruim, eu resolvo sozinha. Tenho a cor do pecado, do pé na cozinha”. É com esses versos que Ebony abre KM2 (De Luxo), versão completa, com mais conceito e representatividade, do álbum lançado em maio do ano passado. A faixa “Sangue Ruim” já indica as questões raciais que atravessam todo o trabalho. “Eu sou Deus. Mas, se eu morro, ninguém sente minha falta”, continua a letra.

A escolha da faixa 1 simboliza um novo momento da artista, com mais segurança e coragem para expor o íntimo. “Eu sempre escrevi poesias, haikaiss, tragédias, roteiros de filmes e sempre senti muita vergonha de mostrá-los. Esse poema foi a primeira coisa que senti coragem o suficiente”, conta. O impulso veio também do cenário atual, com casos de feminicídio, especialmente contra mulheres negras, em alta. As palavras surgem como estratégia de guerra e transformação.

Com sete novas faixas, incluindo “Dona de Casa”, KM2 (De Luxo) mergulha nas referências de Ebony. O álbum transita por funk, bass, drum, MPB e rap. A presença de Sojourner Truth surge como reflexão central — “E eu não sou uma mulher?” — conectando passado e presente. A artista também incorpora referências pessoais, marcadas por sua trajetória e busca por identidade.

Na reta final, faixas como “Baddie Radio” e “Chefe” consolidam a narrativa de ascensão. Ebony transforma dor em afirmação: “Você está ouvindo em tempo real a ascensão de uma jovem negra”. Milena Pinto de Oliveira se encontra na arte e propõe um convite à representatividade. Com direção visual de Hester Landim, o projeto reforça essa jornada entre memória, dor e pertencimento.

Related Posts

Total
0
Share