Como fazer para aproveitar um festival quando o frio e a chuva não dão trégua? Se o line up contar com a presença do grupo BaianaSystem, é sabida a hora e o lugar em que as condições meteorológicas serão deixadas de lado. O projeto musical subiu ao Palco Sunset debaixo da chuva que marcou o domingo do primeiro fim de semana do Rock in Rio, dia 6 de setembro. A performance foi digna de palco principal, tendo ficado contida ao ser alocada na venue secundária.
Ao longo de sua performance, o BaianaSystem transformou a Cidade do Rock em um ritual latino-americano de exaltação da cultura popular. Sem fazer distinções entre grandes palcos e apresentações menores, o projeto manteve seu apelo ancestral, político e comunitário que coloca em suas músicas e performances. Além de passear por lançamentos recentes, como foi o caso de “Balacobaco”, o show manteve o tom crítico afiado, exemplificado pela exibição nos telões da imagem de uma bandeira em chamas acompanhada do protesto “sem anistia”. A condução da artista chilena Claudia Manzo e as intervenções rítmicas reforçaram a proposta de romper as fronteiras brasileiras e abraçar a identidade do continente.

O que era para ser um show musical foi, na verdade, uma celebração teatral que, sem dúvidas, teve a musicalidade nacional como centro. O espetáculo teve até nome: “O Ciclo” foi dirigido pela atriz Alice Carvalho, parceira artística da banda desde 2018, e foi concebido para conectar a força do sound system baiano às matrizes da cultura popular e às raízes latino-americanas. O conceito que dá nome à performance conduziu a narrativa do show como um rito, contando com a presença de Antônio Carlos e Jocafi e do coral As Ganhadeiras de Itapuã.
“Deixa molhar, abre essa roda aí”, disse Russo Passapusso para a plateia, que não precisava dessa fala para desfrutar do que acontecia no Palco Sunset naquele momento. Em um dia marcado por muita chuva, o show do BaianaSystem foi um dos pontos mais altos de todo o domingo musical — e o público respondia à altura. “Sulamericano”, “Lucro”, “Miçanga”, “Saci” e “Capim Guiné” colocaram a plateia em movimento, tornando-a mais um elemento da performance teatral da apresentação.
Próximo ao encerramento, uma substância não identificada fez parte do público passar mal. Em uma das tantas rodas de pogo, costumeiras nas apresentações do grupo, um spray foi lançado, de modo que algumas pessoas da plateia tivessem enjoo, tosse e dificuldade para respirar. Embora não se saiba a pessoa responsável por lançar o spray ou qual era a substância, a situação não teve maiores complicações, de modo que não foi necessário prestar atendimento médico aos participantes. A situação, no entanto, não fez parte dos artifícios usados pela banda para compor seu espetáculo, que entregou uma das melhores apresentações do terceiro dia do Rock in Rio 2026.









