Crítica | A Lista Terminal oferece ação pura com uma trama difícil de não se envolver

Basta um olhar para Chris Pratt para que seja possível deduzir de onde ele vem. O ator é basicamente um estereótipo do homem médio norte-americano. Sua voz, postura, estética… tudo grita cidadão dos Estados Unidos da América. E isso não é demérito algum, é apenas uma observação visual. O país em si é cheio de características extremamente marcantes, e uma delas é ligada ao seu patriotismo e a forma como ele é exercido. Suas forças armadas são exemplos de potências, e seja por terra, ar ou mar cada uma delas tem uma grande influência na sociedade.

A marinha dos Estados Unidos teve sua fundação há mais de duzentos anos, e segue sendo exemplo de carreira respeitada em sua terra. É de lá que saiu Jack Carr, um ex-comandante que após mais de vinte anos de serviço hoje é conhecido por sua outra carreira: a de escritor. Ele é o responsável pelo livro que agora é adaptado em uma produção de oito episódios pela Amazon Prime Video.

A Lista Terminal conta a história de James Reece (Pratt), um comandante da marinha que após retornar de uma missão traumática, começa a ter sentimentos de culpa enquanto luta contra memórias conflitantes e situações que parecem ser o que não são. Ou seja, temos uma história onde o autor da obra original sabe exatamente como seu protagonista pode se sentir e agir. A partir desse plano de fundo, a produção da Amazon já começa com uma das melhores decisões no que diz sentido a adaptações literárias — transformar um texto que já tinha doses bem cinematográficas em algo visual exemplar.

Durante seus oito episódios a crescente na narrativa faz com quem qualquer próxima decisão do protagonista traga um momento de tensão para quem acompanha. O começo é sólido e constrói uma trama que parece pequena a princípio, mas que basta chegar ao próximo ponto para que fique claro que estamos lidando em algo de escala quase colossal. Comentários sobre parecer com um filme estendido serão comuns, mas aqui, a riqueza de detalhes ao abordar os conflitos internos e externos de James Reece só seriam possíveis com uma longa duração.

Todo o trabalho de Chris Pratt na série não parece ter sido tão difícil, já que fica claro perceber na conduta do ator fora das telas o quanto ele se encaixa bem em um personagem como esse, então ele aproveita para aflorar uma interpretação em vezes contida (dada a personalidade um pouco fechada de Reece), mas que quando necessária se faz agressiva e muito imponente.

Além da presença daquele que é uma das maiores estrelas do cinema atual, nós temos um elenco de apoio onde ninguém deixa a peteca cair em momento algum. Em especial é recomendável prestar atenção a Constance Wu, que interpreta a jornalista Katie Buranek. Constance dá um contraste perfeito ao personagem principal justamente por possuir ideais e atitudes diferentes, e o trabalho da atriz em nada deve ao maior nome da produção.

The Terminal List / A Lista Terminal (Amazon/reprodução)

A Lista Terminal tem sequências de ação de qualidade, e para quem conhece os trabalhos do diretor Antoine Fuqua, sabe que o nível é bem alto. Seus pitacos não são apenas na direção, já que ele também atua como produtor executivo junto com Pratt e o roteirista David DiGilio. A história não inventa a roda em nenhum momento, a execução e premissa são tão elaboradas e direto ao ponto quanto as próprias missões da marinha norte-americana.

Isso tinha tudo para trazer previsibilidade, e pode ser que uma decisão ou outra leve o telespectador mais familiarizado com tramas do tipo tenha uma resposta que já esperava, mas em seu contexto geral é muito interessante perceber que determinados passos são dados sem enrolação, tecendo um caminho um pouco incomum.

Um dos maiores atrativos do seriado é ser mais acessível do que parece. Acompanhar um homem de família tentando desvendar possíveis segredos, traições e conexões já é o bastante para deixar qualquer um bastante interessado no desenrolar das descobertas de James Reece. Seus objetivos e razões vão deixando a trama cada vez mais envolvente a cada nova hora, e será muito fácil se ver assistindo mais episódios do que se achava capaz de acompanhar em apenas um dia.

Nota: 84/100

Por Luis Hora

Ouve e escreve muita música, já foi colecionador de vinil e faz reviews de discos. No momento está tentando aprender a tocar violão também.


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