O mineiro Renato Enoch lançou o single “todo sim” que já chegou com clipe oficial super produzido. O trabalho visual amplia a atmosfera da canção através de uma linguagem que mistura as ideias de artificialidade, ilusão e memória, unindo cenografia real construída em estúdio, efeitos visuais e intervenções digitais.
Nova sonoridade
A voz expressiva de Renato Enoch é embalada por uma sonoridade tropical e atmosférica, combinando o som macio da guitarra com a textura dos sintetizadores em uma levada que remete ao R&B contemporâneo. A produção musical é assinada pelo próprio artista, com coprodução e mixagem de Fillipe Glauss e masterização de Fili Filizzola.
A faixa “Todo Sim” dá continuidade ao universo já apresentado nos singles anteriores do próximo álbum de Renato Enoch: “No escuro (sigilo)”, mais dançante e provocativo, e “Lamento do arremate”, de tom emotivo e melancólico, delineando diferentes estados emocionais dentro de uma narrativa maior que será apresentada futuramente.
Praia artificial: entre o sonho e o real
O cantor e compositor também é designer e produtor audiovisual, e assumiu a direção criativa e efeitos visuais do projeto. A construção visual aprofunda a relação entre música e imagem que atravessa todo o seu trabalho autoral e o artista reforça: “é um projeto totalmente independente, feito por uma equipe de amigos, sem utilizar nada gerado por IA e com muito trabalho na edição”.
O clipe se inicia com a imagem do artista à beira-mar e acompanha a narrativa da canção: um encontro ensolarado cercado por desejo, entrega e uma inevitável despedida. Em um primeiro momento, o vídeo constrói a ilusão de uma praia real, mas, aos poucos, a encenação é revelada: a praia passa a existir dentro de um estúdio, com areia espalhada no chão, cadeiras de praia e painel cenográfico. O contraste entre o natural e a artificialidade é um dos elementos centrais.
A transição acompanha o próprio movimento da canção, que deixa o mergulho emocional numa “memória vívida” para encarar a realidade, marcada pela despedida e evocada pelos versos: “Choro de verão / Distância, o gosto amarga”. Ainda assim, fica implícito um tom esperançoso e a ideia de permanecer aberto para a vida mesmo após o fim de um ciclo.

Piscina, edifício icônico e efeitos visuais
Parte das cenas do videoclipe foi gravada de maneira artesanal dentro de uma piscina, utilizando um iPhone e iluminação externa para criar os takes submersos que aparecem ao longo da narrativa. Já as demais cenas foram realizadas em estúdio com chroma key e posteriormente reconstruídas digitalmente através de efeitos visuais, montagem feita pelo próprio Renato com direção de fotografia de Gabriel Delano.
Em uma das sequências, o artista aparece diante do icônico Edifício JK, em Belo Horizonte, projeto histórico de Oscar Niemeyer que recentemente voltou ao centro das discussões após o lançamento do podcast “A Síndica”, do jornalista Chico Felitti. Os cenários do vídeo foram criados a partir da combinação entre elementos físicos e manipulação digital.
Renato utilizou filmagens reais de paisagens e ambientes urbanos, integradas posteriormente às cenas de estúdio, criando imagens que transitam entre o cotidiano e o surreal. Nas cenas da cidade, o belo-horizontino Renato segura um espelho laranja (daqueles tipicamente brasileiros) que reflete imagens da praia em meio ao cenário urbano, criando uma composição surreal marcada pelo verso “na cidade vou lembrar”.
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