Crítica | Dua Lipa, “Radical Optimism”

Dua Lipa refresca sua discografia com álbum dinâmico, divertido e necessário.

Poucas artistas tem a sorte de conquistar um álbum tão estrondoso quanto “Future Nostalgia”, o segundo álbum de estúdio da cantora anglo-albanesa. Dua Lipa conquistou esse feito mas não se deu por satisfeita: saiu rumo um próximo disco que pudesse expressar sua arte e seus sentimentos e encontrar sentido no mundo.

É assim que encontramos as 11 faixas de “Radical Optimism”: numa mistura entre o azul e o vermelho, a adrenalina e o sossego, o sintetizador e o orgânico, o risco e o acerto. A dualidade na era se mostra a todo momento: em singles fortes e dançantes, que parecem feitos para a noite de Londres ou para a academia, mas que encontram as piscinas do calor de Barcelona. Nas faixas com ondas psicodélicas ou no violão que parece um luau secreto. Na autoconfiança de uma mulher bem sucedida e na vulnerabilidade de um coração apaixonado.

Assim como na carreira da artista, o álbum não derrapa: todo momento é tão bem produzido que parece impensável uma mente apta para tal tarefa de forma tão brilhante. O equilíbrio romântico/eletrizante sacode o corpo e o emocional de quem se atreve a mergulhar nas águas dessa vibe que beira um som tropical – que não é novo na carreira de Dua, mas que aqui vem com tamanha maturidade e bom gosto que reforçam nossa presença no futuro.

A produção de Kevin Parker, de Tame Impala é precisa, também brincando com o marcante e o sutil. Dando espaço para os vocais de Dua se destacarem e para as melodias criarem contornos deliciosos, o produtor deixa sua marca sem tomar todo o espaço: é um convidado que sabe somar à festa sem perder a cabeça. Mesmo faixas menos agitadas, a dança proposta não perde seu ritmo e canções como “These Walls” e “French Exit” brilham. Já “Falling Forever” se apresenta como mais um possível hit radiofônico aos quais Dua não é estranha, enquanto “Anything for Love” soa como um encontro intimista em um quarto reservado enquanto todos dançam alheios lá fora.

A instrumentação repleta de elementos orgânicos e proeminentes como violão e elementos mais ou menos sutis se esparrama pelas faixas, deixando cada audição mais interessante e deliciosa enquanto percebemos as camadas e mais camadas que bordam o disco.

Ouvir o “Radical Optimism” é se deixar embalar por uma artista no controle de sua narrativa, de sua artisticidade e de sua jornada. É como aceitar o convite de Dua Lipa para uma festa que soa sim, arriscada, mas que te traz sentimentos inéditos e lembranças inesquecíveis.

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