Inhaler, cota indie do Lollapalooza 2025, foi o pote de ouro no fim do arco-íris

O grupo irlandês cumpriu o combinado e fez um show que prova que seu nome é “Inhaler” e não “banda do filho do Bono Vox”

Era incerto se a “banda do filho do Bono Vox” subiria ao palco Samsung Galaxy na sexta-feira, dia 28, no Lollapalooza Brasil. Uma chuva inesperada pela previsão meteorológica (mas não pela poesia lírica de Antônio Carlos Jobim) fez com que as águas de março paralisassem o festival e até mesmo cancelassem shows — como aconteceu com Mc Kako

Mais de uma hora depois, mesmo com uma fina garoa e um céu carregado, o quarteto irlandês Inhaler deu início à sua performance. A partir de então, o grupo recebia um nome, já que Elijah Hewson, filho do vocalista da banda U2, mostrou que não vivia na sombra do trabalho de seu pai. Nepobaby? Sim. Perpetuador do trabalho do pai? Também. Cópia? Isso não. Definitivamente não.

Inhaler © Lollapalooza Brasil 2025 (reprodução)

São Paulo in Ecstasy

Enquanto Hewson comandava os vocais e a guitarra principal, Robert Keating seguia no baixo (com uma correia para lá de baixa), Josh Jenkinson na guitarra e Ryan McMahon na bateria. A setlist incluiu músicas como “Your House”, “Billy (Yeah Yeah Yeah)”, “Eddie in the Darkness”, “It Won’t Always Be Like This” e “Who’s Your Money On”, encerrando com o principal hit, “My Honest Face”. 

Seu timbre, que lembra o do pai, e o estilo descolado da banda, que mistura influências de Stone Roses e Arctic Monkeys, foram suficientes para prender a atenção do público que se formava aos poucos na plateia encharcada.

A apresentação durou cerca de uma hora — tempo aproximado que cada banda dispõe nos palcos do Lollapalooza — e não teve muita energia. O entusiasmo do momento se concentrava no público que, não por menos, vibrava com as canções dos discos do grupo, incluindo Open Wide, o mais recente lançamento do Inhaler. Em um palco pelado, sem cenografia, apenas com o nome da banda no telão ao fundo, o quarteto fez um show “feijão com arroz”: cumpriu o que prometeu e matou a fome do público. Fome, inclusive, de indie, o âmago do festival. 

So Far So Good

O show curto, embora empolgante, impôs a capacidade do grupo (que já passou da fase de mostrar seu potencial) que, embora ainda desconhecido e grafado com letras menores nos line-ups de festivais, já coleciona fãs pelo mundo e participações em grandes eventos como Glastonbury e Reading. Por aqui, inclusive, o Inhaler se apresentou no dia anterior à sua performance no Lollapalooza, junto à cantora norueguesa girl in red, na Audio em São Paulo, mesma cidade onde acontece o festival. A casa estava cheia para receber os artistas, que se apresentaram separadamente. 

No fim da apresentação, um arco-íris surgiu no céu de Interlagos, e os irlandeses do Inhaler eram o pote de ouro encontrado no final —algo simbólico para um grupo que faz questão de reforçar suas origens. Nessa fábula, o grupo cria sua própria história, cada vez mais confortável em deixar a herança musical para trás, explorando novas sonoridades e se afirmando com autenticidade.

Setlist @ Inhaler no Lollapalooza Brasil 2025

  1. Your House
  2. Eddie in the Darkness
  3. When It Breaks
  4. Open Wide
  5. Who’s Your Money On?
  6. X-Ray
  7. Dublin in Ecstasy
  8. Love Will Get You There
  9. Billy (Yeah Yeah Yeah)
  10. It Won’t Always Be Like This
  11. Cheer Up Baby
  12. My Honest Face

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