Dois anos após serem headliners do Rock in Rio pela primeira vez, o Avenged Sevenfold, banda de metal formada por Matt Shadows, Synyster Gates, Johnny Christ, Zacky Vengeance e Brooks Wackerman voltou ao Palco Mundo do festival em 2026, desta vez para encerrar o segundo dia do evento. Previamente escalados para começar a apresentação às 00h05, a banda só foi dar início ao show por volta das 00h40, devido a um problema nos telões. O atraso deixou o público presente impaciente — com razão — já que haviam muitos fãs ali desde cedo. Toda a demora pareceu ser perdoada quando, enfim, a banda abriu o show com “Nightmare”, um dos maiores sucessos do grupo.
Com direito à fãs entoando até os solos de guitarra da faixa, feito que se repetiu algumas vezes durante a apresentação, tudo parecia indicar que seria um show nos mesmos moldes de qualidade da última apresentação deles pelo Rock in Rio. Acontece que a segunda música escolhida por eles logo após um grande hit não foi uma decisão muito boa. A música em questão foi “Magic”, lançada em 2025 e primeiro single oficial da banda depois do bom disco Life is But a Dream (2023). A canção foi criada em colaboração com a franquia de jogos Call Of Duty e dividiu os fãs do Avenged Sevenfold, principalmente pelo uso de autotune e efeitos na voz do vocalista M. Shadows. Durante toda a apresentação da faixa quase todo o público se manteve calado, literalmente esperando que a faixa acabasse o mais rápido possível.
Depois desta recepção pouco agradável, o Avenged Sevenfold voltou a tocar os grandes sucessos de seu repertório, como “Afterlife”, “Shepherd of Fire” e “Buried Alive”. Todas as faixas foram muito bem recebidas pelo público. É importante destacar o nível de qualidade do coletivo do A7F no ao vivo, já que eles se conhecem e tocam juntos a tanto tempo, os guitarristas Zacky Vengeance e Synyster Gates, por exemplo, apresentam uma química fantástica nas músicas, sempre se completando e se ajudando. Apesar de ter sido o último a entrar pra banda, Brooks Wackerman não fica para trás nesse quesito: o baterista, que já passou pelo Bad Religion, impressiona no nível de entrosamento com a banda.

Destaque para a relação do Avenged Sevenfold com o público brasileiro, já que o nosso país é um dos que mais ouve a banda no Spotify, por exemplo. A base de fãs que eles criaram por aqui é muito sólida e isso não é algo recente. E tudo isso se construiu de uma forma muito orgânica, basta lembrar da primeira vez que eles vieram para o Rock in Rio, lá em 2013, onde foram hostilizados e vaiados pelos fãs do Iron Maiden e mesmo assim continuaram fazendo suas músicas que os levaram para serem headliners do Rock in Rio por duas vezes seguidas, anos depois. O Brasil foi muito importante nesse quesito de apoio à eles.
Ainda sobre este tópico de hostilização à bandas alheias, o próprio M.Shadows destacou em um discurso no meio do show que não concordava com isso. A fala dele fez alusão a posts que o próprio vocalista do Avenged Sevenfold viu no seu feed do X (Twitter), sobre negatividade e brigas entre fãs de bandas e artistas diferentes do meio do rock. Shadows afirmou que todo mundo nessa nova era do Metal quer se ajudar e se apoiar e que os fãs deveriam fazer a mesma coisa.
M. Shadows manteve o nível vocal de sua apresentação de 2024. O vocalista teve que reinventar sua técnica e sonoridade ao longo dos anos devido a lesões nas cordas vocais, cirurgias e um processo intenso de reabilitação. Outro ponto notável é a da importância de Synyster Gates, que além de fazer um trabalho extraordinário nas guitarras da banda, como nas faixas “Buried Alive”, “Nobody” e “The Stage”, também realiza bons vocais de apoio em algumas músicas, como no clássico “Bat Country”.
Em certo momento da apresentação, desceram o kit de bateria de Brooks Wackerman para o meio da passarela, tornando assim o público mais próximo desse momento do show. Um dos pontos mais positivos da apresentação do Avenged Sevenfold no Rock in Rio de 2026. A ideia foi tão bem recebida pela plateia que o que era pra ser coisa de duas músicas, acabou se tornando quase integral, já que o baterista ficou lá até a penúltima música do show — o clássico “A Little Piece Of Heaven”, faixa escolhida especialmente para o show no Rio de Janeiro.
Mesmo com o atraso, foi um grande show. Não melhor do que as últimas vezes da banda no Brasil, mas ainda sim um grande show. Em certo momento, Shadows brincou com o público dizendo que eles estavam mais “calmos” do que o habitual e perguntou se o motivo era a chuva. Fato é que se não fossem quase quarenta minutos de atraso, o nível do show seria completamente diferente.
Avenged Sevenfold passou por muitas coisas até chegar nos dias de hoje: perderam o baterista e a mente mais genial do grupo, The Rev, problemas com a voz de Shadows e, recentemente, estão sendo duramente criticados pelo lançamento de seu último EP, intitulado Statica, que dividiu e bem a fã base do grupo. Mesmo com todos estes percalços, a banda segue mostrando que ser headliner de um festival como o Rock In Rio é para poucos e o fez de forma notória.









