De tempos em tempos um artista nos move de um jeito incomum. Entra na nossa mente e ocupa os pensamentos numa frequência acima dos demais. Ao invés de tentar esquecer ou ouvir outra música para distrair, vamos à fundo: revisitamos a discografia inteira para matar a saudade, relembrar pérolas escondidas ou até reparar pela primeira vez em algo que passou despercebido.
No mergulho por esses artistas, nos propusemos algo diferente: e se fosse possível condensar, escolher algum destaque que resuma — ou abrilhante — esse disco? Adele foi a primeira escolhida nesse desafio, e agora, resolvemos voltar à pista de dança.
Revisitamos quase 50 anos de música e história. Sim, porque é impossível ouvir ou pensar Madonna sem lembrar (ou estudar) os movimentos socioculturais que a moldaram – ou que foram moldadas por sua música.
Agora, com o lançamento do aguardado décimo quinto álbum de estúdio da artista, CONFESSIONS II, escutamos toda a discografia de Madonna e tentamos listar as 3 melhores faixas de cada um de seus trabalho. Tarefa não tão simples, mas muito prazerosa.
Confira a seguir:
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“Madonna”
1983
O início quase estridente da maior estrela do pop começou nas danceterias de Nova York, o debut com músicas muito similares e que pretendiam fazer o ouvinte dançar sem parar. Dali já vieram seus primeiros clássicos, mas possivelmente as que melhor resistiram ao tempo foram:
- Holiday
- Everybody
- Physical Attraction

“Like a Virgin”
1984
Apenas um ano após sua estreia, um novo disco já buscava seu lugar no mundo. Com produções de Nile Rodgers, esse disco ajudou a refazer a imagem da cantora, que agora provocava e empoderava mulheres a fazer o mesmo. Um marco dos anos 80, mas talvez o trabalho mais enjoativo da artista.
- Love Don’t Live Here Anymore
- Material Girl
- Like a Virgin
“True Blue”
1986
Com uma postura e persona inédita, Madonna apontava para os anos 90 com seu primeiro grande amadurecimento musical. Com músicas mais densas e letras mais profundas, foi esse disco que cravou Madonna como uma artista essencial na música.
- Papa Don’t Preach
- Live to Tell
- Open Your Heart
“Like a Prayer”
1989
Álbum imprescindível na música pop, Like a Prayer foi marcado por transformações sociopolíticas e, por isso, mescla a leveza característica dos primeiros anos de carreira de Madonna e as provocações religiosas e sociais que viriam a marcar sua trajetória.
- Like a Prayer
- Express Yourself
- Cherish
“Erotica”
1992
Um dos discos mais provocantes da história, Erotica usa batidas hip-hop, pop e influências urbanas da cultura clubber de Nova York para desafiar as discussões de gênero e sexualidade. Sendo um álbum conceitual transmídia, foi um dos trabalhos mais arriscados da música pop, sendo um divisor de águas na carreira de Madonna.
- Erotica
- Bad Girl
- Rain

“Bedtime Stories”
1994
Ainda sob densa nuvem de críticas com a fase Erotica, Madonna abre Bedtime Stories dizendo que “não era um anjo ou uma santa”: estava muito ocupada sobrevivendo. Mesclando o R&B, o pop e o downtempo, Madonna brincou com influências groove e hip-hop para criar seu disco mais suave e atemporal.
- Secret
- Love Tried to Welcome Me
- Human Nature
“Ray of Light”
1998
Possivelmente o primeiro grande trabalho experimental da artista, Ray of Light apontava para o futuro enquanto fazia movimentos mais introspectivos, provocados pela gravidez da artista. Apostando no EDM misturado ao dancepop, techno, trance, trip hop, ambient e drum and bass, esse é um dos discos mais dinâmicos de Madonna e um dos favoritos dos fãs.
- Ray of Light
- Nothing Really Matters
- Frozen
“Music”
2000
Agora explorando a mistura country/folk com o house, pop e techno, Madonna abriu o novo século com um trabalho hipnotizante, que se dividia em momentos intimistas/acústicos com violão e as batidas características da artista, e momentos orquestrados ou com sintetizadores provocantes e irresistíveis.
- Don’t Tell Me
- Paradise (Not For Me)
- What It Feels Like for a Girl
“American Life”
2003
Até hoje incompreendido, é um dos discos que mais divide a opinião dos fãs. As experimentações e distorções são o carro-chefe do trabalho, que traz letras confessionais em batidas repetitivas, às vezes desconfortáveis, às vezes acolhedoras. Com influência gospel em “Nothing Fails” e a orquestra alucinante de “Die Another Day”, é um dos discos mais interessantes da artista.
- Hollywood
- Nothing Fails
- Die Another Day

“Confessions on a Dance Floor”
2005
Já sentindo impactos do etarismo e das provações de seus trabalhos recentes, Madonna entrou na era Confessions com sede de vitória, e conseguiu. Ninguém resistiu ao magnetismo do pop feito com Stuart Price, que era ao mesmo tempo divertido e inteligente, profundo e nostálgico, encorpado e inesquecível. Um dos trabalhos mais importantes de sua carreira.
- Hung Up
- Get Together
- Isaac

“Hard Candy”
2008
Possivelmente o momento em que Madonna deixou de ditar as tendências para segui-las, o disco traz forte influência de Pharrell, Justin Timberlake e Timbaland — produtores do disco. Além de parcerias com os artistas em diversas faixas, é compreensível porque muitos consideram Madonna “perdida” num disco que trazia pouco de si, embora as mensagens de empoderamento e a energia características da artista são inegáveis. Apesar das críticas, consideramos o último álbum sólido da artista por bons anos.
- Beat Goes On
- Miles Away
- Give It 2 Me
“MDNA”
2012
No sucessor de Hard Candy, Madonna começa a aparecer menos inspirada e mais suscetível às tendências. Grande parte do disco soa como tudo que era de fato produzido na época, sem grandes destaques ou momentos atemporais. No entanto, nas faixas escolhidas encontramos os melhores respiros ou influências de Madonna no álbum.
- Girl Gone Wild
- I Don’t Give A
- Love Spent (Acoustic)
“Rebel Heart”
2015
Vítima de inúmeros problemas (como vazamentos meses antes do lançamento em que nem mesmo as demos se pouparam), Rebel Heart é possivelmente o disco mais bagunçado, cansativo e maçante da artista. Com mais de 20 faixas, pouco se destaca (e sobrevive ao tempo) como as três que escolhemos abaixo.
- Holy Water
- Living for Love
- Devil Pray
“Madame X”
2019
Depois de eras mais comerciais e palatáveis, Madame X tenta resgatar as experimentações de Madonna em sua nova vida em Portugal. Influenciada pelo fado, funk e artistas portugueses, a artista vai da saudosa sanfona portuguesa ao autotune de Nova York, das batidas do hip-hop ao funk com Anitta em uma viagem musical. Embora algumas faixas não soem polidas como poderiam, esse disco é o lar inegável de grandes manifestos e movimentos contemporâneos.
- God Control
- Come Alive
- Crazy
“CONFESSIONS II”
2026
De volta às pistas de dança, Madonna se une novamente a Stuart Price (produtor colaborador do Confessions de 2005) para explorar o presente. Com letras confessionais, uma participação com a própria filha e elementos aprimorados do próprio trabalho, Confessions II não tenta refazer o que ficou bem sucedido há 21 anos. Madonna quer dançar, reunir as pessoas, celebrar a vida mas também unir passado, presente e futuro em dezesseis faixas eletrizantes.
- One Step Away
- Danceteria
- I Feel So Free










