CD volta a superar o vinil e se torna mídia física mais consumida

Relatório da Luminate mostra que o crescimento do CD ultrapassa o do vinil em quase 7 vezes

O mercado de música em mídia física o segue em expansão nos Estados Unidos, mas os holofotes já não estão só no vinil. Segundo o Relatório de Meio de Ano de 2026 da Luminate, divulgado em julho de 2026, as vendas de CD cresceram 16% no primeiro semestre, somando 16,3 milhões de unidades comercializadas — um avanço quase sete vezes maior que o registrado pelo vinil, que teve alta de apenas 2,4% no mesmo período.

O dado chama atenção porque, mesmo excluindo as vendas ligadas ao K-pop (gigantes do segmento), o CD ainda teria crescido 6,7%, o que indica uma recuperação do formato que vai além do impacto de um único gênero ou fandom. No cenário mais amplo de mídias físicas, a soma de vendas de LPs, CDs e fitas cassete nos EUA subiu 7,8%, totalizando 38,2 milhões de unidades no semestre.

O varejo de massa entra na disputa

Parte da explicação está na forma como o varejo vem se reorganizando. As chamadas lojas de “mass market” como Target e Walmart já concentram quase 30% do mercado de vendas físicas, crescimento diretamente associado à força do fandom de K-pop, que costuma investir pesado em edições colecionáveis.

Isso marca uma mudança em relação ao modelo tradicional do mercado de discos, historicamente concentrado em lojas independentes especializadas. Sem abandonar esse público, o CD parece estar conquistando um canal de venda paralelo, mais próximo do consumo de massa e do impulso de compra.

Créditos maorattias via Pexels

Superfãs impulsionam o formato físico

O relatório da Luminate também relaciona o fenômeno ao comportamento de consumo dos chamados “superfãs”. Cerca de 20% dos ouvintes de música nos EUA se encaixam nessa categoria, onde costumam engajar com artistas de cinco ou mais formas diferentes, seja comprando produtos, seguindo conteúdos exclusivos ou participando de comunidades de fãs. Desse grupo, 22% são superfãs de compra e 17% de engajamento, com 11% ocupando as duas categorias ao mesmo tempo.

A Geração Z e os Millennials respondem por 63% do superfandom de engajamento, o que ajuda a explicar por que o CD (antes visto como um formato ultrapassado) voltou a fazer sentido comercial. Para esse público, comprar um disco físico deixou de ser somente sobre ouvir música e passou a ser sobre pertencimento, colecionismo e apoio direto ao artista. A publicação também nota que fãs de perfil comprador e engajado tendem a ter renda familiar mais alta que a média dos ouvintes de música, o que dá ainda mais poder de compra a esse nicho.

Streaming também cresce, mas o físico surpreende

Como pano de fundo, o levantamento aponta um crescimento de 9,8% no streaming global de áudio no primeiro semestre de 2026, chegando a 2,8 trilhões de streams, significando uma leve aceleração em relação ao ano anterior. Fora dos Estados Unidos, o crescimento foi ainda maior, de 11,8%.

Isso mostra que o avanço do CD não vem às custas do streaming nem substitui o consumo digital: os dois crescem ao mesmo tempo, mas por razões diferentes. Enquanto o streaming segue como a porta de entrada para descoberta musical, o formato físico ganha força como extensão emocional e material dessa experiência — uma forma de transformar afeto por um artista em objeto tangível.

Um novo capítulo para a mídia física?

Para a Luminate, o quadro geral do primeiro semestre de 2026 é o de uma indústria “se expandindo em várias direções ao mesmo tempo”: streaming em alta, formatos físicos surgindo, público mais jovem redescobrindo hábitos analógicos. Não existe um único fator explicando o fenômeno, mas a combinação entre nostalgia, cultura de colecionismo e o peso comercial do K-pop por exemplo, parece ter dado ao CD um fôlego que poucos esperavam há alguns anos.

Resta saber se esse crescimento vai se sustentar no segundo semestre ou se, assim como aconteceu com o próprio vinil nos últimos anos, o CD está apenas vivendo seu momento de redescoberta antes de se estabilizar como nicho definitivo dentro do mercado físico.

Para ler o relatório completo publicado pela Luminate, acesse o site oficial da publicação.

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