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Entrevista: Em novo projeto, Lia Clark se reconecta com sua essência funkeira

O escutai conversou com a Lia Clark sobre o álbum Lia (PT.1), as novas parcerias e todo o processo criativo.

Com a primeira parte do seu novo álbum homônimo, Lia Clark ressalta importantes referências da sua carreira, o álbum chegou ontem (03) a todas as principais plataformas digitais e conta com parceria com MC Naninha, Pocah e TH4I. Além de nomes conhecidos do Funk, Lia convidou produtores importantes da área, como Hitmaker, Thai, Arthur Gutierres e Renato Messas, que assinam o álbum junto com a drag. 

Já dando um gostinho do que poderíamos esperar, Clark lançou no ano passado duas músicas desse projeto, Eu Viciei em parceria com a Pocah e Sentadinha Macia, ambas alcançaram um inegável sucesso, trazendo toda a energia que já conhecemos de Lia. 

Leia nossa entrevista:

ESC: Hoje vamos ter o lançamento do novo album, LIA (pt.1), uma das músicas  “PQP! (Tu faz do jeito que eu queria)” é em parceria com a MC Naninha, um dos maiores ícones da internet, como foi fazer essa parceria com ela? 

Lia: Foi maravilhoso! eu fico caçando artistas incríveis que surgem na internet, eles ficam meio que no meu radar para possíveis parcerias de feats e a Naninha era uma que eu queria faz muito tempo, acho que ela quando surgiu tinha uma energia muito boa, raiz do Rio de Janeiro, senti que ela era além do meme, foi muito o que eu senti quando encontrei com a Pepita quando ela começou a viralizar na internet, elas são mulheres muito talentosas que vão muito além dos memes e das risadas. É isso, feat não tem como calcular, vem na hora certa e não sei como, juro que não é fic da Lady Gaga mas um dia tava indo deitar e juro por Deus que o refrão dessa música veio inteiro na minha cabeça. Sabia que precisava compor e esse refrão veio na minha cabeça, pensei na hora que precisava ser da Naninha. Mandei mensagem pra ela no instagram, falei que precisava dela no meu álbum, nos encontramos, foi incrível e acho que ela tem um grande futuro do funk. 

Imagem: reprodução/@maicondouglasfotografia

ESC: Em “Vrau” vemos que tem uma pegada diferente das demais musicas, lembro que li um comentário seu falando sobre ser uma homenagem.

Lia: Isso é uma homenagem ao carnaval e a gente quis muito retratar, é pouquinho de cada carnaval, o lettering da globeleza e na música tem um pagode baiano. Que remete muito ao Oludum, ao carnaval que é muito presente no nordeste, a energia do carnaval de São Paulo e Rio de Janeiro onde minhas musicas são muito presentes então é realmente uma junção e uma homenagem para essa festa tão importante para o nosso país que infelizmente foi adiado novamente da gente não sabe se vai ter esse ano.

ESC: Uma coisa que sempre me marcou muito em festa foi escutar de longe a primeira nota de “Chifrudo” e ver todo muito ir ao delírio gritando, essa energia considero algo muito de você, queria saber qual foi a música que você mais gostou de produzir nesse álbum.

Lia: Fico muito feliz de ouvir. Isso é realmente a energia que eu quero fazer nesse álbum como um todo, eu acredito que todas as faixas tem essa energia de festas LGBTQIA+ de um momento funk tocar Lia Clark, ser aquele momento que todo mundo dança e a faixa que eu mais me diverti, eu tenho quase certeza que é PQP que é a com a Naninha mesmo porque ela veio muito rápido foi uma música que não me deu dor de cabeça. Tem umas que parecem que é um parto de mais de meses. A Naninha foi pa pum, veio o refrão, eu comecei a escrever uns versos, o Renato Messas que me ajudou muito na composição do CD veio com outro verso, apresentei para Naninha a gente se encontrou, apresentei pro TH4I e na segunda produção já chegamos na versão final e o encontro com a Naninha foi muito bom, ficamos nós três no estúdio e foi muito legal essa troca, acho importante. Eu não sabia se ia ter essa oportunidade na pandemia mas conseguimos nos encontrar com segurança.

