Dias quentes regam brasilidade na 1ª edição do Festival Turá em São Paulo

Um lugar verde, confortável, grande e em enormes tons de amarelo de um sol caloroso foram responsáveis por dois dias incríveis da primeira edição do Festival Turá. A bela união de misturas de pessoas, sons, culturas e artes aconteceu no Parque Ibirapuera, em São Paulo, nos dias 2 e 3 de julho.

A promessa de que a nossa cultura musical seria representada pelo festival em uma densidade única que só os ritmos brasileiros possuem acabaram indo muito além. O samba esteve presente, o funk, o calor da audiência, o forró, o pop que mais repercute pelo país, hip-hop, house e muitos (muitos mesmo) contentes por estar no palco da Hering — teve até banda muita agradecida pelo evento ceder espaço para sua perfomance durante o dia, e não na madrugada.

Ou seja, além da curadoria excelente e exaltar um campo poderoso dentro da nossa terra, o Turá em si representou muito bem como um evento desse porte deve se comunicar e acontecer. Quem mostrou disso na abertura no sábado foi Larissa Luz. Seu show serviu como o engate ideal para começar os trabalhos. Ficou estampado no rosto que o afrofuturismo e afro-punk da cantora ecoaram pelo espaço verde com puro estilo e força.

Lagum e Xamã colocaram ainda mais calor no parque e levantaram o público a beça. O dono do hit “Malvadão” trouxe a cena do rap de modo essencial para agitar e também colocar manifestações políticas ainda mais em ênfase — ocasião essa que perdurou em praticamente todos os momentos. Pra encerrar o período da tarde com um pôr do sol deslumbrante, Duda Beat subiu ao palco e como responsável pelo melhor álbum nacional de 2021 fez a audiência dançar com a alma e gritar todas as músicas com o coração. E durante a noite, Emicida deixou os fãs em prantos com uma perfomance digna de fazer pedir por mais e recheada de momentos eufóricos.

No segundo dia do festival as emoções também foram grandes e incontáveis. Num domingo com o sol rachando nos gramados do Parque do Ibirapuera, o palco do Festival Turá nos trouxe mais e mais vozes contagiantes desse Brasil diverso. Para começar bem, as primeiras atrações Baby e Luísa e os Alquimistas deram um grande show de energia que nem o sol do meio dia até às 13h pôde impedir o público de querer dançar e suar.

Mart’Nália nos levou ao mundo do samba com total carisma e alegria, a mulher canta com o coração. Alceu Valença subiu aos palcos logo depois, contagiando o público com suas clássicas canções e colocando todo mundo para dançar e aumentar o volume das vozes. Além disso, mostrou que os passinhos de dança ainda estão em dia!

Talvez as atrações mais aguardados do dia, Baco Exu do Blues e Nando Reis subiram aos palcos trazendo convidados demasiadamente especiais. Baco trouxe Illy e Marina Sena, e os três dividiram o palco do Ibirapuera com maestria. Que vozes e artistas impactantes! Arrisco dizer que Marina Sena e Baco cantando juntos “Te amo disgraça” foi o ponto mais alto desse show, de arrepiar.

Nando Reis levou ao palco seu filho Sebastião Reis, integrante da banda Colomy. A parceria dos dois rendeu muitos momentos emocionantes: Pai e filho tocando juntos para uma imensidão de gente que fazia ecoar as canções. Logo depois, também subiu ao palco o cantor Jão, que mostrou sem medo toda sua potência vocal! Ao cantarem juntos seu feat “Sim”, Nando e Jão encantaram o público e pareciam preencher de voz todos os cantos do Ibirapuera. Nando, durante o show, ainda achou espaço nas suas canções para se posicionar politicamente sobre o atual governo, o que levou o público aos berros, que em coro, apoiava a fala do cantor.

Para fechar a noite e também os dois dias de festival, BaianaSystem colocou o gramado inteiro para pular e cantar com aquela já sensação de quase fim, mas que não deixava o público se abalar — pelo contrário, aproveitavam cada tempinho do último show com a maior energia do dia. A banda cantou e provocou com suas letras extremamente políticas e fortes.

Com essa energia acalorada o festival chegou ao fim, deixando um gostinho de quero mais e sensações e emoções inesquecíveis dentro do peito de cada um presente. É indescritível o que a música brasileira pode provocar. O Festival Turá realizou uma verdadeira celebração à nossa cultura, e isso com uma organização e estrutura impecável, o que ajudou tudo a ficar mais recheado de alegria e grandes momentos. Se tudo visto aqui nesses dois dias perdurar nas edições futuras, pode anotar: esse deverá ser um dos festivais que o brasileiro mais precisa poder prestigiar.

Por Edu

Designer gráfico e por agora, esperando o momento de realeza que a Lorde me prometeu lá em 2013.


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