Charli XCX acertou os fãs com show energético no Primavera Sound São Paulo

Abrir o show do Primavera Sound São Paulo 2022 com “Lightning” foi uma escolha auspiciosa de Charli XCX. O público do palco Beck’s, que esperava desde muito cedo na grade, sentiu a cantora vir definitivamente com um trovão. Melhor, como os estrondos de uma chuva que cura e até empolga.

Sendo um dos últimos da noite, era visível que quem estava acompanhando ao concerto nos fundos pela péssima visão do palco demonstrava certo cansaço; era o último dia e passava de 1h da madrugada de uma segunda. Porém, foi surreal como isso não serviu como impedimento para aproveitar ao elétrico frenesi de XCX.

Charli XCX / Crédito: Henry Redcliffe (@hredcliffe)

“Hot In It” alavancou a dose ideal de dança e sensualidade para quem assistia. Cantar o limpo refrão era temperamental. E a freshBoys“, que envelheceu dignamente bem, no ao vivo, ficou ainda melhor: foi o instante em só balançar-se de um lado para o outro.

O show seguiu com as batidas marcantes e o pop delicioso de Charli, que hora era mais experimental e agressivo, hora extremamente comercial e delicioso. “Vroom Vroom” foi um dos maiores momentos da noite, quando o público urrou as letras e se jogou com toda a energia que ainda tinham, surpreendendo a cantora e a internet com os vídeos do momento — que já viralizaram.

Mesmo assim, ainda houve momentos para os deep cuts e as fan favourites. Trazendo canções como “1999”, parceria com Troye Sivan, “Boom Clap”, o superhit da trilha sonora de “A Culpa é das Estrelas” e “track 10”. Ficou claro que o repertório viria diverso e com resgates de toda a sua carreira, comemorando a energia surreal dos fãs brasileiros.

O lado negativo foi que as excelentes músicas do álbum mais recente, CRASH (2022), ficaram de fora. Hinos como “Baby” e “Used To Know Me” não puderam ser vividas no meio da multidão e, honestamente, fizeram falta.

Mesmo assim, os fãs — e a artista — esbanjaram comprometimento, e entre o incentivo da cantora e o apoio da plateia, o show seguiu pela madrugada e encerrou às 2 da manhã, fechando a primeira edição com muitos gritos, luzes alucinadas e mais um espetáculo histórico da edição.

Apesar do “abandono” ao último álbum, Charli soube acertar precisamente o coração e o corpo dançante de todos os presentes, e com certeza algumas daquelas batidas ainda estão ecoando pelas árvores do polêmico palco Beck’s.

Foi impressionante ver como a audiência, por mais cansada que estivesse de dois dias extensos, não parava de contribuir para que desse tudo de si. Assistir Charli no palco provocava uma sensação frenética, não só pela força expressada, mas também pelo seu carisma e músicas que pareciam um energético auditivo.

Charli XCX / Crédito: Henry Redcliffe (@hredcliffe)

No fim, era simplesmente impossível não pular e se jogar ao som robotizado, as batidas viciantes e melodias grudentas. A atitude atrevida da cantora combinou com a energia que era necessária para seguir a noite. Não poderíamos ter vivenciado experiência melhor para encerrar a primeira edição do Primavera Sound São Paulo.

Por Edu

Designer gráfico e por agora, esperando o momento de realeza que a Lorde me prometeu lá em 2013.


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