Imagem: reprodução/@maicondouglasfotografia

ESC: Um dos pilares do Escutai é o design, sempre buscamos melhorar e é algo muito forte e presente nos nossos materiais, estamos muito curiosos pra saber mais do seu processo criativo para esse álbum.

Lia: A concepção deste álbum foi 100% na pandemia e veio muito desse momento vulnerável que a gente se encontrou, né? Por isso que antes de anunciar o álbum venho escrevendo uns textos, umas cartinhas falando como me sentia em cada era, como vejo elas hoje e como elas me trouxeram até aqui nesse projeto e foi o momento que eu me conectei muito comigo, do que é a minha verdade, sabe? eu acabei me conectado muito com esse meu eu feliz, que só quer ser feliz, que só quer fazer suas músicas e só quer trazer alegria para as pessoas, fui juntando pedaços desse meu eu feliz em vários momentos da minha vida para entrar com uma concepção de que eu realmente sou a Lia Clark, a primeira Drag Queen do funk, então quis trazer muito funk em cada vertente, temos funk rave, temos funk favela, temos funk pop, enfim, vários momentos de funk e visualmente falando, precisava trazer muitas referências de coisa e pessoas que me fizeram tornar a artista que eu sou, como a capa é uma homenagem a Playboy da Valesca, essa mulher marcou minha vida, acho que grandes ícones como eles merecem ser homenageados, tem as tranças que são referências de Trava-Trava, tem o lacre de latinha nas roupas e a comunidade ao fundo que retrata o começo da minha carreira, o começo da Lia Clark onde não tinha recursos para produzir grandes coisas e então foi toda uma concepção do meu eu.

ESC: Quais foram suas referências musicais para esse álbum?

Lia: Eu sou muito cadelinha de artista femininas, minha playlist foi Britney, Gaiola das Popozudas, Tati Quebra Barraco, Bonde das Maravilhas, MC Carol, então essa playlist que me fez querer ser artista, me fizeram querer estar aqui. Sonoramente é voltado para a trajetória do funk no nosso país. 

Imagem: reprodução/@maicondouglasfotografia

ESC: Dentro do cenário nacional, com quem você sonha em fazer uma parceria?

Lia: Admiro muito novos nomes do pop, alguém que cativou muito todo mundo esses últimos tempos, a Luisa Sonza, acho ela incrível, acho Doce 22 icônico, ainda não sei bem onde nossas estradas poderiam se encontrar mas enfim, acho ela muito foda e tenho escutando muito o album dela. Acho que Bianca, fiz “Surra” com ela e sei que tem um futuro muito grande no funk. A Gabily que tem arrasado muito nos últimos lançamentos e esses dias tive contatos e em alguns projetos com Xamã, com isso percebi que nunca tinha feito músicas com homens (tirando minhas amigas drag) mas acho que seria legal fazer um feat com ele que é uma pessoa muito incrível.

ESC: Quais músicas você tá viciada no momento?

Lia: Atualmente tô muito viciada em “Sem Filtro” da Iza, ja tinha amado de primeira e não sei o que ela faz com as músicas que prendem a gente, eu amo “Bad Girl” da Gabily, amo “Mulher do ano” da Luisa Sonza, amo demais os últimos hits da Doja Cat, inclusive quero demais ver ela no Lollapalooza. 

Foi um papo muito divertido, Lia ressaltou várias vezes a importância das suas referências para se tornar a artista que conhecemos e mostrou dentro do seu lançamento o porquê de ser um dos nomes mais promissores do cenário funk atual.

LIA (pt. 1) já se encontra disponível em todas as plataformas digitais e em nossa playlist Freshy com todos os principais lançamentos da semana. 

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