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Crítica | Tim Bernardes, “Mil Coisas Invisíveis”

“Mil Coisas Invisíveis” nada mais é que a prova do amadurecimento dos diversos talentos de Tim Bernardes

O que já era bom ficou encantador. E o que nem sequer imaginávamos ouvir é construído de forma delicada e levado, de surpresa, aos nossos ouvidos através da sonoridade e poesia de Mil Coisas Invisíveis, novo disco do Tim Bernardes. Tim presenteou os fãs e a música nacional com o auge da sensibilidade poética e musical. É difícil dizer definitivamente que esse é o auge do cantor, já que com um novo álbum em mãos, pode se esperar tudo do artista multifacetado como ele.

A primeira das ótimas quinze faixas lançadas foi “Nascer, viver, morrer”, uma escolha certeira para o primeiro contato do álbum com o mundo. A música chega como um tapa de realidade aos corpos, fazendo com que nos questionemos sobre o grande ciclo da vida, que realmente é nascer, viver e morrer. Logo em seguida, é possível nos sentirmos realmente nas palavras cantadas por Tim, pode-se perceber que a canção também é um recado de que é sim possível que o tal ciclo seja levado de forma sincera e proveitosa durante os dias, meses e anos da vida.

No decorrer do álbum, o recado vai além. Tim revela aos poucos uma versão intimista do ciclo da vida apresentado na primeira faixa. Desnuda as vivências, amores, perdas e distâncias naturais de uma vida que poderia ser de qualquer pessoa. Em contrapartida, mantém a pessoalidade das músicas em pequenas referências que traz ao longo do álbum, como em “Meus 26” por exemplo.

Na canção “BB (garupa de moto amarela)”, o próprio título parece ser uma referência pessoal, além de momentos em que o cantor cita bairros específicos de São Paulo: “Vamos explorar Santa Cecília bebê, eu sigo você sossegado”. A música é um encanto, daquelas que se ouve em looping e não enjoa nem sequer por um minuto. A letra da canção é linda, mas melhor ainda, se é que isso é possível, é a melodia que nos prende como em um labirinto em que nem existe a preocupação em achar a saída.

Famoso também por dar tons melancólicos às suas canções, Tim Bernardes mantém a caraterística em algumas de suas novas faixas. Em “Última vez” e em “Fases”, as letras escancaradamente tristes e belas, apertam o peito e entregam um pouco daquela ansiedade existente em qualquer tipo de fim. O mais incrível é que, ao mesmo tempo, as melodias das músicas oferecem colo para os nossos peitos ansiosos.

Quanto mais os segundos das músicas do Mil Coisas Invisíveis passam, e quanto mais as letras vão se descobrindo e desenrolando, mais o sonoro acolhe e mostra a eficiência de um trabalho coeso e meticulosamente pensado para afetar os ouvintes — em suas diversas formas de sentimentos.

Tim Bernardes, que também é um multi-instrumentista genial, em conjunto com outros grandes artistas, é responsável por boa parte do instrumental do disco. Juntos, compuseram uma grande obra e, diria que, também um enorme acontecimento no cenário da música brasileira, assim como seu antecessor Recomeçar (2017).

Também é muito lindo o trabalho que é feito nos clipes disponíveis para algumas das faixas. Como em “Nascer, viver, morrer” e “Mistificar”, o conjunto da obra transpassa a poesia sonora e verbal para uma delicadeza e sentimentalismo visual muito bonito e tocante. O desejo é que existissem clipes para todas as músicas do álbum. Fica aí a dica, Tim! Adoraríamos ver você na garupa da moto amarela.

Tim nos conta tanto nesse álbum que é até difícil chegar em uma conclusão sobre ele. Aqui somos introduzidos sobre a vida, sobre o amor, sobre a coragem, sobre ser e até sobre morrer. A melhor forma de concluir esse texto é com um final interpretativo, assim como o cerne direcional de suas obras e do Mil Coisas Invisíveis. Aqui todos podem sentir e conhecer os milhares de talentos artísticos de um jovem paulistano que tem o poder de afetar “de forma par” o lado mais humano das pessoas.

Nota: 100/100

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