Mostra Amor ao Cinema: quando a ruptura e a linguagem cinematográfica se encontram

Dividida em dois eixos temáticos mostra de cinema no Cinesesc celebra o cinema clássico e a inventividade do novo cinema — acontece entre 9 e 26 de setembro

Mostra Amor ao Cinema do Cinesesc reúne 52 filmes em dois eixos temáticos que celebram a inventividade da linguagem cinematográfica e a transgressão do cinema de ruptura. Passando por clássicos do cinema marginal brasileiro, pelo surrealismo de Buñel, pelo cinema encantador de Chantal Akerman, pelo questionamento acerca do social de John Cassavetes, pelo futurismo de Fritz Lang em que Metrópolis (1927) inclusive estar perto de completar 100 anos, e se passa justamente em 2026 —, pelo tensionamento de Alfred Hitchcock, até chegar no cinema inspirado e ousado de Guto Parente.

Entre os dias 9 e 26 de Setembro são vários os outros diretores e obras indispensáveis para a história do cinema passado e presente que fazem parte da programação e que é deixar qualquer fã de cinema perdido no que escolher. 

Entre o clássico de 1929 de Buñel Um Cão Andaluz, em que o diretor parece testar o limite do olhar, tensionando o conceito de é que preciso não ter olhos para ver um filme e que joga luz na ideia que o cinema muda e transforma o nosso olhar sobre o mundo, ao documentário que estreou em Abril, Fernando Coni Campos: cada um vive como sonha, dirigido por Luis Abramo e Pedro Rossi que recupera o virtuosíssimo cinema marginal e metalinguístico do pouco falado diretor Fernando Coni Campos, a mostra está dividida em dois eixos temáticos.

Eixo filmes sobre cinema

No eixo filmes sobre cinema a mostra destaca a metalinguagem do audiovisual. Ladrões de Cinema (1977) é um dos principais destaques deste eixo em que a própria linguagem cinematográfica é usada para criar possibilidades narrativas ou questionar as convenções estabelecidas. O filme de Fernando Coni Campos é uma defesa intransigente sobre o fazer cinematográfico como uma necessidade, exemplo máximo do cinema marginal, o filme nasce do povo e nele se inspira. 

Outros destaques deste eixo são Os Diários de Ozu (2025), Arquivo Vivo (2026) que fala sobre comunidades indígenas ainda pouco acessadas, Para Vigo Me Voy que estreou em Cannes em 2025 e homenageia o grande cineasta brasileiro Cacá Diegues que faleceu em Fevereiro de 2025, A Negação do Brasil (2000) que analisa a representação estereotipada e racista nas telenovelas brasileiras de até então e ainda, Amador (1979) sobre a paixão de autor iniciante pelo cinema, filme filosófico que tensiona a relação entre arte e vida. 

O eixo também contará com a pré-estreia de Morte e Vida Madalena (2025), de Guto Parente. Filme com uma longa trajetória internacional e de premiações em festivais e mostras no Brasil, ele parte do encontro entre os absurdos de um set de filmagem e a paixão por criar, driblando as dificuldades que Madalena, uma produtora que precisa lidar com a morte recente do pai, o sumiço do diretor de seu próximo filme às vésperas do início das filmagens e uma gravidez de oito meses, para entregar uma comédia absurda divertidíssima e que ao mesmo tempo explora toda a história do cinema.

Filmes de Ruptura

Outro eixo do evento é o Filmes de Ruptura, em que a mostra traz obras que em diferentes momentos e contextos, desafiaram convenções narrativas, estéticas e sociais. Entre os destaques estão o surrealismo de Niki de Saint Phalle em Um Sonho Mais Longo Que a Noite (1976) e de Luiz Buñel em A Idade de Ouro (1930), a experimentação cinematográfica de Claire Denis em Desejo e Obsessão (2001), o marco do cinema africano A Garota Negra (1966) e ainda o clássico que testa o limite do fazer cinema Quando fala o Coração (1945) de Alfred Hitchcock.

Se consolidando na programação paulistana, esta 4ª edição do evento contará para além de sessões grátis com retirada de ingresso 1h antes de cada sessão nos dias, 11, 12 e 13 de Setembro, em razão da comemoração dos 80 anos do Sesc, com ingressos também divididos entre o online e na bilheteria presencial para o dia de cada sessão, além de uma uma seleção especial de filmes na plataforma Sesc Digital. 

Abertura da Mostra Amor ao Cinema

A sessão de abertura é neste dia 9 de Setembro, para convidados e imprensa, além de uma cota de ingressos para ser retirada uma hora antes da sessão por parte do público. A sessão contará com a exibição do — monumental e elogiado em Cannes — A História dos Documentários: Introdução, de Mark Cousins. 

Assim, diante de tal programação a mostra se posiciona como um evento democrático e acessível para quem é fã de cinema e ao mesmo tempo se mostra como uma ótima porta de entrada para quem ainda quer se apaixonar por esta fantástica forma de arte. Para conhecer a programação completa, ter acesso a mais informações sobre os filmes e ter acesso ao catálogo digital da mostra é só clicar aqui.

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