Melanie Martinez entrega material refinado em “HADES”

Se desvinculando da personagem que lhe acompanhou durante os últimos 10 anos de sua carreira, Melanie Martinez surpreende em seu novo álbum, HADES

Após o encerramento de uma trilogia promissora em seus últimos projetos, Melanie Martinez retorna ao mundo da música com HADES, trazendo uma versão muito mais refinada de sua própria persona que nos foi apresentada em 2015, mas sem perder uma gota de sua essência. O que parece curioso, já que seus primeiros álbuns faziam parte de um enredo interligado, com personagens e um storyline bem coeso — e nos faz pensar, por alguns segundos, que estamos revivendo o ano de 2023, durante o lançamento de PORTALS. Mas só por alguns segundos, mesmo.

GARBAGE” e “IS THIS A CULT?” já revelam a produção refinada deste material, logo ao introduzir este novo capítulo na discografia da cantora. É claramente uma versão mais madura de seu último lançamento, e mais interessante, longe das firulas de uma personagem que ficou no passado (para alguns). E assim se segue em “WHITE BOY WITH A GUN”, “DISNEY PRINCESS” e “GRUDGES”, que é o ponto alto da primeira metade do disco.

Enquanto adentramos a segunda metade, “THE PLAGUE” nos oferece uma mudança brusca trazendo um toque de EDM bem forte mas que parece perdido entre todo o resto. O que parecia uma tentativa de se aventurar em diferentes gêneros musicais para soar experimental, acaba se assemelhando a uma fuga na coesão de seu próprio texto. Infelizmente, esse clima perpetua até o último ato, como se tudo que tivesse sobrado fossem objetos reciclados ao longo de seus 11 anos de carreira. “CHATROOM” e “THE LAST PEOPLE ON EARTH” também merecem seus elogios. As duas últimas faixas encerram o álbum de forma majestosa, e provam um pensamento que se desperta durante boa parte do tempo: tudo isso era mesmo necessário?

Melanie Martinez é a mesma de sempre, mas dessa vez, explorando as diversas possibilidades dentro de seu próprio universo sonoro. De modo geral, HADES é ousado e agressivo. Esse novo mundo acompanha uma pegada mais rígida em sua sonoridade e visuais, diferente de tudo que já vimos na discografia da cantora.

76/100

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